Internet, o inteligente correio sentimental
Moacir Costa

A internet é um dos meios de comunicação mais difundidos, na atualidade. Utilizado por milhões de pessoas, tende a se espalhar cada vez mais, à medida que se reduz, também, a exclusão digital, pois um computador com acesso de banda larga ou linha discada é um investimento ainda inacessível para grande parcela da população. Já está, porém, entre os grandes sonhos de consumo sobretudo da população mais jovem.
A internet é utilizada pelos mais diversos motivos, desde a busca por informações, à compra dos mais diversos produtos, de eletrodomésticos a automóveis. É, ainda, um espaço aberto aos chamados relacionamentos virtuais, sejam amizades ou mesmo laços amorosos e/ou de caráter sexual. Permite o contato imediato entre pessoas que se encontram a grandes distâncias ou mesmo que vivem em grandes cidades onde fatores como o trânsito caótico e a violência urbana desestimulam os encontros reais. Muita gente prefere permanecer em casa, durante seus períodos de lazer, em vez de sair a campo.
É muito sedutor o fascínio que a internet exerce, especialmente entre as pessoas tímidas e carentes, que optam pelas salas de bate-papo (chats) para ampliar seu círculo de ''conhecidos'', em busca de novos amigos ou mesmo amores. Têm dificuldades para arriscar-se em contatos diretos, por medo de rejeição e sofrimento. A palavra escrita pode exercer grande fascínio e o uso de codinomes (nick names) é uma barreira que dá uma impressão de mover-se em um ambiente seguro. Muito menos assustador, aparentemente, do que a chamada vida ''real'', mesmo que haja demasiada exposição da intimidade.
Pessoas de todas as idades mostram interesse em participar desses ambientes virtuais, muitas delas em busca de alguém com quem possa compartilhar suas angústias e alegrias, ainda que de longe e com nomes fantasia. Há, a princípio, uma garantia de anonimato e essa possibilidade de não se identificar facilita a interação. Nessas circunstâncias, as fantasias têm amplo espaço para se manifestar estimulando a sexualidade de forma intensa e afrodisíaca.
Não por acaso, é crescente o número de pessoas que acessam a internet em busca de sexo on line - as salas de cybersex. É onde o anonimato permite, mais ainda, a expansão de desejos que muitos não conseguem expressar de outra forma, ao mesmo tempo em que buscam eliminar os perigos das relações diretas, com possibilidades tão assustadoras como contrair algo tão grave como a Aids.
Nem sempre, porém, as pessoas permanecem nesse mundo protegido. Às vezes é apenas um passo para tomar coragem e marcar um encontro pessoal, olho no olho. E, nesse sentido, a internet aparece como um instrumento moderno, que substitui, com amplas vantagens, o antigo correio sentimental. Desde que não seja um espaço de fuga, pode e deve ser usado com inteligência e sensibilidade, além, claro!, de ética.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

Razão rural
Celso de Almeida Gaudencio

O meio rural brasileiro está numa encruzilhada diante do desmonte econômico imposto pelas atuais circunstâncias. Conjetura-se que a desestabilização é a inconsequente vontade de mudar a titularidade dos proprietários de terras. O aspecto agrário suplanta a razão da produção, realçando a necessidade urgente da criação de uma política fundiária, fundamentada no direito de propriedade privada rural, para que se possa produzir alimentos e outros produtos do campo com liberdade, seguindo padrões técnicos para atender demandas de mercado.
O grau tecnológico deve ser regido pelo custo de produção e pela demanda econômica. Portanto, é urgente a eliminação da exigência de índice de produtividade, ufanada por ideologias contrárias à produção e ao direito de propriedade privada. A máxima eficiência técnica não se traduz, obrigatoriamente, por máxima eficiência econômica ou de proteção ambiental. Exigir eficiência maior, isto é, índice elevado, sem respeitar as leis de mercado e o ambiente produtivo, significa tornar o processo cada vez mais dependente de insumos modernos e importados, artificializando em demasia o produto final.
Diante das exigências atuais de comprovação de produtividade e da situação econômica, o produtor deve adotar, na condução da lavoura, o pousio ou na pastagem, o sistema protelado de vedação. Tais processos tecnológicos seriam adotados em cada área, e pelo menos em vinte por cento da área aproveitável, objetivando promover a recuperação natural do solo e/ ou do recurso forrageiro. Para assim proceder, projetos ou laudos técnicos devidamente protocolados são imprescindíveis. Sabemos que há agentes biológicos vegetais eficientes, tanto para recuperar como para melhorar a capacidade produtiva dos solos. Porém, a exigência de índices de produtividade elevados limita a sua adoção, restringindo a produção de alimentos com maior qualidade natural e a liberdade na condução do empreendimento. Para se evitar a estagnação completa da produção e o êxodo de grande contingente de pessoas com vocação para a lida do campo, é necessário o afastamento, em qualquer instância, dos adeptos a movimentos contrários ao processo produtivo.
O nosso homem do campo em momento algum deixou de lutar sol a sol, ainda que não dispondo de recursos econômicos para tocar o seu negócio. Incansável, arrisca mesmo sob condições de tempo desfavoráveis e da necessidade de financiamentos. Contribui com impostos, com a balança comercial, e principalmente, produzindo alimentos saudáveis para a população brasileira.
O produtor rural necessita de redução no imposto de renda, no imposto de circulação de mercadoria e nos juros de custeio - que não deveriam ultrapassar a três por cento - para viabilizar o empreendimento, em benefício da alimentação e do bem estar do povo. Abandonar o homem do campo, nesse momento, é desconhecer a razão rural.
CELSO DE ALMEIDA GAUDENCIO é engenheiro agrônomo, produtor rural e sócio da Sociedade Rural do Paraná

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