ESPAÇO ABERTO
A campanha dos caciques
Gaudêncio Torquato
As restrições às formas de divulgação eleitoral contribuirão para tornar a campanha deste ano uma das mais corrompidas de nossa História. A minirreforma eleitoral abriga as duas modalidades do nosso sistema: a majoritária, para a Presidência da República, governos estaduais e Senado; e a proporcional, para a Câmara dos Deputados e as Assembléias Legislativas. Pelo número restrito de candidatos, o pleito majoritário assume grande visibilidade, propiciando aos contendores ampla exposição pública. A campanha proporcional, dada a quantidade de candidatos a deputado estadual e federal, restringe a aparição dos participantes - não mais que rápidos segundos nos 45 dias de mídia eleitoral. A defasagem entre as duas campanhas tem sido atenuada por produtos de caráter publicitário de que dispunham candidatos proporcionais para se comunicar com o eleitor - propaganda via outdoors, camisetas e bonés -, hoje proibidos.
A intenção da nova lei é a de moralizar padrões eleitorais. Não conseguirá. Expliquemos. O Poder Legislativo é composto por três grandes categorias de parlamentares: caciques, operadores e legisladores. Os primeiros exercem poder de mando sobre bancadas e se postam nas cúpulas partidárias; os segundos encarnam o mandato como propriedade e a política como profissão, não como missão, fazendo o jogo dos chefes e formando massa de manobra nas votações; os terceiros constituem o grupo legislador, em geral composto por especialistas, que se empenham nas comissões técnicas para defender projetos de interesse do País, a partir da defesa de causas de grupos organizados. Os caciques, que dão o tom geral da orquestra, somam em torno de 15%; os operadores, que fazem negócios, alcançam 50% dos 513 deputados; e os chamados parlamentares de opinião ficam em torno de 35%.
O último grupo, de perfil mais consciente e comprometido com as demandas sociais, enfrentará grandes dificuldades para se eleger. A ajuda tradicional de patrocinadores vem geralmente na forma de instrumentos para propagar seu trabalho. Agora vê-se tolhido pela nova Lei Eleitoral, inspirada na meta de moralização da campanha. Não contando mais com as formas que usavam - outdoors, camisetas, bonés - e lhes permitiam estabelecer ligação com o eleitor, terão seus colégios invadidos por candidatos do segundo grupo, que dispõem de polpudas reservas. São estes, sem dúvida, os mais beneficiados pela nova disposição. Os caciques continuarão a usar as máquinas partidárias, dispondo sobre a visibilidade nos programas eleitorais. Eles e os operadores, que controlam, não terão dificuldade para cooptar apoios à moda antiga. No périplo que já se inicia em alguns estados, começam a atrair para os currais a banda A (prefeitos, vereadores e lideranças ativas) e grupos da banda B (ex-prefeitos e oposicionistas). A fome encontra-se com a vontade de comer. Essa é a radiografia da composição parlamentar que se esconderá por baixo do tapete, escapando das proibições.
E a fiscalização? A Justiça Eleitoral é leniente, os juízes não falam a mesma língua e a lupa é embaçada pela sujeira de conveniências e interpretações dúbias. A legislação proíbe ao candidato fazer doação em dinheiro, além de troféus e prêmios de quaisquer espécies. Quem duvida que a norma cairá no cemitério das letras mortas? Dedução à vista: a tão ansiada renovação do Parlamento não ultrapassará a histórica margem dos 2/3.
GAUDÊNCIO TORQUATO é jornalista, professor da Universidade de São Paulo e consultor político em São Paulo
A polêmica da tarefa escolar
Renan Boldori Santos
Pais e seus questionamentos de um lado, professores apreensivos do outro, alunos perdidos no meio da corda. A tarefa escolar é uma das questões mais polêmicas do meio escolar, quando na verdade pode ser considerada como um instrumento fundamental dentro dos parâmetros que norteiam o processo ensino-aprendizagem.
Além se constituir numa maneira eficaz de prática de assimilar os temas debatidos em aula, serve também como método de complemento dos conteúdos trabalhados durante a aula, de forma que neste caso o aluno passa a se inserir num processo contínuo, tanto na escola como também em sua casa.
Extremamente necessária para o desenvolvimento cognitivo do educando, a tarefa escolar deve ser acima de tudo, desafiadora, no sentido de que se possa estimular o interesse e motivação na busca do saber, em se aprofundar sobre os conceitos estabelecidos durante as aulas.
Ainda existe na sociedade uma enorme carência de busca pelo conhecimento, tal qual como o filosofo alemão Immanuel Kant chama de saída da menoridade para o auto-esclarecimento.
Seria interessante que os professores estivessem preparando as tarefas escolares sempre levando em consideração a culminância dos conteúdos ministrados, de forma que o fator interdisciplinar seja tratado como prioridade. Eles podem ainda elaborar as tarefas interdisciplinares durante a semana de planejamento e demais encontros realizados na escola. Aliás, esse é um aspecto de suma importância para que os mesmos sintam-se parceiros da instituição em que trabalham, e não escravos das mesmas.
Os educadores do século XXI agindo com prudência, conhecimento e bom senso não iriam arriscar sobrecarregar os alunos com deveres de pouca relevância, ao mesmo tempo, priorizando uma quantidade ideal de tarefas para temas mais significativos.
RENAN BOLDORI SANTOS é geógrafo, especialista em Filosofia política e jurídica e educador na rede particular de ensino em Londrina
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