ESPAÇO ABERTO
Estado x mundo do crime
Inacio Gomes da Silva
A cada dia que passa o crime desenvolve-se, organiza-se e aperfeiçoa-se de maneira assustadora. E o que é ainda pior: isso ocorre diante dos órgãos que possuem atribuições específicas para combatê-lo, como a segurança pública. O Estado preocupa-se muito com a elaboração de leis e regras para disciplinar a sociedade, o que é de fundamental importância para harmonia social. Caso contrário, o Estado corre o risco de perder o controle social. Mas o Estado mostra-se eminentemente burocrático e desorganizado.
Porém, quando se fala em mundo do crime não há que se falar em submissão à burocracia alguma e nem às exigências legais do Estado. A obediência do crime está limitada às suas próprias leis e organizações criminais.
A enorme burocracia que impera dentro do Estado facilita e torna as organizações criminosas mais eficientes. Então, o crime prospera e se desenvolve com mais rapidez que as instituições encarregadas de combatê-lo, uma vez que estas instituições só podem agir dentro da lei.
Sabe-se que a grande responsabilidade pesa mesmo sobre os que hoje governam nosso país. Cabe advertir ainda que combater as conseqüências é muito mais difícil que combater as causas. Momentos de terrorismo como este vivido recentemente nos presídios, requer de toda sociedade brasileira uma ação conjunta com nossos governantes no sentido de buscar soluções rápidas de caráter emergente no combate ao mundo do crime.
A longo prazo fica claro e óbvio a necessidade e obrigação do Estado criar condições para colocar nossas crianças nas escolas e prepará-las para o futuro e prevendo vagas de trabalho como forma de eliminar delinqüentes e marginais da sociedade. Para tanto, é necessário também que haja vontade, disposição e decisão política daqueles a quem nós confiamos nosso voto nas urnas. É preciso ainda que os recursos destinados à segurança pública e educação cumpram as finalidades a que se propõem. E, por fim, que prevaleçam acima de tudo os interesses coletivos e não os interesses políticos e pessoais dos nossos governantes.
INACIO GOMES DA SILVA é estudante de Direito na PUC em Londrina
União para salvar os hospitais do Paraná
Marcial Carlos Ribeiro Júnior
Afirmar que as instituições hospitalares brasileiras encontram-se atualmente em condições extremamente difíceis, sofrendo constantes ameaças, infelizmente já faz parte do nosso dia-a-dia. Mas esta dura realidade não pode servir de motivo para que nos acomodemos diante das dificuldades. Pois na hipótese de simples manutenção das atuais condições, a sobrevivência do setor está seriamente ameaçada.
Os serviços ofertados por uma instituição hospitalar estão necessariamente submetidos a um constante processo de atualização tecnológica de maneira a acompanhar a evolução dos meios diagnósticos e terapêuticos e a propiciar condições para um exercício profissional qualificado para médicos, enfermeiros e todos os demais profissionais da saúde. O próprio conceito de hospital está mudando, deixando de ser um local frio e impessoal, voltado unicamente para o tratamento das doenças, para se transformar um espaço altamente diferenciado, que também tem como foco os serviços de hotelaria, ofertando instalações confortáveis, alimentação diferenciada para pacientes e acompanhantes, voltando-se, acima de tudo, para o bem estar e o tratamento dos pacientes. E tudo isto com as dificuldades de se prestar um serviço de assistência ininterrupta e que conte com a mesma qualificação e eficiência 24 horas por dia!
Independentemente de qualquer condição externa, alguns pontos surgem espontaneamente como possíveis soluções para que tais objetivos sejam alcançados, existindo poucas dúvidas quanto ao fato de que nossos hospitais precisam urgentemente diminuir os custos decorrentes da própria ineficiência, qualificar e diferenciar serviços, criar uma representação política esclarecida, além de também aprender a vender melhor seus serviços e sua imagem. Para tanto será essencial que os hospitais utilizem sistemas de informação e de gerenciamento adequados, que propiciem condições para a correta composição de seus custos e administração de seus recursos, protegendo-os contra a inadimplência dos convênios e as imposições de alguns destes compradores, tanto do setor público como do privado, que não têm a mínima preocupação quanto aos reais custos inerentes à necessária diferenciação e qualificação destes serviços.
Objetivando alcançar este tipo de solução é que foi criada a Associação Paranaense de Instituições Hospitalares - APIH - que hoje congrega, em torno de esforços e missões comuns, instituições localizadas em Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá e Paranaguá, que totalizam aproximadamente 1,2 mil leitos hospitalares. Dentro desta visão é que a APIH atua na certeza que as soluções que os hospitais tanto procuram não serão obtidas de forma isolada, sendo a união e o associativismo as únicas alternativas disponíveis a permitirem o enfrentamento dos grandes desafios pelas quais passam atualmente (e que no futuro ainda vão passar) todas as instituições hospitalares.
MARCIAL CARLOS RIBEIRO JÚNIOR é presidente da Associação Paranaense de Instituições Hospitalares





