Direita, esquerda, volver!

José Antonio Lucchesi
  Já me abestalhando de tanta leitura sobre filosofia política, política social, regimes políticos e outras tantas leituras, acabei por me convencer de que quanto ganham tantos escrevendo besteiras, enganando o pequeno público leitor, ora defendendo a ‘‘esquerda’’ (estes são os mais vorazes), outros de forma débil e sem coragem defendendo a ‘‘direita’’.
  Já me julguei de esquerda um dia, tal qual muito de nós, durante a ditadura, época da então odiada censura e da perseguição política. Mas voltemos ao assunto principal: o que é esquerda e o que é direita? Esquerda seriam os comunistas, os terroristas, os seqüestradores, os assaltantes de bancos, os sabotadores do passado? E a chamada direita, seriam os militares que no comando da Nação abafavam a onda do terror que tentava impor o terrorismo da chamada esquerda?
  Ocorreram excessos na ocasião? Evidetente que sim. Militares ‘‘da direita’’ na ânsia de defender a pátria, tal qual agora policiais se defendendo e defendendo o povo contra os bandidos do PCC, podem ter cometido excessos na própria defesa, mas pior faziam os terroristas da esquerda que, tal qual como fizeram os bandidos do PCC, aterrorizavam inocentes. Se então houve excesso da direita foi por que a esquerda agia dentro de legalidade? Seqüestravam, assaltavam bancos, ameaçavam escolas com bombas (lembram dos coquetéis Molotov em ônibus escolar?) E quantos jovens recrutas e até graduados do exército foram torturados e mortos pelos terroristas? Hoje, os bandidos de ontem recebem até gordas aposentadorias, mas e as viúvas e os soldados torturados pelos comunas? A eles nada resta a não ser uma história a contar. A maioria dos assaltantes de bancos, dos seqüestradores e sabotadores hoje recebem mensalmente um grosso salário que é pago por nós que sempre vivemos de forma ordeira (é realmente devem ser tachados como esquerda).
  Então vejamos: o critério de análise não se traduz para um lado ou outro (esquerda ou direita) e sim de uma análise objetiva. O que deseja um grupo e o que deseja o outro? Aí caímos numa estrada bifurcada: seguir pela esquerda, direita ou pela rua central? Tal qual num beco sem saída, não vemos nenhum hábil morador do local a nos apontar o rumo de nosso melhor caminho ou desejado destino.
  Dizia já o velho mestre ‘‘in médiuns virtus’’ (no meio a virtude), porém nesse falido Brasil onde se buscar a virtude ou a verdade? Apenas sabemos onde está a mentira porque esta já se instalou e se declarou. É hora de se dar um basta em esquerda e direita (êta coisinha de cultura pobre!). Basta elegermos homens dos quais saibamos os interesses de seus grupos. Se realmente querem governar para o povo e não populescamente ou se querem governar para reinar. Se direita é a favor do governo e esquerda é contra, sem dúvida nenhuma continuo na esquerda.
JOSÉ ANTONIO LUCCHESI é delegado de polícia de 2ªclasse em Marilândia do Sul


Diga não ao voto nulo

Paulo Muniz
  A cada dia aumenta o número de apelos pelo voto nulo. A corrupção, o mensalão, as notícias de dólar na cueca, os sanguessugas da saúde, tudo isso leva o eleitor brasileiro a ficar descrente. Mas a maioria das pessoas que fala em votar nulo não tem consciência de que está trabalhando a favor dos que se locupletam do País.
  São grupos de políticos desonestos que promovem este tipo de campanha e que sempre se elegeram através de meios escusos de compra de votos, sem nenhum compromisso com a administração pública.
  Esses políticos desonestos sabem que quanto maior o número de votos nulos menor será o quociente eleitoral. Isso quer dizer que eles precisarão de menos votos para se eleger. Não adianta achar que votando nulo a eleição será anulada. Não é verdade, só vai favorecer os atuais desonestos.
  Enquanto isso, os candidatos sérios e íntegros que se defrontam com obstáculos e dificuldades para convencer o eleitor através da palavra, da troca de idéias, da discussão aberta e democrática, vêem suas chances ficarem mais longe porque não podem lutar contra o abuso do poder econômico.
  A campanha do voto nulo se dirige à classe média, ao meio estudantil, àqueles que têm o voto independente, porém sem militância política para enxergar que estão sendo enganados.
  Nas classes mais baixas eles preferem dominar com o dinheiro, comprando o voto. Tiram o voto consciente com a campanha do nulo, e garantem o voto inconsciente com a oferta de melhorias ocasionais. Isso quer dizer que eles vão se elegendo sempre à custa da omissão do eleitorado brasileiro.
  O voto nulo só favorece a manutenção do atual sistema. Os políticos corruptos têm mais chances. Por isso, é preciso escolher, não ter medo de errar. Somente através do voto consciente é possível mudar o País. Tem hora que a gente não vê saída. Mas não podemos colocar todos no mesmo saco. Tem candidato bom, honesto, trabalhador. É preciso avaliar o passado de cada um, ver quem realmente atua de maneira digna, sincera e tem projetos para melhorar a nossa vida.
  É lógico que muitas vezes erramos, mas somente através dos erros aprendemos alguma coisa, evoluímos. O importante é votarmos com boa intenção, escolhermos com critério, não ir atrás de palavras bonitas, procurar se informar, ler jornais, revistas, conversar com pessoas mais esclarecidas.
  O Congresso Nacional, as Assembléias Legislativas e as Câmaras de Vereadores são o espelho da sociedade, que, por conseguinte os elegeram. Para mudar este estado de coisas que vivem nossas casas legislativas, a mudança tem que obrigatoriamente começar por todos nós.
  Tenhamos consciência, sejamos criteriosos. Vamos escolher um candidato digno, íntegro e honesto. Digamos não ao voto nulo e teremos uma Assembléia Legislativa, um Congresso Nacional e uma Câmara de Vereadores com o perfil que todos almejamos ou pelo menos melhor do que o atual.
PAULO MUNIZ é empresário em Londrina


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