Violência e educação

Ana Cristina Pereira
  Há quem diga que a culpa para tamanha violência é a educação. O déficit em orçamentos estatais, as políticas públicas niveladas no reducionismo, a falta de aprimoramento docente, a baixa rentabilidade mensal do professorado, entre outros fatores, parecem que justificam alguns males na educação.
  Também há quem diga que para um problema é justo estabelecer um culpado. Neste caso, o ensino começa a ser crucificado e, em uma analogia cristã, paga pelos seus pecados. A realidade é que os interesses econômicos e políticos permeiam aspectos educacionais do país de ontem e de hoje e está longe de acalentar os anseios sociais.
  Apesar disso, o ensino-aprendizagem é tratado com seriedade no meio acadêmico. A afetividade, por exemplo, muito propagada na atual perspectiva construtivista, pode e deve colaborar com a minimização do problema da violência humana.
  A afeição no meio escolar passa a ser primordial no sentido de abarcar a concretização do construir por si mesmo, valorizando o indivíduo e suas potencialidades, como também criar parâmetros para que o ensino passe a ser uma das molas propulsoras de uma sociedade que também prima pela sabedoria.
  Mas a prudência, não parece ser papel exclusivo dos bancos escolares. Esta questão é algo que sugere ética e responsabilidade e permeia o todo social. A educação é apenas uma parcela. Utilizar-se do construtivismo e da afetividade nas ações cognitivas podem colaborar, mas definitivamente não respondem por um processo social em crise.
  Se assim fosse, o slogan ‘‘educação para todos’’, sugeriria responsabilizar altos escalões, que em suas discussões conceituais, parecem colocar em prática interesses exclusivamente individuais. A classe docente, que convive com violência em quase todos os aspectos, sempre esteve disposta a utilizar-se da sabedoria para buscar caminhos alternativos.
  Portanto, a tal violência que propaga por todas as parcelas sociais, parece estar atrelada mais ao desnivelamento social, a falta de oportunidades, de reconhecimento e de respeito do que da aprendizagem propriamente dita. Aliás, a violência instaurada nos cofres públicos está diretamente relacionada à falta de formação acadêmica daqueles que lá estão?
ANA CRISTINA PEREIRA é jornalista e aluna do curso de especialização em Metodologia da Ação Docente da Universidade Estadual de Londrina



Falta de moral dilapida a segurança

Marcelo Souto Severino
  Nos últimos tempos, a sociedade civil organizada, junto com nossos governantes, se preocupa, discute e planeja ações na área de segurança pública. A cada dia, o brasileiro se sente refém de criminosos organizados em ‘‘sindicatos e organizações’’ altamente aparelhados e financiados pelo dinheiro sujo do tráfico de drogas e da lavagem de dinheiro que compra, de forma ilícita, armamentos mais potentes que os da polícia. Tamanha corrupção se refletiu na organização de ações terroristas contra policiais, civis e rebeliões em presídios paulistas.
  A violência não escolhe suas vítimas. Faz a classe média sofrer os horrores dos seqüestros, assaltos e se esconder em condomínios fechados. Está inserida nas classes sociais mais baixas, onde jovens passam preciosos anos de suas vidas nas cadeias ou abreviam-na no crime e tráfico de drogas.
  Milhões de reais são investidos para criar soluções plausíveis a fim de conter a violência, combater o crime e estabelecer a paz. Medidas socioculturais e educacionais aplicadas a presos visam sua reinserção na sociedade. No entanto, muitas não levam em conta que o indivíduo após cumprir uma árdua pena não encontra trabalho e é atraído pelo crime, reincide ou comete piores crimes depois da ‘‘pós-graduação’’ que fez na cadeia.
  A solução para tais problemas não se encontra apenas na mão de Estado, mas nas condutas morais às quais o cidadão deve servir de exemplo àqueles que se encontram marginalizados e excluídos financeiramente de todo processo capitalista. A sociedade deve repensar suas condutas e considerar que passamos por uma transformação negativa de valores e conceitos morais.
  A família, base da estrutura da educação dos cidadãos e seio conservador da sociedade, aos poucos vai se desfragmentando e se dilapidando pela valorização de conceitos burgueses que pouco refletem conceitos morais dentro de um lar e essenciais para a boa educação. Enquanto pregam moralidade na política, não fazem juz aos seus discursos e direcionam a educação de seus filhos para um caminho obscuro devido à falta mínima de moral no lar.
  É preciso que todos adquiram novos hábitos e valorizem a instituição familiar, além de valorizar o próximo, esquecendo o individualismo que os tornam inacessíveis. Se essas idéias fossem colocadas em prática, não teríamos grandes índices de violência. Com o aumento da compreensão e valorização das pessoas mais simples, os potenciais bandidos e marginais teriam mais piedade e pensariam antes de cometer seus crimes.
MARCELO SOUTO SEVERINO é jornalista em Londrina


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