ESPAÇO ABERTO
Santo Ivo, rogai por eles!
Letícia Baddauy
Hoje, 19 de maio, é comemorado o Dia da Defensoria Pública no Brasil. A escolha da data deu-se em homenagem a Santo Ivo, padroeiro dos advogados. Sua escolha como padroeiro dos advogados deve-se ao fato de que Santo Ivo, que nasceu e viveu na França no século XIII, antes de exercer o sacerdócio, tornou-se célebre como advogado, especialmente por defender gratuitamente os interesses dos pobres. Eis o motivo pelo qual o dia 19 de maio, Dia de Santo Ivo, é também o Dia da Defensoria Pública.
Nesta data, na qual certamente tanto aos advogados quanto aos necessitados destes não faltam motivos de orações para Santo Ivo, não podemos deixar de pensar, uma vez mais, no notório abismo existente entre a realidade brasileira e a promessa constitucional de prestação, pelo Estado, de assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovem insuficiência de recursos (artigo 5º, LXXIV).
Com certeza são milhões os que têm fome e sede de Justiça. E os obstáculos ao pleno acesso à Justiça são de diversas naturezas, não se limitando a questões técnicas. São culturais, sociais, econômicos e políticos, utilizando-se a classificação do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos.
Sem dúvida, dentre estes obstáculos, a falta de advogado, função essencial da Justiça, figura da qual as partes do processo não podem prescindir, é fator que inviabiliza nosso caminho rumo ao ideal constitucional já mencionado. Lamentável que neste dia 19 os paranaenses não tenham razões para comemorar. A falta de defensores públicos em nosso Estado há muito gera crítica e inconformidade junto à classe jurídica. Mas muito mais grave é falta que fazem a quem deles tanto necessita.
Esperamos que em um dia 19 de maio muito próximo possamos ler no jornal um artigo escrito por um Defensor Público do Paraná, celebrando tão importante data. Pois sem advogado, a Justiça não chega ao povo. E sem Justiça, um povo não constrói uma nação.
LETÍCIA DE SOUZA BADDAUY é advogada, membro do Instituto Brasileiro de Direito Processual e professora de Direito Processual na Universidade Estadual de Londrina
Aids e solidariedade
Sueli Galhardi
Por alguns momentos tenho escrito neste veículo de comunicação, temas importantes como gênero, violência contra a mulher, 1º de dezembro - dia mundial de luta e prevenção de HIV/Aids, 18 de maio - dia de solidariedade às vítimas da Aids e das pessoas que vivem e convivem com HIV/Aids, prevenção de DST/HIV/AIDS junto à adolescência, dia dos servidores públicos, políticas públicas, entre outros. Sempre me apresentei como assistente social, feminista, militante, profissional da saúde e coordenadora da Comissão de Aids.
Apresento-me agora como mulher e ser humano que, durante 12 anos conviveu maritalmente com um portador do HIV, Marquinhos, uma pessoa maravilhosa que amei e me ensinou muito sobre a vida. Vivenciei e convivi juntamente com o meu filho Bruno de 15 anos com o drama dos portadores e conviventes da Aids. Em dezembro do ano passado, meu esposo faleceu em função de um tumor cerebral. Minha energia nestes 12 anos tem se concentrado na luta contra o preconceito e a discriminação, pois sei como isso penetra a alma de quem o vivencia.
Neste dia de solidariedade às vítimas da Aids, agradeço imensamente a todas as pessoas que vêm acompanhando e vivenciando juntos esta luta da consolidação da cidadania e a efetivação dos direitos humanos. Solidarizo-me com aqueles que, assim como eu perderam seus entes queridos e, reitero a crença e a esperança na inclusão social àquelas pessoas que estão vivas, pois sei que convivem com um estigma velado, às vezes solitário e silencioso. Obrigada aos meus amigos preciosos em seu acolhimento, profissionais de saúde e, em especial à Comissão Municipal de Aids, pelo seu empenho e dedicação na garantia destes direitos.
Destaco aqui, o Carnaval de 2006 na
prevenção de Aids com um significado especial em minha caminhada, pois incorporei a personagem da mulher gato, juntamente com meu grande amigo Zezinho, fisioterapeuta e deficiente visual, incorporando o batman. Justiceiros na luta contra o preconceito social como um todo, convidados pelo meu querido amigo Edison, da Adé Fidan, que por 4 anos vem fazendo a abertura do Carnaval em Londrina, também na sua luta contra o preconceito à diversidade sexual e à prevenção à aids.
Amei, aprendi, me preveni, continuo negativa e amando a vida. Aprendi e compartilho com você leitor que, romper as barreiras do preconceito pode ser um exercício difícil,
mas um desafio importante ao ser humano. Convido a todos para refletir sobre este tema, assim como agradeço a todos os amigos
e pessoas solidárias que acreditam como
eu, num mundo melhor para todos: mais fraterno, mais igualitário, mais justo e menos preconceituoso!
SUELI GALHARDI é assistente social em Londrina
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