ESPAÇO ABERTO
Facetas dos relacionamentos
Flávia Lobrigatte
Desde o lançamento da nova novela das oito venho me questionando sobre a necessidade de se apresentar explicitamente a falta de princípios que todos os relacionamentos desta trama têm vivido. Não há uma única família estruturada que faça parte dos relacionamentos que o autor tanto faz questão de defender. Será que uma família com pais que se amam, se respeitam e criam seus filhos sob princípios morais e éticos não faz parte dos relacionamentos cotidianos do ser humano?
Concordo, se como resposta, ouvir que isso hoje em dia é uma raridade. Mas também afirmo que existem muitas famílias brasileiras que vivem sim um bom relacionamento, onde prevalece o perdão, o entendimento, o respeito mútuo e a valorização do outro como ser humano. Pais que ainda querem que seus filhos sejam pessoas boas, profissionais capacitados, que se casem, tenham filhos e sejam felizes.
Ligar a televisão no horário nobre e deixar com que esses conceitos penetrem no ambiente familiar não acrescenta nada de útil ou de bom para os relacionamentos familiares, tanto entre cônjuges como entre pais e filhos. Sei que a realidade de muitos jovens e de muitas famílias até podem ser semelhantes a essa apresentada pela novela, mas tornar isso público, jogando essa realidade dentro de nossas casas não leva a nenhuma solução e, muito menos, pretende despertar uma consciência de que é preciso lutar para conquistar uma família ou uma sociedade mais justa.
Muito pelo contrário, pois as traições são vistas como uma coisa boa; a vilã que tira o marido de outra e sempre está à procura do macho ideal, é representada por uma atriz bonita e bem relacionada; muitas vezes confundimos seu personagem com o da heroína. Um casamento que acaba de se realizar torna-se um relacionamento banal, onde tudo passa a ser permitido, transgredindo a ordem natural das coisas e, como sempre, colocando o ser humano como um simples objeto que é usado pelo outro para a satisfação pessoal.
O ato sexual passa a ser vergonhoso aos olhos de muitos casais quando apresentado da forma que é: sem respeito, sem carinho e sem dignidade. Sem falso moralismo ou hipocrisia, por que deixamos nossos filhos verem na TV aquilo que fazemos de portas fechadas em nossas casas? Já que a sociedade impõe um diálogo aberto sobre a sexualidade e, especificamente, sobre o ato sexual, deveríamos praticá-lo em nossas casas com a mesma naturalidade ou vulgaridade apresentada pelas emissoras de televisão e autores de novelas, que consideram isso um ato corriqueiro.
É muito simples isentar-se da culpa, dizendo que está se apresentando as diversas facetas dos relacionamentos. Complicado é educar crianças, adolescentes e jovens que passam a vivenciar essas facetas distorcidas da sexualidade e caminham cada vez mais para as drogas, para o suicídio e para a marginalidade. A família não é uma instituição falida. É preciso que cada uma assuma seu papel de transformadora e levante sua bandeira, exija o direito de ser respeitada e não compactue com o que é apresentado nas TVs, desligando seu televisor quando se sentir agredida.
FLÁVIA LOBRIGATTE é jornalista em Londrina
Vote consciente
Ivani de Souza Lima e Aminadabe Martins de Oliveira
Há uma corrente, mesmo que seja de alguns elos, que prega nessas eleições o voto nulo ou o voto em branco. Qual o motivo dessa descrença com o processo democrático? O certo é que se instalou um desânimo coletivo com relação à política partidária devido a diversos fatores, desde o mensalão, valerioduto, sanguessugas, nepotismo e a inércia dos nossos governantes em resolver os problemas da população tão sofrida.
Via de regra temos a propensão de resolver os problemas pelo lado mais trágico. Sempre tentamos eliminar aquilo que nos incomoda. Quantas vezes não ouvimos que para solucionar o sistema carcerário a melhor saída seria a pena de morte, que os nossos políticos são todos corruptos e narcisistas olhando somente para seus próprios umbigos, mas imperiosamente todos os mandatos eles continuam lá?
É hora de mudarmos nossa cultura. Devemos começar, nem que for gradativo. Temos que procurar conhecer o perfil dos canditados, se já são ou foram canditados, o que fizeram para o coletivo, quais as propostas para o novo mandato, verificar se são as mesmas da campanha passada e um mero videotape que tem por intuito tapear a todos nós.
Temos que começar a mudar por aqueles que lá estão e não correspoderam às expectativas. Eles devem ser removidos e jogados no limbo do esquecimento. Devemos analisar friamente, e com a razão, quais são os canditados que oferecem um projeto político para o nosso munícipio, Estado como um todo e para Nação, respeitando as condicionantes de cada região. É sabido que as mudanças não ocorrem de uma hora para outra. Somos um país recente no processo da democracia, somente 117 anos, e sabemos que ainda existe o ranço de antigos coronéis que governam o país e grupos ou verdadeiras Cosas Nostra que somente têm por intuito locupletarem-se com a conivência do Estado.
Por isso, nessas eleições diga não ao voto nulo ou branco. Procure escolher aqueles que têm um passado limpo, procure não esquecer dos canditados para que se possa cobrá-los num futuro próximo, desconfie de propostas utópicas e fique de olho naqueles que lá estavam e nada fizeram. A renovação é preciso, e dentro do atual contexto até necessária, senão seremos eternos reféns de nossos próprios atos. Seja responsável e feliz na sua escolha.
IVANI DE SOUZA LIMA e AMINADABE MARTINS DE OLIVEIRA são, respectivamente, presidente e vice-presidente da União dos Deficientes Físicos de Cambé
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





