Sou brasileiro. E agora?
Antonio Lemes Guerra Junior

É isso o que muitos estão questionando há algum tempo. Todos tentam encontrar uma resposta que mostre qual a melhor maneira de se comportar, de agir, qual a melhor coisa a fazer para driblar as dificuldades dentro de um complexo sistema de crises, intrigas, mentiras e corrupção que hoje caracteriza nosso país. Problemas surgem de todos os lados e o que vemos, é o aumento do desespero de nossa população.
Sentimentos mistos de fracasso e impotência tomam conta de todos. O povo sente-se de mãos atadas. Rende-se sem antes lutar. Ataques constantes entre integrantes do poder nos confundem. Passamos a não saber mais em quem acreditar.
Estamos presenciando hoje em nosso país, a criação de uma rede gigantesca de corrupção, ou melhor dizendo, o aprimoramento e o fortalecimento dessa rede. Não devemos ser ingênuos e sim realistas. Esse esquema envolvendo políticos já existe há muito tempo. A diferença é que agora ele atingiu proporções enormes e que ultrapassam o limite aceitável - se é que esse termo pode ser utilizado, pois o que fazem é inadmissível.
Tudo é tão bem armado que fica quase impossível de ser descoberto. Muitos dos casos nunca chegam ao conhecimento de todos, a não ser quando um dos integrantes do esquema se mostra insatisfeito e acaba por ‘‘dar com a língua nos dentes’’, revelando toda a verdade ou apenas parte dela. Não sei se isso é bom, pois dá início a um longo período de incertezas, como este em que estamos vivendo após as inúmeras denúncias do ‘‘mensalão’’, cujo fantasma nos assombra até hoje.
A imagem do país - se é que ainda existe alguma a ser zelada - fica exposta às críticas internacionais. É um prato cheio para aqueles que querem ver de vez o nosso fim. Resta a nós tomarmos vergonha na cara - vamos assim dizer - pois reclamar, somente, não leva à solução de nenhum problema. Aliás, essa é uma característica marcante do brasileiro: cobrar e nada fazer. Não é a primeira vez que o país enfrenta esse tipo de crise e também não vai ser a última.
A esperança de ver o Brasil fora da lama deve nascer em todos. Somos brasileiros sim e agora vamos torcer para que todos tenham orgulho disso e encontre dentro de si mesmo a resposta a esta questão. Devemos mostrar nas urnas que somos fortes e que juntos podemos mudar o rumo de nossa história.
ANTONIO LEMES GUERRA JUNIOR é estudante de Letras na Universidade Estadual de Londrina





O excitante jogo da sedução
Moacir Costa

A necessidade de sexo é uma força tão poderosa no ser humano, quanto a de respirar e de comer. Faz parte, portanto, do kit básico de sobrevivência. A diferença é que, no caso do sexo, não é nada fácil encontrar satisfação. O jogo, extremamente complicado, começa pela procura e escolha de um parceiro e prossegue cheio de rituais. É aí que a arte da sedução entra em campo. Seu objetivo final: fazer sexo com o parceiro escolhido. Envolve, mais que uma meta, todo um movimento afetivo e que será tão mais gratificante quanto maior o envolvimento.
Entre os animais irracionais também é assim, mas existem códigos muito claros. Entre os seres humanos, porém, esse é um universo de variáveis infinitas. Sem referências exatas. Quando o alvo já está definido, trata-se de atrair o seu interesse, em caso de sucesso manter o clima de atração, sugerir a idéia de ampliar a intimidade e despertar nessa pessoa o desejo de fazer amor.
As maneiras de atrair um parceiro sexual têm muito a dizer sobre as pessoas. Para uns, a fase mais excitante é a caça e não a conquista, pois isso prolongar ao máximo o cerimonial do cerco. Estas pessoas costumam ser autoconfiantes, o que aumenta suas chances de êxito. Outros, por se considerar pouco atraentes, encontram dificuldades maiores. Têm de acrescentar ao todo um passo a mais, na verdade um pré-requisito: acreditar em si, para depois persuadir alguém a se interessar por eles. O grande complicador é que cada um de nós costuma usar uma tabela secreta para medir a intensidade dos atrativos sexuais, e vai atribuindo uma pontuação de acordo com essa base.
Inconscientemente, a maioria procura parceiros de pontuação idêntica à sua: ele gosta, eu gosto. Os relacionamentos baseados neste tipo de combinação tendem a ser mais bem-sucedidos com maiores chances de estabilidade. Por uma simples questão de identidade, o que sugere menor margem de conflitos.
Mas como saber se o objeto do desejo está interessado e disponível? O primeiro passo para descobrir é a atenção concentrada nos sinais que se pode ter a partir de uma cuidadosa leitura da linguagem corporal. O gestual, as atitudes oferecem mensagens inconscientes ou não-verbais muito instrutivas. A linguagem corporal pode ser traduzida por duas posturas básicas: a aberta e a fechada. Neste último caso, a mais comum é a de alguém com os braços cruzados, indicando a presença de uma barreira a aproximações e conversas. A idéia é fixar um limite, manter as pessoas à distância. A aberta, ao contrário, tem como objetivo mostrar-se disponível para o outro: se está de pé, vai colocar a mão sobre os quadris; caso fique sentada, certamente apoiará bem as costas, descansando um dos braços sobre o espaldar da cadeira.
À medida que a aproximação evolui, o radar deve permanecer antenado aos sinais de rejeição ou de aceitação. A sedução é uma dança e uma contradança, com surpresas que exatamente fazem desse um movimento cada vez mais excitante. Tanto melhor se aos poucos se transforma também em amor. Mas nenhum contra a que se limite ao sexo, algo que, felizmente, a maioria das pessoas gosta muito de fazer. E esse é também um fator decisivo para o sucesso.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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