Uma safra de incertezas

Vacir Favoreto
  O governo federal divulgou medidas adicionais ao Plano Agrícola de maio de 2006, em que se propôs a prorrogar as dívidas de investimento e custeio de entressafra dos produtores rurais do país por prazos e taxas de juros diferenciados por regiões, porém deixou o produtor rural frustrado, inseguro e cheio de incertezas. O agricultor espera que o governo cumpra o artigo 187, da Constituição Federal, criando medidas definitivas para o setor produtivo, que possam dar a garantia de que seu trabalho e investimento serão remunerados minimamente.
  As medidas inicialmente referidas foram provisórias e paliativas: prorrogação - apenas parcial - de débitos de custeios de entressafra e de investimentos. Por que prorrogação de apenas 55% dos saldos devedores de custeios para a região Sul e de 80% para o Centro-Oeste, se o Sul foi mais severamente castigado por fenômenos climáticos adversos? Por que 55% para a região Sul e 80% para a região Centro-Oeste se o aviltamento nos preços dos produtos agrícolas das duas regiões foi exatamente o mesmo? Ora, nossa região teve ainda uma queda de produção muito elevada na safra de grãos no verão - em torno de 35% - e atualmente a região Sul se vê severamente afetada por uma seca, que já causou aproximadamente 42% de redução na colheita da safrinha.
  Por isso, o produtor rural deverá sofrer ainda maior endividamento e sabe que terá um futuro fortemente adverso, se as autoridades não agirem rapidamente com medidas corretas e efetivas, tais como: a) prorrogação total de débitos de financiamentos agropecuários, notadamente de custeios de entressafra e de investimentos fixos e semifixos, por um prazo de 15 anos, com juros do crédito controlado, de 8,75% ao ano; b) adoção efetiva de política de preços mínimos, que remunere adequadamente o preço dos produtos agrícolas, especialmente na retração ou falta de mercado ou ainda houver diferença cambial, por via do conhecido EGF ou ainda o AGF, para formação de estoque regulador; c) elaboração de política agrícola séria e condizente com a vocação grandiosa da agropecuária brasileira.
  É imperativo que o governo se conscientize que deve baixar urgente e drasticamente a carga tributária sobre a agropecuária. Estamos pagando para colocar alimentos na mesa dos nossos irmãos brasileiros. É que o governo federal apregoa que concede crédito à agropecuária a 8,75% ao ano, mas não esclarece aos cidadãos que o faz em apenas parte do financiamento, já que a parte restante do crédito, necessária para fundação das lavouras e investimentos, é contratada pelos bancos normalmente a juros de recursos não-controlados, que em alguns casos superam a casa dos 15% ou 16% ao ano. Mesmo a totalidade do financiamento rural não atende à demanda geral de gastos do empreendimento, o que significa que o produtor rural tem de lançar mão de capital complementar de terceiros para viabilizar sua exploração. Plagiando o presidente Lula em sua recente viagem ao Paraná, podemos afirmar que nós produtores também exigimos respeito.
VACIR FAVORETO é produtor rural em Londrina e diretor de atividade agrícola da Sociedade Rural do Paraná


Harmonizar ego e essência

Walmor Macarini
  Todas as coisas aparentemente más que vieram acontecendo ao longo da história da humanidade têm sido oportunidades dadas aos seres terrenos para fazer o experimento em meio a esse campo de correntes antagônicas. Por isso essência e ego estão em constante confronto. Muitos dão a isto o nome de Deus e diabo. Trilhando pelo caminho do meio – como ensina o budismo – será possível conviver harmonicamente com as duas polaridades (espírito e matéria), que são as que compõem o indivíduo na fisicalidade.
  Não se deve maltratar o corpo e nem esquecer o espírito. Isto não significa ter uma religião e segui-la sistematicamente, mas admitir a presença do fluxo divino que emerge de dentro de cada ser. Existe, sim, a ajuda das elevadas estâncias de luz, mas é preciso abrir os portais do espírito, ou o domínio da personalidade o sufocará e assim o processo será mais demorado. Não se pode permitir que o ego assuma o comando.
  Será preciso apenas harmonizar-se com essas duas forças e manter o equilíbrio. Porque, se o espírito é prevalecente, o ser terreno é um corpo físico e há, da mesma forma, que dar-lhe atendimento. O sábio ensinamento milenar é que se deve viver no agora, sem preocupações com o futuro e nem aprisionar-se ao passado. Estes dois últimos estados são típicos dos domínios do ego e os causadores de muitas atribulações. O homem é que deve controlar as coisas e não que estas o controlem.
  Se gastamos inutilmente nosso tempo e persistimos no tropeço dos nossos passos, estamos também dificultando a ajuda dos servidores mais altos, que tudo fazem mas não podem interferir na nossa livre vontade. Encarnar na Terra é uma dádiva, e esta é uma oportunidade que não pode ser desperdiçada. Cada qual, em suas múltiplas vivências terrenas, tem missões a cumprir. Pessoas que ficam estagnadas seguindo dogmas ou apegadas ao texto literal de um livro que mal entendem, vão perdendo a faculdade de ouvir a voz de seu próprio Eu Maior.
  A recomendação é escutar a voz que lhe vem de dentro – e esta nunca falha – e manter-se no agora. A eternidade se sustenta no agora. É preciso meditar e irradiar energia qualificada, para elevar a consciência da humanidade. Significa também orar em favor dos denominados maus, para que estes também se ergam e cessem de robustecer correntes desagregadoras. É preciso espargir sentimentos puros, para que as transformações se operem neste planeta tão denso. As potências mais elevadas auxiliarão nessa tarefa, mas não se os habitantes da Terra nada fizerem para isso acontecer.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina


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