ESPAÇO ABERTO
Pesadelo ou realidade?
Fouad Mohamad Fakih
Após anos de guerra civil o Líbano, além da reconstrução, vivia a reconciliação nacional. Processo que permitiu aos libaneses o retorno ao convívio fraterno dentro e fora do Líbano, já que o povo libanês marca presença em todos os pontos da terra respeitando culturas, ideologias e credos. Diante dessa realidade, provavelmente, os árabes, entre eles os libaneses, sejam os povos de maior proximidade com os judeus. Basta revisar o nascimento das duas nações de origem semita e do mesmo pai Abrahão. Fortalecidas pelos negócios e as relações de amizade que, na maioria das vezes, foram provocadas e mantidas pela cultura e hospitalidade árabe.
No entanto, diante da intolerância e das atrocidades de uma ação que reabre cicatrizes, é preciso repensar alguns valores entre os dois povos. Afinal, nenhum governo faz uso da força de seu exército e armas, com tamanha crueldade, sem o aval da maioria do seu povo. Não se pode admitir que apenas o povo judeu tenha direito à vida e à segurança territorial. Especialmente quando é sabido que este território lhes foi dado pela imposição internacional com a anuência de governantes árabes que, sem princípios, se perpetuam como serviçais de terceiros em detrimento dos seus povos. Infelizmente, este território, que é a Palestina, foi vendido por traidores que permitiram a expulsão dos seus legítimos donos.
E é por isso que, pelo sentimento de amor que tenho pelo Brasil, posso dizer feliz que a idéia da criação do Estado israelense dentro da Amazônia, ou mesmo em território argentino, uma das primeiras propostas, não tenha se concretizado. Fico eu imaginando o que estaríamos vivendo, assim como ocorre com o Oriente Médio, com o ódio dos governantes judeus e de seus parceiros sob o pretexto da legítima defesa. Na verdade, são parceiros por interesses materiais. Nenhum tipo de sentimento, cultura, religião ou tradição os une.
Sabemos que o Brasil detém uma das maiores reservas de água potável do planeta e da importância desta riqueza, a partir de 2002, pela possível escassez. Precisamos lembrar que o petróleo foi a principal razão da escolha da Palestina para a criação do Estado de Israel. Ou seja, no futuro, a água pode nos tornar vítimas dos interesses globalizados de nações que se julgam soberanas pelos poderios econômico e bélico.
Não é justo desmerecer a vida dos dois soldados capturados pelo Hezbollah, em território libanês. Mas, é preciso mostrar a indignação na proporção da resposta. Estamos diante de um genocídio apoiado e incentivado pelos governos norte-americanos e ingleses, duas nações que poderiam estar construindo um mundo melhor ao invés de colaborarem para a destruição. As vozes que clamam o fim dos ataques poderiam ser mais fortes. O povo de Israel também precisa reagir para mostrar que aprendemos, com a dor e o sofrimento ao longo da história, que guerras apenas destróem e aniquilam sonhos e esperanças.
FOUAD MOHAMAD FAKIH é empresário e presidente da Uniamérica (instituição de ensino superior) em do Foz do Iguaçu
Justiça além da vida
Arnoldo Anater
No livro Justiça além da vida (José Carlos de Lucca) há uma passagem próxima do seqüestro do repórter Guilherme de Azevedo Portanova e do auxiliar técnico Alexandre Coelho Calado, da Rede Globo. No livro, uma médica atendia um garoto no Pronto-Socorro, integrante de uma quadrilha que fugiu da polícia com uma bala no joelho. Pivete inteligente e líder do bando, foi levado pelos colegas e, enquanto era socorrido, a polícia chegou para prendê-lo. Mas ele conseguiu fugir sem a médica ter concluído seu trabalho. No esconderijo o garoto telefonou para a profissional da medicina para que fosse lá terminar a cirurgia. Ele ofereceu 5 mil reais e a promessa de que a partir daquela hora e médica passaria a integrar o grupo e seria uma das nossas para qualquer emergência. Ante a insistência de sofrer toda sorte de ameaças, a médica montou um esquema com a polícia foi ao encontro do bandido. Enquanto completava a cirurgia os policiais chegaram e prenderam o marginal.
Como é sabido que na violência e nos crimes praticados hoje, no Brasil, há esquema envolvendo profissionais de todas as áreas, o comunicado do Primeiro Comando da Capital (PCC) publicando na íntegra na imprensa na última segunda-feira deve ter sido redigido por um criminalista ou penalista que sabe de cor o Código Penal. Quando marginais do PCC conhecem leis e citam até o número delas?
Observe-se a expressão no interior da fase de execução penal, inverte a lógica da execução penal. E ainda coerente com a perspectiva de eliminação e inabilitação dos setores sociais redundante, clientela do sistema penal, a nova punição disciplinar inaugura novos métodos de custódia e controle da massa carcerária, conferindo à pena de prisão o nítido caráter se castigo cruel. E ainda: O Regime Disciplinar Diferenciado agride o primado da ressocialização do sentenciado vigente na consciência mundial desde o ilusionismo e pedra angular do sistema penitenciário, a LEP, o objetivo do cumprimento da pena é a reintegração social do condenado, a qual é indissociável da efetivação da sanção penal.
O texto do documento é uma peça técnica, jurídica redigida com conhecimento profundo das leis penais. Quanto teria recebido o jurista do esquema para fazer? Quanto ele ganha por integrar o sistema de bandidagem? Os apenados queixam-se do rigor da punição de seus crimes. Será que eles querem hotel de cinco estrelas? Será que eles não imaginam como estão as lares que eles fizeram vítimas o pai ou a mãe? Como vivem os órfãos, a miséria, a dor e o sangue que deixam pelo caminho do crime que andam? Cuidado: o Estado não gasta milhões para formar profissionais liberais para depois assessorar bandidos sanguinolentos, seqüestradores e marginais de toda espécie.
ARNOLDO ANATER bacharel em Direito e jornalista em Curitiba
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





