Entendendo o Corpus Christi

Devaldo Gilini Júnior
  Hoje temos mais um feriado nacional. Que maravilha, muita gente não vai trabalhar e alguns até vão emendar com o final de semana. Teremos pausa na rotina de grande parte dos trabalhadores brasileiros, católicos ou não, oportunidade para viagens, lazer, descanso... Mas o que significa esta data religiosa? O que se comemora? Quando e por que foi instituída?
  Segundo o site ‘‘Paulinas on line’’, a festa de Corpus Christi, expressão latina que significa ‘‘Corpo de Cristo’’, foi instituída pelo Papa Urbano IV, em 11 de agosto de 1264. Mas se tornou realmente popular a partir de sua confirmação, feita pelo Papa Clemente V, em 1311-1312. É celebrada sempre na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade. Isso porque, segundo os evangelhos sinóticos, a instituição da Eucaristia se deu na noite de Quinta-Feira Santa, na qual Jesus celebrou com seus apóstolos a ceia pascal e instituiu o memorial de sua paixão e morte, fatos que se concretizariam no dia seguinte.
  Neste dia, a Igreja Católica celebra a presença de Cristo na Eucaristia, no pão e no vinho que o sacerdote consagra para se tornar o corpo e o sangue de Cristo. A Eucaristia é um mistério de síntese da vida de Cristo e da Igreja, um sinal da nova e definitiva comunhão entre a humanidade e Deus. É considerado o mais importante dos sacramentos, de onde saem e para onde se dirigem todos os demais, centro da vida litúrgica, expressão e alimento da vida e da comunhão cristã.
  A celebração do Corpo e Sangue de Cristo é igualmente partilha, solidariedade. Assim, em tempos de fome, de desigualdade social, de injustiças, guerras e tanta violência, a data é também mais uma excelente oportunidade para todos os brasileiros, cristãos ou não, atentarem para as necessidades dos menos favorecidos.
  É saboreando o pão e o vinho, assimilando em nosso ser o gesto da doação e da partilha, que entramos em comunhão com Jesus Cristo em sua páscoa e somos enviados em missão. O pão eucarístico nos é dado para que sejamos juntos um só corpo em Cristo e vivamos a caridade fraterna, também fora da celebração.
  A celebração da Eucaristia amplia os horizontes mesquinhos de vivência cristã, torna-nos co-responsáveis pela construção de um mundo mais solidário, faz-nos avançar para as águas mais profundas do amor a Deus e aos irmãos. A comunhão com Cristo conduz à convivência fraterna com as pessoas, com a natureza, com toda a criação.
DEVALDO GILINI JÚNIOR é editor da Folha de Londrina e do jornal ‘‘O Farol’’ da Paróquia São José em Rolândia



Somos todos jogadores medianos

Walmor Macarini
  Dida presidente da República. Estou lançando esta candidatura. Porque ele revelou ser o homem talhado para salvar o Brasil. Viu-se, no jogo com a Croácia, que ele foi o salvador. Ele foi a Seleção. Com a ajuda de Kaká, que fez um gol. Mas que teria valor nenhum se Dida não houvesse defendido três jogadas detonadoras dos croatas, o que salvou o ‘‘time das estrelas’’ de sofrer uma rotunda derrota. O belo espetáculo que todos queriam ver não aconteceu.
  A Croácia deu trabalho para o Brasil, e não era o time frágil que muitos acreditavam. Este é o argumento para justificar o pífio 1 a 0. Mas esta não é a seleção mais bem treinada, com os melhores craques de mundo? Ou será que o é apenas quando joga com adversários fracos? A Croácia não é fraca. Então, os jogadores brasileiros só são bons com os que não jogam nada? Assim é fácil.
  Na chave do Brasil, a Austrália é o melhor time até agora, porque tem mais saldo de gols. Os futebolistas brasileiros não sabem jogar sob pressão e também não sabem defender-se de quem joga assim – como a Argentina, os europeus, os ligeiros africanos (estes, embora sem aptidão, ainda, para as finalizações). A seleção brasileira penou com os croatas, e o que parecia um jogo tranqüilo para o Brasil foi na verdade um sufoco.
  O selecionado patrício poderá ser campeão, mas se houver passagem para a fase seguinte virão pela frente os mais fortes, e aí não haverá lugar para molezas e firulas. Será a hora de mostrar que a Seleção brasileira é a melhor do mundo, como afirmam os cronistas. No meu placar o Brasil perdeu para a Croácia. A perda moral, como diz o jargão esportivo. Vou erguer minha bandeira e estou torcendo pelo Brasil, porque sou brasileiro, mas a gloriosa representação pentacampeã não foi nada fenomenal e não mostrou ao mundo sua apregoada maestria. Não foi desta vez.
  O Brasil jogou tão bem ou tão mal como todas as equipes que se apresentaram até agora. Nenhuma coisa do outro mundo. Só o Dida. Sabe-se lá, pode ter salvado o Brasil de vir embora antes da segunda fase. Tal possibilidade evidenciou-se muito claramente. Nenhuma equipe deste país treina para enfrentar jogadas de pressão – os times que correm inteiros atrás da bola, continuamente – o que não tem beleza coreográfica mas incomada os incautos.
  A Seleção não tem nenhuma obrigação de trazer o troféu. Não lhe faço essa cobrança, e nenhum brasileiro deve fazê-la. Porque, para isso, seria preciso que, cada qual na sua incumbência, também fosse campeão no que faz. E nisso, somos todos jogadores apenas medianos. Foi assim que eu imaginei ver a Seleção, e foi assim como a vi. E foi assim que ela se revelou. Apenas normal. Só exijo que se esforce. Que não espere que os adversários, gentilmente, lhe passem a bola.
WALMOR MACARINI é jornalista na Folha de Londrina


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