Pressa e desrespeito

Bianca Garzo Neves
  Não consigo entender o que está acontecendo com as pessoas. Será que a correria do dia-a-dia tem feito com que percam seus princípios a cada minuto? Tenho a impressão de que elas saem de casa e deixam para trás o mínimo que um ser humano deve ter: educação, respeito, compreensão. E é simples perceber: saia de casa de carro, por exemplo. Você, que dirige, vai perceber ao seu redor uma onda de descaso total com motoristas e pedestres. Será que é tão difícil assim acenar com a cabeça num gesto de agradecimento quando alguém simplesmente pára o trânsito em favor de um pedestre que dificilmente consegue atravessar a rua? Parece que sim, ao menos para os pedestres que tenho encontrado pelo caminho. É como se você não fizesse mais do que a obrigação. Ou mesmo ceder a vez a um carro que espera para entrar na longa fila que se forma, dificilmente vejo atos como este.
  Outra desilusão: a feira-livre. Lembro-me como foi agradável o dia em que encontramos o apartamento onde moramos. Nem ligamos para o fato de que a feira se instalaria bem em frente nossa casa, todas as semanas. Já hoje é de se pensar em procurar outro lugar para morar. Sim, feira é lugar de pedestres, não de carros, mas como sair para trabalhar logo cedo sem passar pelo meio da mesma? Ah, sim, talvez nós moradores tenhamos que deixar nosso carro na esquina de cima, na rua, durante toda a noite anterior, à mercê dos desocupados, e levantar no outro dia com a esperança de encontrá-lo lá, inteiro, após uma caminhada a pé pela feira. Não peço que mudem a feira de lugar, peço que mudem de atitude, que tenham ao menos respeito. E a impressão que tenho é de que essa onda de descaso cresce gradativamente, dia-a-dia.
  Para finalizar, presenciei uma cena deprimente num banco. Uma mulher, não tinha mais de 30 anos, apertava os passos para chegar antes de mim na fila, que por sinal não tinha mais de 10 pessoas e andava rapidamente. No momento em que esta mesma pessoa passara a ser a primeira da fila, um senhor, aparentando uns 75 anos, se aproximou do início da mesma, como é de direito seu, e se posicionou ao lado. Percebi quando a mulher olhou de canto de olho para este senhor, e já se prontificou a garantir sua vez na fila, dando um passo à frente como quem diz cheguei primeiro. Dado o sinal da vez, a mulher correu para seu caixa, deixando aquele senhor ali parado. Cedi minha vez para o senhor que, além de me agradecer com muito carinho, não demorou mais de 1 minuto no caixa, e ainda foi mais rápido que a mulher que lhe negou a vez.
  Sinceramente, o ato de gratidão daquele senhor me fez ganhar o dia, pois soube que ainda existem pessoas de respeito aí afora, embora sejam poucas. E não vou desistir enquanto souber que há chance de mudar. Acredito não estar pedindo nada impossível, apenas respeito, ou então temo entrarmos num caos de desordem que será cada vez mais difícil de reverter.
BIANCA GARZO NEVES é assessora de eventos em Londrina




Eleições e mudança: o que fazer

Michel Machado
  Quando utilizamos a palavra mudança, pensamos em algo novo, diferente. Quem deseja mudança, deseja que esta seja para melhor. Ninguém pensa em mudar para pior. As eleições se aproximam, as pesquisas demonstram que a população anseia por mudança. Este anseio traz implícito em si o sentimento de esperança. Então, abrimos os jornais, assistimos aos noticiários televisivos e o que percebemos: os mesmos candidatos incapazes de disputar eleições para o Executivo aproveitam-se da lei eleitoral que, infelizmente, permite reeleição vitalícia para o Legislativo. Como já estão no poder, utilizam-se das facilidades que este lhes concede e se perpetuam no cargo. Outros menos hábeis, mesmo já tendo usufruído de todas as facetas que o poder permite para reeleição, foram incapazes de se eleger e agora vão tentar novamente retornar ao posto que perderam.
  O que fazer? Se conformar? Continuar cultivando no coração o sentimento de esperança? A primeira opção é o que os políticos desejam, que nos conformemos diante das suas ações e que continuemos a delegar a eles (sempre os mesmos) o controle de nossas vidas. A segunda opção, pura e simplesmente nada resolve. A esperança se não vier acompanhada de atitude, ação, é nula. Sonhar com um país melhor é preciso, mas assumir a responsabilidade e dar a sua contribuição, por menor que ela seja, é necessário.
  Os apaixonados pelo Legislativo sempre vão aparecer. Aqueles que desejam voltar ao poder e aqueles que desejam permanecer, mas se ampliarmos nossa visão poderemos nos deparar com novas opções. Quando digo nova, não me refiro à idade, mas a pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de estar no poder. Se vão ser boas ou ruins, não temos como saber, mas com toda certeza sabemos o que muitos que estão no poder fizeram e, portanto, podemos com propriedade reprová-los e conceder a oportunidade a outras pessoas.
  Para toda regra existe exceção, portanto, devemos ser criteriosos: procurar saber o que o candidato que está no poder (vereador, deputado, etc.) fez pela cidade, analisar sua conduta ética, moral e profissional. Se forem bons, merecerão permanecer no poder. O mesmo critério deve ser utilizado para os candidatos que ainda não estiveram no poder: devem ser pessoas íntegras, competentes e com bons projetos. Temos que parar de votar em pessoas e votar em projetos, não podemos continuar convivendo com a mesmice política seja ela nova ou velha.
  Temos que cultivar a esperança e utilizar a grande arma que temos nas mãos no dia 1º de outubro: o nosso voto. Independente da escolha, esta deve ser feita de forma consciente e não por troca de favores.
MICHEL MACHADO é economista em Londrina


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