ESPAÇO ABERTO
Degradação dos Solos
Fábio Rogério Ortiz
O solo é formado pela ação dos agentes intempéricos sobre as rochas. A natureza procura protegê-lo, cobrindo com uma capa de vegetação. O homem, ao remover a manta protetora para, em seu lugar, realizar exploração, expõe o solo à ação dos elementos erosivos. O processo de formação de um solo agrícola é lento para a constituição da camada agricultável, em função das condições climáticas e da rocha matriz. Em determinadas situações de relevo, cobertura vegetal e intensidade de chuvas, essa camada de solo pode ser perdida pela ação de chuva intensa e em um só dia.
São várias as causas determinantes do empobrecimento de um solo agrícola. Esgotamento: provocado, essencialmente, pela exploração continuada de culturas, sem reposição dos nutrientes extraídos pelas plantas e/ou queimadas sucessivas, com redução das produtividades qualitativa e quantitativa. Erosão: perda do corpo do solo e dos nutrientes carregados pelas enxurradas, em quantidades superiores à reposição natural, ou mesmo de fertilizantes químicos. Compactação: ocasionada pela excessiva passagem de máquinas agrícolas sobre o terreno, eliminando os poros do solo que eram ocupados pela água ou ar. A camada compactada impede ou dificulta a infiltração da água, favorecendo a formação de enxurrada que acelera o desgaste da camada superficial da terra. Contaminação por fertilizantes e/ou pesticidas: os fertilizantes e os pesticidas químicos devem ser aplicados somente quando necessários e nas doses indicadas tecnicamente. O excesso pode provocar a contaminação do solo, impedindo o desenvolvimento das raízes das plantas. Degradação de pastagens: vários fatores podem ocasionar essa degradação, entre eles o excesso de pastoreio, as queimadas e as pastagens inadequadas às condições climáticas, que não proporcionam uma completa cobertura de terreno.
Os efeitos da degradação do solo não se fazem sentir somente na redução da produtividade. A terra transportada pela enxurada, em consequência da ação da chuva sobre o solo desprotegido, vai se depositar no leito dos rios, favorecendo a cheia mais rápida do canal, reduzindo a capacidade de armazenagem dos reservatórios das hidrelétricas, diminuindo-lhes a vida útil programada, além de outros efeitos, degradantes do ambiente.
FÁBIO ROGÉRIO ORTIZ é mestre em Agronomia e professor em Londrina
Os riscos da acomodação conjugal
Moacir Costa
Se namorar é tão bom, por que será que muitos casais - até mesmo jovens - descuidam disso? Perdem aquele interesse e gradativamente deixam de fazer gestos de carinho. Quem vive nas grandes cidades costuma botar a culpa no ritmo acelerado que são obrigados a vivenciar, de maneira que ao chegar em casa, só querem saber de hibernar diante da televisão, diante do mesmo e velho roteiro das novelas. Observando o amor, em vez de vivê-lo. Nessa trajetória, o casamento aos poucos se desgasta, perde a vibração e quase não há mais envolvimento. No vazio resultante, começam a ganhar cada vez mais espaço a irritabilidade e a intolerância. Muitas vezes esses desentendimentos acontecem na própria cama, que em vez de refúgio de prazer e relaxamento, vira arena de agressões.
Um sinal claro da tendência ao afastamento, ainda quando mal se delineia, é que os beijos vão ficando cada vez mais raros. Quando muito se resumem a um ''selinho'' descuidado, nas idas e chegadas. Ambos evitam sair sozinhos, certos de que de não ter muito que conversar. Muitos passam meses sem ter relação sexual, e quando um deles reclama, o ato acontece, mas de forma biológica, mecânica, sem emoções ou mesmo prazer.
Esse distanciamento muitas vezes acontece com quem está casado há vinte, trinta ou quarenta anos. É aquele casamento morno, sem brilho nem intimidade. O casal convive mas parece que em mundos distintos, embora convivendo no mesmo espaço. A consequência evidente de uma situação como essa é a perda de interesse sexual, de ambos os lados. O homem se angustia, o que leva à insegurança, ao medo de falhar, portanto, se fecha. A mulher, mesmo que ainda deseje aproximação amorosa, fica frustrada e envergonhada, com receio de agravar ainda mais a situação se tomar a iniciativa; ela também se retrai e o desejo vai desaparecendo.
O número de casais que procuram os consultórios de médicos e psicólogos apresentando dificuldades na área afetiva e sexual mostra que tendem a varrer as frustrações para debaixo do tapete. O surgimento de novas técnicas psicológicas e medicamentos para retomada da potência sexual, ainda não têm sido utilizados com a frequência necessária. No universo de 12 milhões de homens no Brasil com dificuldades sexuais, apenas 20% deles buscam solução para o seu problema sexual. Vergonha, preconceito?
Os dois medicamentos que surgiram há mais tempo, tem um tempo de ação médio de 5 horas, com algumas restrições à alimentação gordurosa e bebidas alcoólicas. O mais recente deles, com estrutura química diferente, tem um tempo de ação prolongada (até 36 horas), que permite uma ampliação do clima amoroso. Não se trata mais de fazer sexo apressadamente, com hora marcada. Esse novo medicamento cria um clima de mais espontaneidade e descontração. Os efeitos colaterais desses três medicamentos são semelhantes e facilmente suportáveis e que varia de um caso para outro. Um custo, convenhamos baixo para o tamanho do benefício. A única contra-indicação são os medicamentos a base de nitratos. Isso tudo favorece o clima de aproximação e a volta do namoro. Tudo que seja capaz de alimentar o desgastado relacionamento é válido, para reacender o prazer da mútua companhia e o desejo de ir para a cama fazer coisa bem melhor que apenas dormir. Tente, para ver como funciona!
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo





