ESPAÇO ABERTO
Questões de fato e ficção
Renata Shizue Okubo e Ermógenes Jacinto Jr.
Richard Feynman, famoso físico, causou espanto ao dizer na reunião da American Physical Society de 1959 que, no futuro, seria possível armazenar toda a informação contida em 24 volumes da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete. A distribuidora Hanna & Barbera criou Os Jetsons, que se alimentavam de comida gerada numa máquina que as faziam surgir do nada. As Meninas Superpoderosas já lutaram com robozinhos que atacavam a cidade, capacitados a se multiplicar e criar novos engenhos a partir de um ou dois robôs originários.
Todas estas idéias parecem destinar-se a um simples enredo de alguma obra de ficção, ou a alguma conversa descompromissada, fiada mesmo. Mas vamos falar sobre algumas pesquisas, antes de mantermos esta primeira impressão.
Para começar, cientistas de três grandes institutos de pesquisa - Escola Médica de Harvard, Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Instituto Gwangju de Ciência e Tecnologia na Korea - desenvolveram partículas usando PLGA (um tipo de ácido) para envolver medicamentos e conduzi-los diretamente às células doentes - ou seja, não destróem nem prejudicam células saudáveis. Isto tem impacto principalmente sobre os tratamentos quimioterapêuticos usados no tratamento de câncer.
Em um outro instituto - Universidade de Groningen, na Holanda - criaram um carro movido à energia elétrica do tamanho de uma cadeia de DNA. Qual a utilidade de um carro tão pequeno? Prova, na prática, que é possível criar mecanismos em escalas minúsculas e, portanto, que há possibilidade de criação de computadores microscópicos para usos variados - em eletrodomésticos, em edificações, em fábricas, em robôs que possam explorar e curar o corpo humano, e outras infinitas aplicações.
Há ainda muito mais informação sobre este campo de estudo que vem se desenvolvendo, inclusive no Brasil: a nanotecnologia. Passaríamos dias aqui enumerando todas as novidades, descobertas, falando de possíveis aplicações desta pequena ciência - que trabalha com medidas de cerca de milionésimo de milímetro. A nanotecnologia ainda está na fase do descobrimento da sua capacidade, ou da previsão do comportamento daquilo que manipula. As idéias e as possibilidades que surgem todos os dias sobre esta ciência podem até flertar com a ficção falada no começo deste artigo, no entanto esse interesse e toda essa pesquisa em laboratórios respeitados na comunidade científica mostram que o mundo nanométrico já é parte da realidade, e promete um futuro próspero.
RENATA SHIZUE OKUBO e ERMÓGENES JACINTO JR. são alunos do curso de Filosofia na Universidade Estadual de Londrina
Diminuir a velocidade ou parar?
Julieta Arsênio
Realmente, o tema é complexo, quando não se sabe os conceitos comportamentais. Mais complicado ainda é quando você busca informar-se melhor e a resposta dificulta a compreensão. Esse novo impasse criado por um ou por ambas as partes nas questões de trânsito, tem viabilizado um retorno pouco ou nada pedagógico. Na edição da Folha do último dia 16, na seção O leitor questiona do Caderno Cidades (pág. 2), um leitor de Rolândia questiona multa aplicada à mulher no trânsito de Londrina. No auto de infração, diz: Avançar o sinal vermelho ou de parada.
Se o condutor não atravessou o sinal vermelho, então foi multado por não ter parado diante de uma placa pare?, pergunta ele. Insisto que, somos um país onde as concessões têm imperado até nas questões mais óbvias como a ética e a moral do cidadão. Realmente, diminuir a velocidade não é parar, mas num trânsito civilizado, onde o bom senso nos orienta para não parar em determinadas situações de trânsito, fica complicado decidir por aquilo que um agente pode estar pensando ou não naquele momento.
Não dá para sermos fiscalizados em nossos comportamentos no trânsito, se estes agentes não tiverem uma aprendizagem sobre os princípios comportamentais dos usuários de trânsito. Não podem apenas conhecer os tipos de infrações se não souberem interpretá-los nas suas vertentes, sejam elas negativas como positivas.
Se por um lado, o condutor pode ingerir bebida alcoólica e dirigir, desde que não seja constatado 06 decigrama de álcool no sangue, por outro lado, não quer dizer que diante de um sinal vermelho precise parar, mas que por ser um motorista hábil, reduz a velocidade e atravessa com segurança, justificando-se assim as próprias orientações para o fato das autoridades de trânsito. Vejam isso não está no Código de Trânsito, está no bom senso, motivada pela falta de segurança social.
O próprio código conceitua parada, como imobilização do veículo com a finalidade e pelo tempo estritamente necessário para efetuar embarque ou desembarque de passageiros, o que não é o caso aqui citado. Logo, essa infração avançar o sinal vermelho ou de parada, só pode ser entendida que diante de um sinal vermelho, devo aguardar que abra para que eu possa prosseguir e não pela justificativa dada se ela não avançou o sinal vermelho, então foi por não ter parada diante da placa pare e não do sinal vermelho.
O leitor não nos informa o horário da infração, mas pouco importa para o momento. Importa-nos, saber o significado real daquilo que falamos, lemos, ouvimos ou criamos como uma norma. Com certeza, o assunto requer mais exposições para ser entendível, em cuja compreensão deverá estar explícita o procedimento pedagógico favorável e não-punitivo, como tem ocorrido na nossa interação de trânsito. Não devemos gerar frustrações, mas atitudes conscientes que valorizem as condutas e empreguem entre os demais o espírito de cidadania.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em comportamento de trânsito em Londrina
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