Seja feliz agora

Adalberto Brandalize
  Parte das pessoas se diz infeliz, mas traça planos muito aquém de suas capacidades e como não os alcança se diz infeliz. A felicidade é um conceito relativo, alguns acham que a felicidade está no casamento, outros com o fim do casamento. E boa parte passa a vida inteira procurando a felicidade sem nunca a encontrar. Certa vez ouvi uma pessoa dizer que em todo velório tem duas coisas que nunca faltam: a primeira é ‘‘o morto’’ e a segunda é ‘‘agora que ele ia começar a ser feliz’’, está com os filhos e netos criados etc., quer dizer está sempre esperando a felicidade. Você vai esperar estar num caixão para ser feliz? O pior são as pessoas que não conseguem ser felizes e primam por estragar a felicidade dos outros.
  Certa vez anotei em um papel o seguinte: ‘‘Eu não tenho inimigos, apenas concorrentes, que gostariam de ser como eu, fazer o que eu faço. Por isso, me combatem tanto, tentam denegrir minha imagem. Eu lamento, mas, ainda não fiz o terço do que sou capaz e pretendo fazer’’.
  Entendo que a felicidade é conquistada, palmo a palmo, dia a dia, um sorriso da pessoa amada, um progresso no campo profissional, um muito obrigado de alguém que ajudamos, a chegada de um amigo e assim por diante. A felicidade é um conjunto de passos.
  A maior parte supervaloriza o lado negativo: perdeu o emprego, pronto sou a pessoa mais infeliz do mundo, mas, a saúde, os pais e amigos, o namorado, os estudos vão bem, etc. Emprego arruma-se outro, porém, pais, amigos, estudos e alguns namorados ficam para sempre. Portanto, a situação é de relativa infelicidade.
  Li certa vez algo mais ou menos assim: ‘‘Existem 2 tipos de pessoas; as que fazem e as que ficam à sombra de quem faz’’. Muitos reclamam que seu professor ou chefe é muito exigente, e cita que o outro professor é ‘‘bonzinho’’ porque lhe dá notas boas e a prova é fácil, o segundo professor jamais poderia falar em ética. Bill Gates disse certa vez: ‘‘Acha seu professor ruim, espere até ter um chefe e o mundo não está nem aí se você está bem ou mal.’’
  Portanto, não espere que o mundo vá se importar se você está feliz ou não. A vida não é fácil, nela não tem recuperação e ela não recomeça a cada semestre ou ano. Ser feliz ou não só depende de nós e das nossas expectativas, mas seja hoje mais feliz que ontem e assim sucessivamente, pois até prova em contrário só passamos por aqui uma vez só. Portanto, seja feliz agora.
ADALBERTO BRANDALIZE é administrador de empresas e professor universitário em Londrina


Para que serve sindicato?

José Mario Angeli e Omar Neto Fernandes Barros
  A Comissão de Mobilização da UEL pró-greve tem elaborado atividades e acompanhado os seus desencadeamentos, a última foi na semana passada, uma audiência pública chamada pela Comissão de Educação da Câmara Municipal, com o objetivo de ouvir as autoridades e o movimento docente. Foram convidados a reitoria, a Secretaria de Ciência e Tecnologia, parlamentares e autoridades da região para discutirem a situação salarial dos professores da UEL.
  Coube à direção do sindicado fazer uma explanação sobre a importância da UEL para o desenvolvimento local seja do ponto de vista acadêmico, científico, cultural e econômico. Salientou-se a importância da pesquisa desenvolvida pelas instituições públicas. E que não se devem olhar os ‘‘gastos’’ com salários, manutenção e com alunos em si, pois de cada real aplicado ele se reproduz em R$ 1,34 em renda. E de cada real gasto com emprego ele se reproduz em 1.54 de novos empregos.
  A ausência do reitor e da secretaria se justifica pelo fato deles estarem ‘‘arrumando a casa’’, eles assumiram as suas novas funções, recentemente na administração do Estado e precisam tomar pé da situação. Contudo, o discurso do representante da secretaria foi típico de um personagem teatral, ele adiantou ‘‘que estamos colocando no orçamento para o próximo ano um percentual para recompor o salário de algumas categorias’’, e arrematou: ‘‘Herdamos uma dívida muito grande do governo passado, por isso, para este ano será impossível’’.
  Qual a diferença de tratamento atual e no tempo do regime autoritário com relação à correção salarial dos trabalhadores públicos? Antigamente os governantes nem admitiam as perdas salariais. Atualmente eles já admitem, mas evocam leis para dizer que não é possível fazer as correções. Os representantes do Estado, ex-professores, assumindo papéis diferentes do tempo da sala de aula ou de representantes sindicais, dizem que a lei de responsabilidade fiscal não permite o aumento, pois estamos na margem de segurança da mesma. No início da existência desta lei os índices de comprometimento com salários não podiam chegar ao limite previsto na lei. Agora eles até inventaram a ‘‘margem de segurança’’, ou seja, mesmo havendo ainda certo percentual para atingir o limite da lei é melhor não dar o aumento, pois é possível que o futuro o limite previsto seja atingido.
  No entanto, o mesmo Estado, dirigido hoje por muitos ex-sindicalistas, tem leis que permitem o aumento anual de planos de saúde, pedágios, luz, telefone, ônibus dentre tantos outros. Vemos ex-sindicalistas no papel de defesa do capital, seja estatal ou privado, em detrimento do trabalho assalariado, chegando mesmo a romper contratos com a classe trabalhadora, quando modificam leis previdenciárias e não enfrentam os banqueiros nacionais ou internacionais e cumprem os ditos contratos com esses. Diante disso, perguntamos: sindicatos para quê? Para fornecer o trampolim político aos sindicalistas que têm pretensões? Estamos cheios de tudo isso!
JOSÉ MARIO ANGELI e OMAR NETO FERNANDES BARROS são, respectivamente, professores dos departamentos de Filosofia e Geografia na Universidade Estadual de Londrina


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