Não vote nulo

Osvaldo Cardoso Ribeiro
  Prestem atenção neste detalhe: saibam que anulando o voto estarão sendo anulados os princípios democráticos. A cambada medíocre dos políticos, com algumas raras exceções, caso haja o voto nulo, continuará mais tempo no poder. Não vote nulo. Faça uma análise criteriosa do candidato, o que ele fez de certo e se politicamente agiu errado, dê-lhe cartão vermelho. Mande-o pra casa. Está difícil de agüentar a inoperância de muitos líderes políticos. Ficam o tempo todo pensando em eleições e esquecem de tudo. Fora com eles!
  Temos que ter uma santa paciência e não sair por aí gritando de insatisfação pela situação lamentável que a nossa cidade e o país vivem. Cadê as obras deslumbrantes prometidas? Com o dinheiro que pagamos impostos se o administrador for detalhista e estritamente honesto e deixar seu gabinete e todos os dias bem cedinho ir aos canteiros de obras, apenas dar uma olhada mineira, certamente a obra sairá rápida e mais barata. O governante moderno tem que ser itinerante.
  Porém, não percamos as esperanças embora tenhamos de volta, com a maior cara- de-pau pedindo seu voto, uma corja de raposas da política que só atrapalharam o desenvolvimento social e muitas demonstraram ser desonestas e corruptas. Querem continuar no poder para quê? Esquentar cadeira o dia todo lendo jornal e tomando cafezinho?
  Políticos sem escrúpulos existiram em todos os tempos e regimes é uma mediocracia: tolerância à cumplicidade. Temos que dar um basta nisto. Busquemos os bons políticos como agulhas no palheiro e vamos colocá-los no governo.
  Vejam que ironia, a absurda legislação eleitoral permite e os suspeitos políticos estão despreocupados, acham que não erraram e, apesar de tanta coisa não clareada, querem voltar ao poder. E é uma pena que os menos esclarecidos acham que corrupção não é nada não e voltam a elegê-los com expressivo número de votos.
  Não podemos filosoficamente ter pensamentos que vão e voltam, avançam e retrocedem, conforme sopra o vento das palavras de quem exprime sobre o que é certo ou errado. Se ele não presta, diga não! O caminho certo é que tenhamos consciência e sabedoria de escolher o que há de melhor na vitrine eleitoral. E que nas eleições que se aproximam, façamos uma boa escolha não ficando em cima do muro, pois se anularmos o voto estaremos concordando e achando que tudo está certo.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é professor e jornalista em Londrina


Questões londrinenses

Delcio Torres Amorim Jr.
  O jornalista tem a nobre e fundamental missão de informar, ajudar a formar opiniões, estimular a discussão e reflexão sobre os vários assuntos que envolvem a comunidade. Quem nunca na vida pensou em ‘‘ser jornalista’’? Entretanto, em Londrina, uma cidade com tantas questões a se debater, a imprensa ainda se ocupa de discussões menores e marginais. Vejamos: durante semanas discutiu-se o episódio da ‘‘festa na república’’ que tirou da cama, em plena madrugada, autoridades importantes. A grande discussão da cidade: estudantes contra os ‘‘provincianos’’, e munícipes contra os ‘‘baderneiros’’ (não penso em ‘‘provincianos’’ ou ‘‘baderneiros’’, mas em conflitos de interesses). As autoridades até sugerem ‘‘leis’’ para regulamentar as festas em repúblicas. Mais leis para ‘‘não pegar’’!
  Londrina é uma cidade universitária e os estudantes são importantes em sua economia, bem como Londrina é importante para os estudantes. Mais do que enveredar por um bate-boca sem fim e sem resultados práticos, a discussão deveria ser: o que o poder público e a cidade devem fazer para receber bem os estudantes e o que os estudantes devem fazer para viver bem com a cidade que os recebe?
  Outro fato que se arrastou foi a reação do governador Roberto Requião ao convite feito pelo presidente do Conselho Municipal de Segurança. O governador realmente conseguiu sucesso em sua tática maquiavélica de confundir seus inimigos quando não se pode vencê-los: colocou a sociedade a discutir uma questão marginal, provocando um ‘‘racha’’ entre londrinenses e desviando a atenção e discussão do foco principal que é o descaso com que o Palácio do Iguaçu trata a cidade e o interior do Estado, o abandono de nossa cidade pelos políticos!
  Tenho orgulho de ser londrinense (adotei esta cidade aos oito anos de idade) e imensa tristeza pelo que fazem (ou deixam de fazer) a ela. Há quantos anos ouvimos falar de teatro municipal, de região metropolitana, de ILS no aeroporto, de porto seco - que perdemos para Maringá -, pólo tecnológico, da nova sede da Justiça do Trabalho e agora desta integração dos municípios da região? Gostaria de ver a imprensa discutindo questões mais profundas, cobrar diuturnamente do poder público projetos sérios, viáveis e que saiam do papel, de geração de emprego, empregabilidade e massa salarial (cadê o Wall-Mart?), de desenvolvimento municipal, de agroindustrialização, de segurança pública (por que ‘‘não’’ à guarda municipal?), do completo abandono do anfiteatro do Zerão, a presença de prefeito (onde está Wally?) prestando contas e satisfações à população que o elegeu (e aos que não votaram nele também), pelo Legislativo não atrelado ao ‘‘Palácio do Lago’’, etc.
  Londrina perdeu mais de cem postos de trabalho em março, enquanto no Paraná foram gerados cerca de vinte mil! Onde estão as discussões sobre este fato? Gostaria de ver a imprensa discutindo a resolução dos importantes temas da cidade, impedindo que as estratégias de confusão e dissimulação alcancem seus objetivos com a discussão do ‘‘sexo dos anjos’’ ou se ‘‘quem nasceu primeiro foi o ovo ou a galinha’’.
DELCIO TORRES AMORIM JR. é médico e engenheiro agrônomo em Londrina


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup