Mobilização pela moralidade na política

Nelson Brandão
  Depois da onda de corrupção que arrasou a moralidade do País e a auto-estima dos brasileiros, o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL) se une com o movimento ‘‘Reforma Brasil’’ para tentarmos reverter esse panorama. Na categoria de presidente de uma entidade de classe que tem como um dos principais objetivos o bem-estar da comunidade, acredito que a participação em um evento desse cunho seja importante para a moralidade do Brasil.
  Esse movimento começou as suas atividades no ano passado, mais precisamente em agosto, poucos meses depois que veio à tona o escândalo do mensalão e a instalação das CPIs dos Correios e dos Bingos. Adotando o pensamento de prezar pela moralidade e integridade da classe política várias pessoas entre artistas, estudantes e entidades de classe uniram forças para manifestar a indignação quanto à corrupção.
  No próximo domingo, 21 de maio, haverá uma manifestação nacional organizada pelo movimento. Nesse dia, representantes do grupo estarão em várias cidades brasileiras para participar da passeata pela falta de ética e contra a corrupção política. Entre as cidades que serão palco da passeata estão Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Salvador, Brasília, Recife, Londrina e Porto Alegre.
  Londrina foi inclusa nesse circuito pelo
movimento por ter tido alguns dirigentes políticos envolvidos por suspeitos de desvio de
verbas públicas e corrupção. Artistas como Cristiane Torloni e Lima Duarte serão padrinhos da passeata no Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente.
  Assim, estamos convocando toda a comunidade londrinense a participar desse movimento para erradicar esse mal da sociedade para termos uma classe política para melhor nos representar.
  Para os interessados em saber mais sobre o Movimento Reforma Brasil, entre no site www.ceal-londrina.com.br e entre em Convocação para passeata. Nesta página você acha a maneira de acessar o ‘‘Reforma Brasil’’ e assim ler sobre as atividades e a filosofia que rege o movimento.
NELSON BRANDÃO é presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL)



Desarmar mentes e sentimentos

Walmor Macarini
  As turbulências que ocorrem no mundo e, por estes dias, assolaram o Brasil de forma violentíssima, estavam todas previstas, especialmente para esta passagem de milênios. Maus governos, corrupção, convulsões sociais, subversão da ordem, injustiças, são as dores de parto do renascimento de uma humanidade mais pacífica. Será um processo não tão rápido (pela contagem do nosso tempo linear) mas irá acontecendo gradativamente depois de passada a tempestade. Todos esses fatos e os que advirão, até que tudo se consuma, são como um fogo purificador.
  Teria sido melhor se não houvesse de acontecer, mas o homem favoreceu o advento de tudo isto. Impurezas de pensamentos, sentimentos, palavras e ações foram se cristalizando e agora explodem, pela saturação. O comportamento das mentes humanas, nos tempos atuais, não é pior e nem melhor que outrora, mas igual, e a seu tempo todos pagaram o preço, em forma da dor das guerras, das epidemias, da escravidão, das discriminações.
  Agora, porém, estão se vencendo os tempos. Não o fim dos tempos, mas o fim de um tempo. Um ciclo está se fechando, para que outro se reinicie, mais radioso. Ante tão tristes acontecimentos destes últimos dias, no Brasil – que levaram de roldão tantas vidas e semearam lutos familiares – não devemos nos entregar ao ódio, porque todos temos uma parcela de responsabilidade sobre o que aconteceu e tudo do gênero que acontece.
  Difícil as pessoas entenderem isso, mas há uma porção de cada um de nós em todos aqueles que derrubam e aqueles que tombam. Eles captam e reprocessam as formas-pensamento e sentimentos das massas, de suas palavras e atitudes inqualificadas, seus ódios, mágoas, invejas, ganâncias, apropriações indevidas, enganações, malquerenças, desejos mórbidos contra outrem, vinganças, mentiras, traições, clamor odiento por justiça, maledicências, e assim por diante.
  A natureza rude de alguns, a vulnerabilidade de outros, as condições de baixa resistência dos que ainda trilham pelos caminhos da incerteza – estes são os agentes diretos e indiretos das grandes barbaridades. Porque vulneráveis às correntes impuras das mentes humanas, que vão se acumulando até o ponto de ebulição.
  Há também os que vêm para missões específicas (boas e também aquelas com marcas que qualificamos de más, para que expurgos e purificações se cumpram), embora disto já não se dêm conta ao descer neste abismo terreno. Os organismos repressores agem, porque isto compõe o processo, mas incumbe a cada um de nós desarmar as próprias mentes, para evitar novas recargas e que tudo comece a acontecer de novo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


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