E agora Brasil?

Valdemir Costa
  Permitam-me, assim como o presidente Lula, usar exemplos futebolísticos para externar meu modesto ponto de vista sobre nosso momento político. O sonho do hexa foi por água abaixo devido à falta de vontade e compromisso daqueles que representavam cerca de 180 milhões de torcedores apaixonados pelo futebol (infelizmente não temos a mesma paixão pela Pátria). Espero que a perda da Copa sirva de lição para nós, pois se no próximo pleito não formos apaixonados pelo País (como os jogadores da seleção) e elegermos os mesmos larápios e sanguessugas de sempre teremos outra decepção .
  Pelo andar da carruagem podemos antever outra decepção semelhante a 2002, quando conduzimos Lula à Presidência da República. Infelizmente, constatamos que o PT não tinha um plano de governo, pois nunca imaginou ascender ao poder. Nos 20 anos de sua existência, seus integrantes não definiram uma forma de governar. Pelo visto é mais fácil ser o estilingue do que vidraça, não? Foram quatro anos de letargia econômica, escândalos que parecem fazer parte da pauta governamental (CPIs do Mensalão, Correios, Bingos, das Ambulâncias, entre outras). Mas Lula não era tido como salvador da Pátria, o pai dos despossuídos (parece mais o pai dos banqueiros, os quais nunca angariaram tanto), o paladino da justiça e da ética? Assim como os Ronaldinhos, Roberto Carlos, Kaká, Zé Roberto e Cia. não eram tidos por nós como os grandes heróis da seleção que trariam o hexa?
  Em outubro teremos um novo pleito. Vamos deixar que outros novamente decidam nosso futuro ou vamos ‘‘arregaçar as mangas’’ e fazer diferente? Confiamos o hexa aos jogadores, no entanto, a arrogância e a individualidade não nos permitiu ganhar. Espero uma profunda reforma na seleção para a Copa da África do Sul, assim como devemos erradicar os ladrões da nação na próxima eleição. Se nos comportarmos nas urnas, como os jogadores brasileiros em campo, estaremos fritos. Daremos início a um novo festival de mentiras e escândalos, e o final todos sabem: acaba em pizza.
  Temos que ousar, fazer diferente, dar espaço para os que verdadeiramente queiram melhorar o Brasil. Pensemos nisso na hora de escolhermos o presidente, o governador, o senador, os deputados estaduais e federais. Faça sua parte conquistando mentes, espalhando pensamentos similares a este. O Brasil tem jeito, sim! Basta mudarmos de atitude.
VALDEMIR COSTA é jornalista em Londrina


Sexo, conexão com a espiritualidade

Walmor Macarini
  O sexo não é apenas um ato de prazer e de procriação, mas uma possibilidade de conexão com as esferas mais elevadas de consciência. Uma coisa foi muito ensinada e outra nunca o foi. A primeira, estribada em moralismo religioso, ensinou equivocadamente que o sexo é algo mundano, pecaminoso, a não ser que ocorra dentro do casamento. A outra, ignorada pela maioria quase absoluta da humanidade – porque de domínio de poucos – é que o sexo é um exercício de espiritualidade se conduzido nesse sentido.
  Uma relação sexual pode não ser apenas a união de corpos mas de espíritos. Há um poder vigoroso na sexualidade, que tem força equivalente a uma fervorosa prece e capaz de transportar a consciência para um plano multidimensional. É uma poderosa energia que se conecta com o Eu emocional, que de sua vez estabelece uma ponte direta com o Eu espiritual. O prazer no sexo está implícito, mas é um desperdício não utilizar essa relação para o crescimento espiritual por via da transfusão eletromagnética da essência qualificada de um parceiro para o outro, e vice-versa, e pela ascensão dessa força.
  Sexo é uma permuta de vibrações e converte-se num poder se neste sentido estiverem direcionados os sentimentos, como o de um momento de sagração e de comunhão com as refinadas energias que vibram incessantemente no cosmo. E especialmente se houver um forte laço de amor e propósito entre os parceiros. Se não, pode ser uma dispersão energética e um nocivo desgaste. Por amor, entenda-se não apenas o apego carnal, embora a atração física seja importante. Quando duas pessoas operam na mesma corrente, aí está o amor.
  Sexo tem conexão com as energias supradimensionais, que também compõem a identidade celular de cada indíviduo e acionam os sensores da espiritualidade. O poder emanado de uma relação sexual consciente, que não opere em baixa freqüência e não derive para a vulgaridade, pode ser canalizado inclusive para curas físicas, morais e espirituais, próprias ou de terceiros, porque alavancado por enorme força, que entra em consonância com as freqüências cósmicas de idêntica qualidade.
  Há muito de prática espiritual no sexo, que pode ser o despertamento da energia suprafísica que se manifesta também no corpo carnal. Sexo não é a sublimação do orgasmo, este apenas uma emoção passageira que põe um ponto final na salutar trajetória da relação. Esta pode ser constante se a explosão é contida e a energia vai se acumulando e se robustecendo pelo represamento. Nesse estado o êxtase mantém-se contínuo.
  Os iniciados tântricos visam no sexo a bem-aventurança, pela ascensão da força vital implícita nesse estado de meditação e celebração, que nessa condição vai acionando uma poderosa usina de força, capaz de abrir o caminho para inimagináveis níveis superiores de consciência.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina


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