ESPAÇO ABERTO
O pânico assusta e adoece
Moacir Costa
Uma palavra que andou de boca em boca semana passada, pelos problemas que viveram os cidadãos paulistas e paulistanos, é pânico. Mais que sussurrada ou gritada, ela se materializou, com todos os seus tristes reflexos, nas ruas da capital paulista, tanto em áreas onde realmente houve ataques de grupos criminosos, como em outras onde tudo era normalidade, mas foram contaminadas pelo medo, algo que realmente pode se alastrar como uma epidemia. E rapidamente.
Pânico é, também, uma palavra que denomina, em psicologia, um transtorno ou distúrbio emocional assustador e desgastante para os pacientes. Quem está de fora, na maioria das vezes não entende as reações da pessoa e, pior ainda, alguns acham até que é frescura, falta do que fazer ou uma forma de chamar a atenção. Calcula-se que 3,5% da população mundial apresenta crises de pânico. Nada tem a ver com loucura. É, sim, um desequilíbrio, no sistema nervoso central, de neurotransmissores como a adrenalina, a serotonina e a noradrenalina.
Gera sintomas incontáveis: desde vertigens, náuseas, calafrios, até dores e contrações pelo corpo. A boca fica seca, falta o ar e o coração dispara. Instala-se uma confusão das idéias que deixa a pessoa impotente, sem ação ou iniciativa, com a sensação de perda do autocontrole e temor eminente de que vai morrer. Isso pode acontecer com qualquer um. Basta ter algum histórico familiar, estar sendo submetido a stress constante (problemas familiares, desemprego, perda de entes queridos etc.), agravado por álcool, cigarro e outras drogas.
Pânico significa ansiedade intensa, quase insuportável, sem motivo aparente e, quando se repete várias vezes, perturba demais o cotidiano, dificultando a execução das tarefas mais simples e corriqueiras. É algo generalizado, diferente de fobias específicas em que é possível identificar o que determina o medo.
A falta de informação e a discriminação sofrida pelas pessoas que apresentam crises ''nervosas'' são fatores que levam muitas vezes até os próprios médicos a confundir os sintomas com infarto ou outro tipo de mal súbito. O exame clínico, porém, acaba revelando que não há nada de errado com a saúde física. Muitos profissionais, por desconhecerem a doença, deixam de fazer uma investigação mais rigorosa e o paciente acaba ficando sem resposta ou resolução, e o temor de ter nova crise pode desencadear outras.
É bem verdade que esse quadro tem mudado nos últimos anos, com a divulgação de mais dados sobre a natureza das crises emocionais, distúrbios afetivos e do pânico. Assim, muitos pacientes (a maioria, mulheres) já são encaminhados aos psiquiatras e passam a saber que existe solução para seu quadro. A psicoterapia ajuda o paciente em crise a identificar os seus conflitos e os fatores desencadeantes. Associada aos tranquilizantes leves e antidepressivos tem conseguido resultados surpreendentes, com retomada das atividades habituais em poucos meses. O apoio familiar e as interações afetivas têm um papel significativo na recuperação do equilíbrio emocional. O diagnóstico associado à terapia faz com que, gradativamente, tudo volte ao normal, inclusive a sexualidade.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Dia do geógrafo
Érica Salvador
Neste dia do geógrafo é necessário refletirmos sobre a real importância e necessidade desta profissão almejada por tantos universitários. O resultado dessa reflexão parece óbvio, no entanto, muitos ainda se perguntam: o que faz um geógrafo? Qual a importância da Geografia? Por que se dedicar a tal função? As respostas para estas perguntas estão em nossa mente e variam muito, mas são quase sempre equivocadas ou complexas demais.
Se perguntássemos a um estudante da primeira fase do Ensino Fundamental, talvez ele dissesse que Geografia é o estudo de mapas e geógrafos são aqueles que estudam e fazem os mapas. Já para os estudantes de Ensino Médio a resposta poderia se dirigir apenas à geopolítica, dizendo que a Geografia estuda os acontecimentos em escala mundial e seus efeitos em nosso país. E para estudantes de cursinho pré-vestibular, com certeza, Geografia é aquela matéria que a maioria dos alunos ignora, mas que é necessária para elucidar muitas outras questões e temáticas que insistem em aparecer no vestibular. Enquanto para um doutor em Geografia seria necessário consultar uma série de autores, para então embasar tecnicamente sua resposta.
Mas, e para nós universitários, por que escolhemos Geografia em meio a tantos outros cursos? A verdade é que a ela nos envolve através de suas ramificações, se tornando uma ciência de síntese, englobando muitas outras áreas de conhecimento e estudo para construir o saber geográfico. Além disso, a definição mais simples de Geografia diz que ela ''estuda a relação entre o homem e a natureza e o que resulta dessa relação'' e essa busca por entender a sociedade é muito comum nos dias atuais devido à complexidade de muitos acontecimentos.
Nem todos os acadêmicos de Geografia se tornarão geógrafos, é verdade; a maioria será professor ou se dedicará a uma das especialidades dessa ciência tão ampla. No entanto, cabe ressaltar que todos estarão aplicando em sua profissão os princípios da mesma ciência. Então, que fique direcionada aos futuros e atuais professores de Geografia a função de plantar uma nova forma de entender esta disciplina e que isso aconteça desde as primeiras fases de ensino até o grau mais elevado de escolaridade. Aos profissionais das especialidades de Geografia, que eles contribuam para a ampliação do conhecimento geográfico, inovando e formulando novos conceitos, idéias, perspectivas e saberes.
E aos geógrafos de hoje desejo muitas felicidades e peço que continuem buscando novas formas de entender como a sociedade se relaciona com o meio que a envolve, para ser possível disseminar este conhecimento às gerações futuras podendo, assim, comemorar, em breve, o Dia do Geógrafo de uma maneira diferente: mais conscientizados e esclarecidos.
ÉRICA SALVADOR é estudante de Geografia na Universidade Estadual de Londrina





