ESPAÇO ABERTO
Lei do cão-guia: importância e dificuldades
José Giuliangeli de Castro
A lei que assegura ao portador de deficiência visual o direito de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia, lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005, que está sendo regulamentada, favorecerá em muito a vida das pessoas deficientes visuais permitindo a elas segurança, autonomia e fortalecimento da sua auto-estima pelo simples fato de estarem livres ao lado de um cão especial adestrado inclusive para proteger o seu dono.
Porém, a aquisição deste animal é bastante custosa para o deficiente. Em primeiro lugar porque são poucos os centros de treinamento no mundo, e também o cão deve ser treinado com as características da personalidade do dono demandando um bom tempo para esta adaptação. Em segundo lugar, após seu treinamento e aquisição, sua manutenção é dispendiosa e, com as barreiras arquitetônicas existentes na sociedade brasileira, pode ocorrer a não-adaptação do cão.
Imaginem uma situação: o deficiente visual, cego, entrar em um ônibus lotado em que ele está espremido entre os passageiros e o motorista, e ele ter que se abraçar com o cão no canto, ou então, você ficar parado num ponto de ônibus esperando por duas horas um ônibus vazio para se deslocar ao trabalho e passar da hora de alimentá-lo, ou ainda os ônibus todos estarem cheios e você para não perder o seu trabalho deixá-lo amarrado na rodoviária ou entregá-lo na lanchonete para que eles cuidem dele por algumas horas.
No último dia 20, fez 13 anos que fiquei cego. Adaptei-me com a bengala e com a ajuda de meus semelhantes. Ando por Rolândia, Cambé, Londrina, Ibiporã, Arapongas e se necessário até São Paulo. Por isso, acredito que a sociedade gerenciada por nossos governantes precisa melhorar um ''bocadinho''.
Somente para concluir, lembrando o episódio da minha viagem a Arapongas de trem quando tive que pular o trem pela não-existência de uma passarela, seria bem complicado carregar um cão labrador entre os vagões. Talvez se fosse um pincher zero, eu o colocaria no meu bolso.
Portanto, entendo que nós precisamos de mais estrutura urbanística e social para garantir o direito do deficiente visual, seja com um cão, com uma bengala ou com um guia-vidente.
JOSÉ GIULIANGELI DE CASTRO é fisioterapeuta e deficiente visual em Rolândia
A viagem do prazer
Moacir Costa
A busca do prazer, na sociedade ocidental, muitas vezes acontece em circunstâncias contaminadas de preocupação e ansiedade, de maneira a levar justamente ao contrário, a uma satisfação pouco intensa e, por isso mesmo, geradora de inquietude ou até frustração. Temos muito que aprender com os orientais, que vivem de uma maneira totalmente diferente da nossa, inclusive no que se refere a esse aspecto, o das relações íntimas.
Entre esses fundamentais ensinamentos, está o sexo tântrico, doutrina milenar, pode levar o casal a um nível elevado de vibrações sensuais. Acontece que o foco não está no desempenho, como é mais comum entre nós, e sim no prolongamento de sensações obtidas através de toques sutis por todo o corpo. O processo de excitação deve ser realizado de forma lenta, sem nenhuma pressa. E, sobretudo, em total isolamento quanto a estímulos externos. Significa, portanto, que o casal passará horas em mútua disposição, contemplando-se, na mútua e (no mínimo) interessante busca de conhecimento. Em completa intimidade.
A atmosfera e o clima devem ser aconchegantes. Recomenda-se um ambiente de pouca luz e temperatura agradável, sem objetos que possam desviar a atenção um do outro. Claro: sem televisão e telefone, sobretudo celular. Preparar esse ambiente é algo que pode (e até deve) ser feito por ambos, para que ali concentrem elementos de seu gosto, desde a decoração até os complementos: flores, velas acesas, incenso. Os cheiros são fundamentais. Alguns, como o de jasmim e o de almíscar, estimulam a própria sexualidade. É preciso que sejam agradáveis para ambos.
Quando já está ali, nesse espaço protegido, o casal já está pronto para um segundo passo: a excitação pelo olhar. Uma posição interessante para esse prelúdio é a de lótus, ou seja, sentar-se com as pernas flexionadas, os pés tocando as coxas opostas. Nenhum gesto de aproximação, porém. Apenas os olhos fixos, um no outro. Dentro de pouco tempo, essa concentração cria um estado de bem-estar e envolvimento profundo. Devagar, mover-se em direção ao outro, acariciando lentamente cada parte de seu corpo, sem avançar para as mais íntimas - genitais e seios. Demorar-se na superfície da pele, que é um universo de possibilidades. Será uma grande surpresa perceber quanto podem ser ampliadas as áreas erógenas.
Os toques nessas regiões normalmente inexploradas produzem sensações muito gostosas. Podem, inclusive, ajudar bastante os homens ansiosos, que se queixam de descontrole ejaculatório. O vagaroso processo de tocar e ser tocado é um tranquilizante, portanto redutor de ansiedade. Reduz sensível e naturalmente preocupações e receios, se ambos estão realmente dispostos a entregar-se a novas descobertas. A excitação sexual deve ser conduzida com muita sensibilidade, entre aceleração e redução do ritmo, de maneira que se experimente estágios intermediários. O jogo lúdico-erótico aumenta a tensão sexual, enquanto a ausência de pressa faz com que cada um tenha controle sobre sua excitação, evitando o gozo. Ouse esta variante. Procure conhecer mais detalhes a respeito.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo





