ESPAÇO ABERTO
A arte da política
Michel Machado
A Folha de Londrina trouxe em reportagem, no último dia 11, a relação com os candidatos a deputados federais e estaduais. Explicitou o que o povo poderá deparar-se a partir de julho. Lamentavelmente existe uma forte tendência ao continuísmo. A reportagem também expõe que mais ou menos 60% dos candidatos disputarão eleições pela primeira vez. Após as convenções partidárias, estes nomes serão revelados ao povo e quem desejar poderá anotar estes nomes e verificar após a eleição quantos candidatos deste percentual se elegeram.
No Brasil não é necessário ser vidente para fazer previsões no que se diz respeito às eleições. O regime político atual favorece a reeleição. Dificilmente um candidato no poder deixará o seu cargo. São raras as exceções. Voltemos dois anos na história: a câmara de Vereadores de Londrina foi renovada em 1/3, um número considerável, mas se analisarmos os 12 nomes que lá permaneceram, o número de mandatos que possuem, as trocas de partidos ocorridas após as eleições, chegaremos à conclusão de que a mudança não foi significativa.
O que fazer? Reeleger um candidato ou optar pelo novo? Esta dúvida é cruel. As pesquisas comprovam tal afirmativa. A população acredita que independente do candidato eleito sua vida não mudará, então, tal desesperança favorece o assistencialismo. Infelizmente, grande parcela da população conduz o voto a um favorecimento individual. Projetos como distribuição de leite, bolsa família e aquelas velhas conhecidas cestas básicas em época de campanha fazem a diferença.
A referida reportagem da Folha também trouxe a informação que entre os postulantes a uma cadeira na Assembléia Legislativa e Câmara Federal, existem empresários, médicos, líderes comunitários, etc., se for perguntado a estes o porquê pretendem ser candidatos, acredito que a maioria responderá: ''Porque a política necessita de homens de bem'', ''porque quero lutar pela geração de empregos'', ''o povo quer gente nova na política''. A resposta será a mesma, mais importante do que dizer o que fazer é dizer como fazer.
Para Platão, o primeiro e fundamental problema da política é que todos os homens acreditam-se capacitados para exercê-la. O que parece um grave equívoco, pois ela resulta de uma arte muito especial. Esta arte, à qual Platão se refere, é arte de saber conduzir os homens que seria a política propriamente dita, superior a todas as outras.
Infelizmente, a política carece de líderes, pessoas capazes de tomar para si a responsabilidade e realmente fazer o que o povo necessita. Capacitar o povo é essencial. Um verdadeiro líder é aquele que consegue comandar pessoas mais capazes do que ele próprio. Comandar um povo que não tem acesso à escola, à moradia decente, à saúde, que sobrevive com R$ 120 por mês e cujo único sonho é ter um prato de comida na mesa para alimentar os filhos, isto é fácil.
MICHEL MACHADO é economista em Londrina
Um flash sombrio
Gilmar Mendes Lourenço
Em pleno ambiente de festejos alusivos à Copa do Mundo de futebol, o Estado do Paraná recebeu uma péssima, embora esperada, notícia: o desempenho negativo de seu parque industrial no primeiro quadrimestre de 2006, na contramão da recuperação da indústria brasileira, conforme pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mais que isso, o flash sombrio acusado pela indústria paranaense traduziu o pior desempenho entre os treze estados pesquisados pelo IBGE, corroborando uma trajetória de pronunciada desaceleração, esboçada desde o começo do segundo semestre do ano passado. De fato, o volume físico produzido pela indústria estadual declinou 5,7% entre janeiro e abril de 2006, em comparação com idêntico intervalo de 2005, contra expansão de 2,9% constatada pela indústria brasileira.
A nítida inversão da curva de crescimento industrial do Paraná está diretamente associada ao entrelaçamento de alguns fatores negativos, sintetizados na queda de rendimento físico e financeiro do agronegócio, nos efeitos da persistência do viés monetarista na gestão macroeconômica do país, e em decisões pontuais de empresas estratégicas sediadas no Estado, motivadas por fatores políticos ou por injunções macroeconômicas.
Como exemplo de revisão de planos originada por aspectos políticos aparece a transferência da linha do automóvel Fox Europa da Volkswagen, de São José dos Pinhais (Paraná) para São Bernardo do Campo (São Paulo), verificada no segundo semestre de 2005, em atendimento à programação da companhia determinada por pressões e/ou negociações de natureza sindical.
Já como alteração de posturas empresariais derivadas de constrangimentos econômicos emerge a desistência de operação no mercado externo do grupo Frimesa, o maior laticínio do Estado, com sede em Medianeira (Oeste), e da Confepar, união de cooperativas agropecuárias do Norte do Estado, em decorrência da queda de rentabilidade provocada pelo câmbio. Lembre-se de que, as referidas empresas investiram R$ 5 milhões e R$ 18 milhões, respectivamente, para atendimento da demanda externa de derivados lácteos, particularmente de leite em pó.
GILMAR MENDES LOURENÇO é coordenador de Economia da UniFAE (Centro Universitário) em Curitiba





