Menos que vencedores

Stuart Martin Hook

Onde houver a violência, há um, e somente um, vencedor. Esse vencedor é a própria violência. A violência possui a força de transpor-se a qualquer código do direito cultural. Não é a verdade, nem a justiça, nem a liberdade, e nem a moralidade que a faz recuar. Simplesmente, os valores humanos são ignorados. A violência sempre ganha porque reduz tais valores à imperialidade. Ela força a verdade a servir a falsidade, força a justiça a cometer atos de injustiça, força a conquista de liberdade tornar-se escravidão, e força o bem a ser entendido como mal. Ela macula o trabalho dos pacificadores da sociedade e constrói-lhe um sentido de aquecedores da guerra, e justifica o uso da tirania da própria violência em defesa da liberdade.

Embora moralistas possam pretender e empenhar-se no controle da violência, no fim das contas é a violência que os controla. Uma moralidade violenta não tem dificuldade em perverter as mentes humanas. Se pudesse, ela mudaria até a mente de Deus. É a moralidade obscura e incompetente que transmuta o mal em bem e bem em mal. E, pasmem, ela não tem receio de exercer este poder. Agora mais do que nunca ela é onipotente. Ela é a grande força, o mistério do mal, o fornecedor demoníaco do nosso tempo. As cidades contemplam a deusa violência. Adore-a.

Diante dela somos e estamos divididos: social, econômica, política e ideologicamente. Não há unidade nacional. Há, sim, alegações, promessas, euforias eleitorais (esses são verdadeiros atos de violência à democracia). E, quando a significância ética dessa nova política se encontra em desvantagem, meios mais drásticos são recorridos. Até quando seremos vítimas da violência praticada pelos nossos representantes? Afinal, não é função deles administrar o direito, a justiça e a paz?

Nem as grandes religiões estão dando conta do recado. O senso moral cristão está sendo erodido - uma nova religião é adotada como disfarce do que parece totalmente ''divino''. No cristianismo homens e mulheres entendem a missão de promover a paz através de gestos e atitudes que harmonizam o relacionamento entre criaturas e entre o Criador. Buscar uma religião da paz é o que o ser humano precisa. A paz na cidade deve ser o tema nos púlpitos, nos encontros evangelísticos e, ainda, nas próprias instituições religiosas. De que vale uma comunidade isolada do mundo? Afinal, onde estão os anunciadores que calçaram os pés com o Evangelho da paz?

Há um cântico de adoração que finaliza assim: ''E serei mais que vencedor''. A apologia do cântico é referente aos que têm um compromisso com a paz. Hoje, mais do que antes, é necessário o envolvimento nacional contra a falsa religiosidade. Por quanto tempo a moralidade cristã continuará achando que seus gestos e atitudes são realmente eficazes contra estruturas violentas? Há apenas um vencedor numa sociedade crivada por violência. Esse vencedor não é a justiça, nem a liberdade, e nem a verdade cristã que professamos. O vencedor é a própria violência, ''e nós somos menos que vencedores''.

STUART MARTIN HOOK é natural de Oxford (Inglaterra) e aluno de pós-graduação na Faculdade Teológica Sul-Americana em Londrina



O povo x bandidos

José Antonio Lucchesi

O previsível aconteceu. Anos de descaso com a Segurança Pública no Brasil; leis elaboradas em favor dos ''coitados'' bandidos (vide a Lei de Execuções Penais, Código de Processo Penal, leis extravagantes e outras bobagens jurídicas), tudo em favor dos bandidos. Narizes empinados dizem que os ''coitados'' bandidos são vítimas da cruel sociedade que não soube lhes dar a chance do estudo e do trabalho, etc., invertendo a responsabilidade de criminosos para a sociedade. Seria ótimo que daqui para diante se investissem em educação e emprego, porém o povo não pode esperar por uma solução de longo prazo (acredita-se em cerca de cem anos).

Urge uma ação rápida e eficaz. Para encurtar e ser objetivo, sugiro uma ação conjunta de Exército, Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, na mesma forma eficaz que utilizada no passado, utilizavam para localizarem subversivos e terroristas. Eram eficazes em localizar e prender quem fosse contrário aos ditames do governo da época. Por que não buscar-se os mesmos métodos (inteligência, não torturas), acabando logo com os covardes que temem um confronto aberto com a Polícia - atacam de emboscada, à traição, são medrosos e interesseiros, ao contrário dos subversivos que eram idealistas e prontos a morrer por suas idéias? Nossos bandidos são medrosos, não aguentariam a menor pressão, desde que efetiva. Vamos repensar essas bobagens escritas em códigos, artigos, parágrafos e itens.

A sociedade deve livre viver. O bandido nem sei se deve viver. Roubam vidas, patrimônios e agora também nos roubam o maior direito: a liberdade. Os papéis estão invertidos - a sociedade se enclausura colocando-se atrás de enormes grades ou muros, enquanto em nossas ruas, livres e impunes passeiam os bandidos (cuidado ao sair no portão ou olhar pela janela!). Policial atira em bandido e é preso - assim exige os ''direitos humanos''. Bandido quando mata policial é uma vítima da sociedade que não lhe deu nenhuma chance neste mundo. Chega! Onde vamos parar? É chegado o momento de se utilizar o amargo remédio de um ato institucional aliás, esse presidente que aí colocaram baixa uma MP (medida provisória) a cada dois dias , pondo um fim a essa selvageria imposta por covardes bandidos.

JOSÉ ANTONIO LUCCHESI é delegado de Polícia 2 classe em Marilândia do Sul

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