A arte de amar


Ana Célia Almeida
  A definição mais completa sobre o amor, encontrei na Bíblia, em 1 Cor.13; que diz: ‘‘O amor é paciente, o amor é bondoso, não inveja, não se vangloria, não se orgulha, não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta’’. Isto traduz e revela em síntese o que é o verdadeiro amor. Difícil de se colocar em prática, porém não impossível, quando estamos com o coração aberto e preparados emocionalmente e espiritualmente para viver o amor.
  Amar é um verbo, uma virtude, é uma escolha que fazemos, é um exercício que devemos colocar em prática. Quanto mais amor eu dou, mais recebo em troca, independente da pessoa à qual me dedico. Para que o amor aconteça, é preciso amar.
  Existem várias formas de amar, e uma delas é o amor entre um homem e uma mulher, que pode começar com um simples olhar, onde a paixão ou atração sexual produz uma sensação de prazer quando estamos apaixonados. Com o passar do tempo a paixão pode nos levar a um sentimento mais maduro e de compromisso um com o outro, transformando-se em amor.
  É uma ilusão buscarmos o amor em outra pessoa, se ele está dentro de nós. Colocamos as expectativas no outro e logo nos frustramos. E com as decepções podemos perder a capacidade de amar, principalmente se tivemos uma perda amorosa anterior, por separação ou morte de quem amávamos.
  Aprendemos a amar a partir do modelo de amor que recebemos de nossos pais durante a infância. É assim é que adquirimos o amor próprio.
  O amor é eterno enquanto dura o sentimento que temos pela pessoa a qual amamos. Mas se o amor não for verdadeiro ele pode morrer, depende de como o cultivamos para mantê-lo vivo dentro de nós.
  O verdadeiro amor é a essência de nossa alma. Quanto mais amamos, mais nós nos sentimos completos e amadurecidos.
  O amor pode nos libertar e curar de muitos sentimentos negativos, como a inveja, o ciúme, o orgulho, a raiva, o egoísmo, o medo, a solidão, a tristeza, a autopiedade e muitos outros.
  Para quem pretende amar é importante saber: você se ama? O que é amor para você? Por que você deve amar? Você está preparado para amar? Quem você quer amar?
  Procuramos no outro, o amor que não encontramos em nós mesmos e sentimos um grande vazio. Se não temos amor, como vamos oferecer? Confundimos amor com paixão e carência afetiva. Mas afinal onde e como encontrar o amor que tanto procuramos? A verdadeira arte de amar, consiste em amar sem medo de viver e ser feliz. ‘‘O verdadeiro amor lança fora todo o medo’’.
ANA CÉLIA ALMEIDA é psicóloga em Londrina



O amor faz bem

Antônio Gurgel do Amaral Jr.
  Os fatores mais importantes para a saúde e o bem-estar são também os que apresentam maiores dificuldades de mensuração e avaliação pela ciência. É o caso do sentimento chamado amor, que envolve aspectos biopsicossociais difíceis de mensurar. Todavia há evidências científicas que demonstram cada vez mais o papel do amor na prevenção e na cura de muitas doenças.
  Refiro-me ao amor como sentimento de doação, de aproximação, de toque, de carinho, de atenção e interesse por alguém. É uma emoção que provoca reações bioquímicas no organismo, atingindo de modo positivo o sistema nervoso central, o sistema endócrino e imunológico, resultando em bem-estar e saúde.
  Por exemplo, na Universidade de Yale, um estudo realizado com pacientes submetidos a cateterismo cardíaco, concluiu que as pessoas que se sentem mais amadas têm menor grau de obstrução nas artérias do coração. Muitas outras pesquisas também demonstraram de modo impressionante que o amor é um fator decisivo na proteção contra doenças do coração, contra o câncer e outras moléstias. Sentir-se amado ou amar faz bem à saúde.
  Em um amplo estudo realizado em Cleveland, onde quase dez mil homens participaram, os cientistas detectaram uma importante relação entre uma pergunta de seu questionário e o desenvolvimento de doença do coração. Os que respondiam sim à pergunta ‘‘Sua mulher demonstra amor por você?’’ apresentavam, no seu grupo, número bem menor de problemas no coração. O grupo que respondeu ‘‘não’’ apresentava quase o dobro de problemas cardíacos, como dor no peito.
  Costumo dizer em palestras às mulheres que se elas não desejam que seu parceiro morra do coração, digam que o amam. O mesmo, é claro, vale para os homens; se não querem sua companheira doente, demonstrem amor por ela. Sentir-se amado, é muito mais do que poesia e romance. O amor provoca reações no organismo que geram maior proteção contra doenças. Nos enfermos amados a doença tem maior probabilidade de uma evolução melhor.
  Infelizmente o amor não é uma panacéia, porém está cada vez mais evidente que faz a diferença na vida de qualquer ser que ainda acredita no amor, com um dom divino.
  Portanto, no dia dos namorados façamos um brinde especial ao mais sublime dos sentimentos, como emoção que dá sentido à vida, que aprimora relacionamentos, que vive e faz viver: o amor.
ANTÔNIO GURGEL DO AMARAL JR. é médico cardiologista em Londrina.



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