ESPAÇO ABERTO
Obesidade afeta vida sexual
Márcio Dantas de Menezes
Os padrões estéticos que vemos hoje defendidos pela mídia, direta ou indiretamente, e que acabam sendo condicionados ao nosso dia a dia são cruéis com as pessoas que não se enquadram no que se poderia chamar de padrão de beleza. Quem é alto demais, quem é baixo demais; quem tem o nariz grande; quem tem os seios pequenos ou então muito volumosos. Essas nuances que antigamente não eram motivo de preocupação para a maioria das pessoas hoje são vistas como um problema, mesmo que estejam longe de provocar algum malefício à saúde. As pessoas querem se enquadrar para ser aceitas pelos outros. Em alguns casos, porém, é preciso atenção. Um deles é o obeso. A obesidade, mais do que uma questão estética, traz problemas para a saúde física e mental.
Estudos epidemiológicos obtidos na última década apontam a obesidade como importante condição que predispõe à maior morbidade e mortalidade. O aumento do peso corporal vem sendo notado em praticamente todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento. No Brasil se registrou um aumento na prevalência de obesidade entre 1975 e 1997 que predominou na região Nordeste e nas faixas da população de menor poder aquisitivo.
Hoje a obesidade é considerada uma doença crônica que provoca ou acelera o desenvolvimento de várias outras doenças como as cardiovasculares e hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes, hipertrofia ventricular esquerda, conhecidos fatores de risco coronariano.
Além de todos os problemas já conhecidos há um outro que pouco se discute, mas que tem uma influência fundamental na vida destas pessoas: o sexo. De uma forma geral quem está muito acima do peso ideal tem dificuldades de se relacionar sexualmente com outra pessoa. A obesidade acentuada provoca a imobilização do ser. As pessoas passam a ter vergonha de se tocar, tem medo de olhar o próprio corpo no espelho. E o caminho para o relacionamento sexual saudável passa pela sedução. Se o homem ou a mulher estão insatisfeitos com o próprio corpo, não se sentem bonitos e atraentes, se a auto-estima está em baixa, evitam o contato com outras pessoas, reduzindo as chances de uma vida sexual positiva.
E é nesse momento que o grande obeso, sentindo-se inadequado, troca o prazer sexual pelo prazer da comida, agravando ainda mais o problema. Portanto, mais do que uma questão estética, é preciso que o obeso esteja consciente que a perda de peso é necessária para a vida saudável.
MÁRCIO DANTAS DE MENEZES é médico em Londrina e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Sexual
Abaixo as diferenças que afastam
Moacir Costa
Homens e mulheres têm muitas diferenças: na maneira de pensar, nas atitudes e, principalmente, na forma como encaram e praticam o sexo. Quem está casado há algum tempo, sabe muito bem como um simples cumprimento, na volta do trabalho pode ser tão diametralmente oposto. O marido é capaz de resumir sua jornada em duas ou três frases. Elas, porém, sentem necessidade de uma conversa mais elaborada, cheia de detalhes, colorida. Por isso, oferecem uma verdadeira dissertação à pergunta ''como foi o seu dia''?
Desde crianças, as mulheres gostam de saber das novidades, papeiam muito, contam segredos, umas para as outras. Os homens, ao contrário, geralmente são de poucas palavras e não conseguem compreender o gosto feminino pelo que costumam chamar de conversa afiada. Características tão opostas às vezes geram desentendimentos entre os casais, especialmente quando elas insistem em cobrar deles maior presença e participação. Elas também se ressentem muito de falta de carinho e atenção para com detalhes a a que dão grande importância, como datas marcantes: o aniversário de casamento ou do dia em que se conheceram. Para elas, é natural guardar na memória quando aconteceu o primeiro beijo, a primeira transa, o primeiro filme visto juntos, pois valorizam e cultivam os aspectos afetivos da relação.
Já os homens costumam se queixar de que as mulheres não se interessam por sexo tanto quanto que eles. Lamentam que elas raramente tomam a iniciativa de uma relação. Uma pesquisa realizada há algum tempo com 95 homens revelou que mais da metade deles - 65% - não se sentem sexualmente desejados, principalmente aqueles que passaram dos 40 anos. Acham que são valorizados como pais, cidadãos e profissionais, mas não como amantes.
Muitas mulheres têm fantasias e, claro, desejo sexual, mas realmente não procuram os seus parceiros, na expectativa de que eles façam o movimento. Isso é mais comuns entre as que estão acima dos 40 ou 50 anos de idade. São receptivas, na dança erótica, e quando bem estimuladas têm orgasmos múltiplos, mas costumam mostrar-se inibidas para manifestar suas preferências sexuais ou explicitar que estão a fim de uma transa naquele momento.
Algumas mulheres acreditam que os homens acima de 45 anos emocionalmente inseguros ou portadores de algumas doenças (hipertensão, diabete, câncer de próstata , etc) se mostram mais dispostos ao encontro íntimo depois do surgimento do Viagra há 8 anos e, mais recentemente. do Cialis, que garante o vigor sexual por até 36 horas, o amor dessa maneira pode ocorrer sem pressa, sem hora marcada. Esses medicamentos realmente melhoram o desempenho sexual, porém é necessário que haja estímulo da parte da mulher, de maneira que o casal se beneficia muito de seus efeitos. Sim, as diferenças entre homem e mulher podem ser superadas quando existe afeto e cuidado mútuo. Esse é um mundo de prazeres que vale a pena desvendar.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo





