A farsa de 'O Código Da Vinci'
Felipe Aquino

O livro ''O Código Da Vinci'', de Dan Brown, é um best-seller escrito por um romancista que não é historiador. A versão para o cinema deve ser vista por
800 milhões de pessoas a partir desta semana.
Com um marketing milionário, seu efeito será muito maior que o do livro. O intuito é fazer sucesso às custas de um público carente de formação religiosa e, ao mesmo tempo, ávido por fantasia e suspense.
Pretende-se mostrar que ''o cristianismo é uma falsidade e uma impostura'', uma invenção da Igreja Católica mantida por guerras ao longo dos séculos, questionando sua veracidade histórica, a divindade de Jesus Cristo e a confiabilidade histórica da Bíblia.
Trata-se de uma ficção travestida de história, onde se afirma que Jesus teria se casado com Maria Madalena e gerado uma filha com ela. Para escapar da perseguição dos apóstolos, ambas teriam fugido para a França. A descendência gerada por elas teria, no século V, se envolvido com integrantes da realeza francesa, dando origem à linhagem dos merovíngios - de onde surgiu o rei Godofredo de Bulhões e a sociedade secreta Irmandade do Priorato de Sião, com o objetivo de proteger a ''verdade'' sobre Maria Madalena e sua descendência.
Essa entidade transmite seus segredos em códigos ocultos. Insinua-se, por exemplo, que na obra ''Santa Ceia'', de Leonardo Da Vinci (1452-1519), a figura junto a Cristo não seria de João, mas de Madalena - o que é falso. Isto seria um sinal secreto de que Jesus teria confiado a Igreja a ela, não a Pedro. Não há, porém, fontes históricas fidedignas que reconheçam isto.
Nem mesmo os evangelhos gnósticos, usados pelo autor, afirmam que Jesus era casado com Madalena e muito menos que teria deixado a chefia da Igreja com ela.
Dan Brown alega que a Igreja Católica teria recusado o aspecto feminino e sexual da religião cristã. O que há, porém, é uma nítida tentativa de o autor jogar a mulher e o feminismo contra a Igreja - representada pelo Vaticano e pela Opus Dei (Obra de Deus).
A Opus Dei, inclusive, é apresentada no livro como uma sociedade secreta a serviço da Igreja. Como se vê, a obra de Brown é repleta de erros históricos, culturais e científicos. Há muita invenção, maldade e perversão na obra, cujo objetivo é desmoralizar a Igreja.
FELIPE AQUINO é professor universitário de Física e Matemática e apresentador dos programas ''Escola da Fé'' e ''Trocando idéias'' na TV Canção Nova

Receita para viver melhor
Moacir Costa

Sempre é tempo de avaliar a nossa qualidade de vida, em uma delicada contabilidade do que deu certo e, ao contrário, não foi o melhor caminho. Melhor ainda fazê-lo quando tudo em volta parece mais difícil - a política, a economia e outros males que marcam profundamente nossa coletividade em sentido negativo.
Há uma quantidade muito grande de problemas a enfrentar, sobretudo para as pessoas que vivem nos grandes centros urbanos: a violência, o uso de drogas, o trânsito caótico, os desencontros familiares, a falta de perspectiva e insegurança profissional, as doenças crônicas e a depressão. Para agravar esse quadro, as pessoas estão fazendo menos amor ou tratam o sexo como algo corriqueiro, quase uma ginástica obrigatória, por um crescente desinteresse nos envolvimentos amorosos. Esta, aliás, é uma das queixas mais comuns nos consultórios dos médicos e psicólogos.
A nossa responsabilidade social é enorme. Temos de constantemente buscar forças para dirigir grande parte da nossa energia na formação de parcerias, seja na vida familiar ou profissional. Ao mesmo tempo, é preciso revigorar os laços de amizade e confiança que se constituem na base de sustentação da vida afetiva. Ninguém se iluda: afetividade é um componente do ser humano que precisa ser cuidado, como se cuida das plantas: diária e atentamente, sob pena de morrer por desuso.
Mesmo diante de situações difíceis, o brasileiro surpreende por demonstrar uma vocação para o otimismo e para a felicidade, o que o impulsiona na direção de novas idéias e projetos, desenhando a certeza de dias melhores e que tudo irá dar certo. É uma tendência geral, mas que cada um deve cultivar à sua maneira, analisando periodicamente suas conquistas, frustrações e insucessos. Para aprender, com esse balanço primordial. E definir, a cada momento de balanço, novos desejos e promessas que ampliem nossa qualidade de vida: deixar de fumar hoje mesmo, reduzir a quantidade de bebida alcoólica no cotidiano, praticar exercício físicos, ouvir música, superar eventuais dificuldades financeiras com análise criteriosa de gastos e alguma poupança.
Além e até acima disso, concentrar a atenção nas pessoas de que gostamos, com gestos delicados e surpreendentes - eles sempre revigoram o ânimo de viver. Namorar e amar mais, com renovado talento, para lembrar como é bom! Entre outras coisas, é um santo remédio para reacender a esperança e alimentar novos sonhos. Experimente para ter os imediatos benefícios dessa atitude que além de fazer bem a quem está a seu lado, produz maravilhas também em você.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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