ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de junho de 2006
- Vocé é aquilo que acredita ser<br>-Namoro não tem idade 
Vocé é aquilo que acredita ser
Angelo Luiz Orcelli
Sabemos os estragos psicológicos que os abusos sexuais, físicos, emocionais ou mentais podem causar ao indivíduo, mas não nos damos conta de traumas sutis, muito mais leves que também provocam um estrago danado em nossas vidas. As crenças limitantes que, ao longo da nossa existência, vão sendo introduzidas em nosso inconsciente por nossos feiticeiros (pais, professores, ídolos etc.).
Conheci uma moça que estava no terceiro ano de Jornalismo e não estava feliz com o curso. Perguntei por que ela estava fazendo jornalismo? ''Só optei por Jornalismo por que não tinha Matemática'', respondeu ela. Por que esse medo de matemática? ''Não suporto matemática, eu não consigo aprender matemática, sou burra!'', disse ela, informando que gostaria de fazer Arquitetura, mas desistiu porque tinha cálculos.
Após uma investigação, constatei que esse trauma vinha lá do primário quando uma professora a mandou resolver um problema no quadro e ela não conseguiu. Bastou a professora chamá-la de burra e mandá-la sentar, e nunca mais quis tentar aprender matemática.
A nossa responsabilidade enquanto pais, educadores formadores de opinião é muito grande, pois uma simples frase ''dinheiro é sujo'' ou ''dinheiro não é importante'' pode significar para uma criança que ela não poderá pegar, ter ou ganhar dinheiro, pois pessoas normais não gostam de coisa suja ou que não seja importante. Ou ainda ''trabalhar é um sacrifício'', e a criança vai crescer acreditando que trabalhar é um sacrifício e isso não é verdade. Certamente, conhecemos pessoas que fazem aquilo que gostam e se divertem trabalhando e conseguem atingir o sucesso que almejam. Se fizermos uma retrospectiva, ao longo de nossas vidas, vamos encontrar várias crenças que trazemos e que se tornaram verdades mesmo que inconscientes.
O primeiro passo para que possamos transformar nossas crenças limitantes em crenças de poder é identificá-las e, a partir da identificação, transformar o seu limão que todos diziam ser azedo em uma gostosa limonada. Quando você era criança não tinha consciência do certo ou erro, mas hoje você é adulto e possui conhecimento necessário para mudar o que tem que ser mudado. Se você acredita ser um derrotado, você está certo! Se você acredita ser um vencedor, você também está certo! Com certeza, você é aquilo que acredita ser.
ANGELO LUIZ ORCELLI é graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Londrina, consultor master practitioner com PNL e empresário na área metal mecânica em Cambé
Namoro não tem idade
Moacir Costa
Beijos demorados e sensuais, abraços apertados e instigantes, sexo explícito - há muita gente que acha que são demonstrações de afeto e energia vital, reservadas exclusivamente aos casais jovens. Até mesmo entre os que já beiram os 50 anos ou mais, esse tipo de pensamento costuma dar os ares de sua (des)graça. Puro preconceito. Não há nada mais falso. Namoro não tem idade, nem regras ou limites. É a livre expressão do amor, um compartilhamento de alegria, risos, carinhos, convivência, troca e conversa; em resumo uma doce parceria. No entanto, mesmo em datas muito significativas, como o Dia dos Namorados, a 12 de Junho, ninguém se lembra de incluir casais da terceira idade entre as peças de marketing chamando à comemoração. Até mesmo os comerciantes e produtores deixam de ver nessa ampla faixa etária um mundo de oportunidades.
Ao contrário, a terceira idade representa um universo repleto de possibilidades, entre outros fatores, porque reúne pessoas que - por chegar à aposentadoria - têm mais tempo para desfrutar o lado mais leve da vida, com a sabedoria de quem reconhece a importância do divertimento para manter a própria saúde. Alguém duvida que namoro é uma parte fundamental do lazer? E que faz um bem danado, ao corpo e à alma? E que, além de gostoso, é muito gratificante?
Namorar é sair de mãos dadas pela rua, marcar um encontro na porta do cinema, dar um passeio até a praia mais próxima, fazer boa caminhada no campo, dançar até cansar, beijar muito, compartilhar um jantar à luz de velas, fazer do próprio quarto um refúgio romântico e entregar-se ao sexo em todas as suas formas, do selvagem ao rapidinho, e, depois, relaxar...
Sem contra-indicações, portanto, para a terceira idade. Melhor ainda: altamente recomendado. É uma mistura de tudo que é bom, até mesmo com uma pitada de ginástica aqui e ali, quando as pessoas se empolgam na cama. Nem mesmo um exagero ou outro é vetado aos casais de maior idade.
Os casais que namoram não costumam se queixar de baixa libido, ausência de orgasmo ou de potência. Sabe por quê? Essa convivência gostosa funciona como um motor que mantém o relacionamento aquecido e engrenado. O namoro também traz um estado de espírito mais positivo e alegre para o casal, que não perde tempo com conflitos inúteis, mágoas e reclamações. Os dois conseguem extrair o melhor da relação. Querem mesmo é viver bem. Guardam o que compartilham de melhor. Há admiração, respeito, afinidade.
Casais que namoram, não importa a idade, atravessam crises e enfrentam problemas, mas não sucumbem às dificuldades. São salvos por sua própria cumplicidade, sempre presente na troca de olhares e no diálogo amoroso. Sabem muito bem que o sexo pode ter seus altos e baixos, mas vêem isso com humor e otimismo.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


