ESPAÇO ABERTO
Simplesmente pai
Elsie Pereira da Silva
Perto do Dia dos Pais é necessário tentar entender as modificações que ocorrem em seu papel com relação à criação dos filhos. Qual é realmente a importância do pai na vida das crianças atualmente? É de enorme importância. Ele é a figura que exerce a função paterna (não necessariamente o pai biológico), que participa do processo de formação da criança, seja menino ou menina, e interfere muito no seu desenvolvimento em nossa sociedade.
Até a década de 60, o papel do pai estava vinculado ao de provedor, era o representante da autoridade na dinâmica familiar. Com as mudanças na estrutura familiar, advindas da ocupação das mulheres no mercado de trabalho, ocorreu uma necessidade de dividir as tarefas domésticas, possibilitando o aumento da participação dos pais na rotina dos seus filhos. Convivendo no dia-a-dia das crianças, o pai passou a assumir também a responsabilidade pela formação pessoal, psicológica e emocional.
Hoje eles ocupam esse papel bem mais abrangente, são participativos e acompanham a esposa ou companheira em exames de pré-natal, freqüentam reuniões escolares dos filhos, estabelecem juntos as regras e os limites de acordo com seus valores.
Existem hoje vários tipos de família e muitos pais já não residem mais sob o mesmo teto. Com as separações observa-se que a guarda dos filhos fica exclusivamente com um dos pais, acarretando em um distanciamento afetivo e social com aquele que não detém essa guarda.
Como ainda acontece na maioria dos casos (isto está mudando) a mãe fica com a guarda e é importante refletir neste momento de maior participação do pai se é justo que isto aconteça nos dias de hoje. Pais tendo que se distanciar dos filhos porque lhes é imposto horários de visitas, muitas vezes quinzenais. Quem estará pagando a conta com certeza são as crianças e os adolescentes.
Muitos juízes percebem a luta dos genitores para não perderem a participação na rotina dos seus filhos, sejam eles pais ou mães. Eles estabelecem a guarda compartilhada, onde um dos pais permanece com a guarda física, contudo o outro pai que não detém a guarda participa ativamente da vida do seu filho ou filha, com flexibilidade de horário para as visitas inclusive.
Percebo no meu consultório que quanto mais os pais falam a mesma linguagem em relação à criação dos filhos, mesmo separados, menor é a conseqüência emocional. É preciso que todas as esferas da sociedade se adaptem a essa nova realidade e somem os recursos visando o bem-estar das crianças. Aos pais felicidade no seu dia e no dia-a-dia.
ELSIE PEREIRA DA SILVA é psicóloga em Londrina
A nossa realidade invisível
Walmor Macarini
O que vemos ao nos olhar no espelho não é a nossa totalidade mas apenas um espectro do que somos. Nossa realidade maior e prevalecente é invisível aos olhos carnais. Ela se compõe de vários corpos, e os mais sutis tocam os arcanos. É a parte essencial da nossa substância divina. A vestimenta física que temos é a forma de podermos vivenciar o experimento na dimensão terrena, porque de outra maneira não conseguiríamos suportar a pressão desta densidade. Da mesma forma que um astronauta precisa estar protegido por seu traje espacial, ou não resistiria fora dele.
Esta foi a couraça que aceitamos vestir quando decidimos aportar nesta paragem do universo. Não viemos aleatoriamente, mas em missão, porque nos doamos para a obra de reerguimento e iluminação da Terra, ou porque tínhamos aqui resgates a fazer, ou porque não nos foi dada outra opção face a circunstâncias individuais. Não somos de agora nesta trajetória terrena, que é longa mas temporária.
A repetição do processo de nascer em corpo físico e vivenciar a sua morte, e assim sucessivamente até que o compromisso neste plano dimensional se conclua, foi no mais dos casos uma escolha de cada indivíduo. E por que não nos lembramos das vivências anteriores? Porque a lembrança tiraria o mérito do experimento e da obra que nos propusemos realizar. Ademais, certas rememorações passadas poderiam ser penosas demais.
Mas já estamos prestes a dar um salto para dimensão mais alta, de densidade mais sutil uma expansão da consciência e não por acaso se tem falado de mudanças que iriam acontecer a partir dos anos finais do milênio que findou e do milênio que começa. Tudo irá acontecendo paulatinamente, sem saltos. Já está ocorrendo o processo dessa transformação. Que inclui temporadas de bonança mas também de muita turbulência e sofrimento. São, como se tem escrito, as dores do parto de algo novo e melhor que vem chegando.
Somos todos tripulantes desta nave e desta viagem poderia-se dizer a aventura do experimento terreno que vai chegando a um fim de ciclo. Para que outro recomece, aqui mesmo ou em outras das muitas moradas, porém de uma forma mais expandida da consciência.
Nosso experimento na fisicalidade é também um experimento de Deus e cada qual que o conceba como o desejar porque somos parte dele e somos ele. Assim como as partes distintas do nosso corpo que têm movimentos próprios e se movem sem uma ordem de comando único, e no entanto formam um só corpo. A movimentação dos nossos dedos, o fluxo sanguíneo, o respirar, as células que se renovam por si mesmas, são independentes mas compõem um só conjunto corporal.
Deus é isto com relação a nós, que somos suas partes. Deus, sem nós e todas as coisas, não seria. Ele está nas dores e alegrias humanas e na ação de todas as coisas. Difícil compreender, mas não é preciso, bastando por ora ter consciência que é algo que ainda iremos dominar com maestria. Tudo chegará a seu tempo.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina
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