O ano em que perdemos o bonde!

Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos
  Não é fácil escrever estas linhas, depois de ter ‘‘devorado’’ a mosca azul de frei Beto, o petista até ontem insuspeito! Cansado de ver a locomotiva do governo petista na banguela ou em marcha ré, resolveu arrumar as malas e voltar para casa. É um sonhador, este frei Dominicano, co-fundador do PT e amigo de Lula. Viveu velejando em malabarismos poéticos de vocábulos e idéias e preparando os movimentos populares e sindicatos para um dia, chegando ao poder, instaurarem a quimera da distribuição de renda e decretarem o fim da miséria e da fome. Hoje ele continua convicto de que a luta tem sentido. De que o medo abalroou a esperança, mas esta não é petista! Esperar contra todos os sinais é ser verdadeiramente humano e cristão! Nisto, o escritor nos dá uma avalanche de razões para não encararmos o desgoverno de esquerda como final da linha!
  Este é o ano da dança macabra em volta da fogueira, que há muito apagada pelo vento frio da corrupção e da hipocrisia, teima em ser ponto de referência para rituais de desespero e desgosto. Os sonhos feitos cinza se levantam e poluem o ar dos que respiram a decrepitude das chamas. Os arautos da madrugada e do alvorecer, profetas de outras eras menos conturbadas, mas igualmente horrorosas, dormem o sono dos insensatos, vulneráveis ao seqüestro dos penhores adquiridos em tempos históricos e que a tal posto os conduziram.
  Este é o ano em que o entrudo e as eleições apertam as mãos sobre a ponte iluminada da Copa 2006! O restinho dele, já cravado no inconsciente do povo brasileiro, tende a abrir alas ao torpor, à apatia, ao falso sossego, ao pseudodesenvolvimento - que só ganhou do Haiti - e à cadência fúnebre do seqüestro de nossos ideais de justiça, punição e ética na coisa pública. Fazemos parte de uma tétrica procissão que lembra os sobreviventes de uma fracassada batalha, ou pior, da desistência de uma luta...
  O povo não lê! É uma verdade. O povo só assiste o que reflete na telinha a sua rotineira vida repleta de sonhos de baú com ou sem felicidade imediata. Também é verdade! Mas o combustível que alimenta este contingente de 180 milhões de torcedores, na marcha para o niilismo, para a falésia perigosa da desistência tem nome! Cinco milhões de reais gastos em publicidade, por dia. Distrações fatais por conta da bola rolando no gramado e um vergonhoso superávit que apenas engordou nossos credores internacionais e uma inoportuna política de juros altíssimos, que controla aparentemente os gastos dos que jamais puderam saborear esse prazer e inibe o crescimento da nação, distribuindo a renda. Soma-se a essa tresloucada política a favor dos bancos, a miséria ética e moral de quem com petulância e sarcasmo desafia a oposição a mostrar na TV os horrores mensaleiros!
  Possivelmente este ano passará para a história como o ano em que perdemos o bonde! E ele passou. Passou bem pertinho de nós. Quase nos derrubou com tantas evidências e provas. Mesmo assim, dormimos no ponto!
MANUEL JOAQUIM RODRIGUES DOS SANTOS é padre na arquidiocese de Londrina


Vamos cuidar do Rio Pirapó

Reverendo Othoniel Gonçalves
  O Planeta Terra possui aproximadamente 1 bilhão e 400 milhões de quilômetros cúbicos de água e 97,5% desse total é constituído de água salgada. Apenas 2,5% correspondem à água doce e, desses 2,5%, apenas uma pequena parte se encontra acessível. Da água consumida no mundo, 70% são destinados à irrigação, 20% vão para as indústrias e 10% chegam às residências. Os sistemas de distribuição não são eficientes e há muito desperdício.
  Conforme Pesquisa ‘‘World resourses 2000-2001’’, a superexploração das águas e os problemas correlatos fazem com que os rios históricos, como o Amarelo, na China, o Ganges, na Índia e o Nilo, na África, não mais alcancem o oceano durante a estação das secas.
  Preocupa-nos a falta de cuidado com o impacto ambiental provocado pelo homem com relação aos recursos naturais, a nós oferecidos pelas benfazejas mãos do Criador! Segundo Leonardo Boff, ‘‘40% da humanidade já sofreu o problema da falta d’agua’’. A antivida nos entristece!
  Esse caos nos faz lembrar de nossos primeiros pais que, não cuidando do Jardim do Éden, foram expulsos. Será que nós não estamos cometendo o mesmo erro com o nosso Oikos (casa= lugar onde se vive) a ponto de nosso Planeta Terra correr o risco de tornar-se inabitável? No anseio de fazer o que é agradável aos olhos, destruímos a natureza.
  Através da imprensa soubemos que há um projeto de construção sobre a nascente do Rio Pirapó em Apucarana. Esse rio, além de ser extremamente útil à vida em Apucarana, também abastece a vizinha cidade de Maringá. É preciso muito cuidado por parte do órgão responsável pelo parecer técnico.
  A que ponto chegaremos se o projeto vier a se concretizar? Ainda mais quando possuímos tantos espaços importantes nesta rica cidade para abrigar empreendimento de tal envergadura! Documentamos aqui nossa preocupação e o fazemos na busca de um ‘‘mundo melhor’’. Que as autoridades competentes ouçam nosso grito! Cuidemos desse rio! Viva, o Rio Pirapó!
REVERENDO OTHONIEL GONÇALVES é graduado em Ciências Sociais e Teologia e pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil em Apucarana


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup