ESPAÇO ABERTO
Ser pai
Dom Orlando Brandes
Saudação e parabéns aos pais pelo seu dia! Nunca foi fácil ser pai. Pelo contrário, cada vez mais se clama pela sua presença, seu abraço, seu carinho, seu elogio, seu exemplo, sua fé. O pai é indispensável para o equilíbrio da família e da sociedade. Não é figura descartável. Pai ausente, filho carente. Pai autoritário, filho revoltado. Pai fraco, filho efeminado. Pai ateu, filho incrédulo. Pai profissional, filho consumista. A depreciação do pai leva à depreciação de nós mesmos. Isso gera desordem interna e depois social.
A experiência paterna positiva impulsiona os filhos à abertura para o mundo, à segurança sexual e afetiva, à objetividade e afirmação de si, à fascinação pela vida. Quero ser como meu pai! Eis o resultado da experiência paterna positiva. Sim, o pai positivo, é fonte de identificação, energia, criatividade, racionalidade. Eis aí o pai modelo, herói, fascinante, verdadeiro suporte das tendências progressivas e do relacionamento sadio com Deus, nosso Pai. Quanto medo de Deus por causa do patriarcalismo e machismo dos pais!
Hoje, os pais estão sendo consumidos pelo trabalho. Não lhes sobra tempo para a família. Crescem como profissionais e fracassam como pais, sofrendo com a rebeldia dos filhos e a separação conjugal. O sucesso profissional não garante a felicidade dos filhos. É preciso preparar-se para a missão de ser pai. Não basta ter maturidade física. Pai não é apenas um reprodutor. Dar carinho é um aprendizado. Ser pai-presença, pai-ternura, pai-colo, pai de joelhos, pai ao lado da mãe para dar identidade e equilíbrio aos filhos.
Muitos pais falham no relacionamento com os filhos, não por falta de amor, mas por erros de amor, sufocando os filhos com presentes, com superproteção, com falta de disciplina, com ausência de limites. Ser bom pai, não é ser perfeito, nem ser permissivo, muito menos ser árbitro de tudo. Mas ter auto-estima e expressar ternura, dar orientação, ter tempo, seguir a religião, valorizar a família. O que alimenta o ser humano é o afeto e a fé. O consumismo esvazia, empobrece, adoece, enlouquece. A maior empresa de um pai é a família. Ela não pode abdicar dessa missão.
Nossos pais não são deuses, são pessoas de carne e osso que também precisam de afeto, compreensão, ajuda e perdão. O comportamento dos filhos afeta profundamente a seus pais. Eles precisam de apoio, porém devem aceitar receber ajuda. Quem não fica fascinado vendo o pai de mãos dadas com a mãe? O pai com o filho no colo? O pai de joelhos? O pai presente na comunidade civil e religiosa? É doloroso e frustrante, porém, ver o pai desempregado, saindo com mulheres, bebendo no bar, chegando de madrugada das farras, grudado na televisão, no jornal, alisando seu automóvel sem nunca tocar afetivamente seus filhos e esposa.
Não podemos exigir que nossos pais sejam onipotentes. Não é aconselhável que eles abdiquem de sua missão, nem se refugiem na culpa. É possível recomeçar, reaprender, regenerar. Aos nossos pais demos cinco presentes: perdão, reconhecimento, aceitação, confirmação e amor.
DOM ORLANDO BRANDES é Arcebispo de Londrina
Advogado e o ideal de Justiça
Jossan Batistute
Ontem, 11 de agosto, foi comemorado o Dia do Advogado. Data também comemorativa dos 179 anos da criação por D. Pedro I dos dois primeiros cursos de Direito (Ciências Jurídicas e Sociais) do Brasil, em São Paulo (SP) e em Olinda (PE). Este dia poderia ser também data comemorativa da Justiça (que formalmente é em 8 de dezembro), eis que, pelas próprias disposições de nossa Constituição Federal (artigo 133), o advogado é indispensável à administração da Justiça.
Lógico que o termo Justiça neste caso é utilizado pela Constituição de 1988 para se referir ao exercício das funções judiciais e jurisdicionais, aquelas nas quais atuam constantemente os membros do Judiciário (juízes, promotores, serventuários, etc.). Assim estes membros e os advogados são partes integrantes de um todo, que é a exteriorização (exercício) das funções do Estado-juiz (do Judiciário).
Justiça na expressão utilizada no artigo 133 da Carta de 1988 é algo que pode ser administrada (direcionada/operacionalizada), razão pela qual o termo constitucional não é sinônimo da idéia de Justiça que está presente na maioria dos cidadãos. No sentido comum em sociedade, Justiça é o apaziguamento das relações, conflitos e interesses, com a distribuição harmônica e equitativa dos direitos e deveres de todos. Desta forma, é algo intangível. E mais, é um fim que deve ser sempre almejado por todos os homens e mulheres de bem.
Diante disto tudo, temos duas noções de Justiça: a primeira que emana do artigo 133 da Constituição e que coloca o advogado como indispensável à sua operabilidade; e a segunda, que é o senso comum e que contém o espírito do desejo de paz (harmonia). Desta forma, não seria errôneo afirmar que o advogado é também indispensável à realização desta Justiça como algo ideal. Afinal, Justiça neste sentido está intimamente, e acima de tudo, ligada à idéia de equilíbrio.
Isto pois, quando presentes os advogados na solução dos conflitos, de um lado tem-se os profissionais que acusam ou buscam uma condenação (deferimento), e de outro, aqueles que defendem a absolvição (indeferimento). Neste embate de idéias, normas jurídicas e fatos (ação, reação/força, resistência) surge e se estabelece o equilíbrio. Então, a Justiça é capaz de reinar e toda a sociedade e as partes envolvidas ganham!
Assim, instalada a Justiça e pacificados os conflitos sociais com a presença do advogado, seguem todos seus caminhos, sempre avante, rumo a um futuro melhor, justo.
JOSSAN BATISTUTE é advogado e membro da comissão núcleo-jovem da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil em Londrina
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