Segurança pública e o nosso voto

Paulo Rogério Sanches

Penso que a população brasileira esteja assustada com tudo isso que vem acontecendo. Quem não está? Porém, gostaria de abordar um ângulo que talvez poucos se aperceberam. Estamos diante de uma criminalidade sem tamanho, ou seja, estamos nas mãos dos bandidos! Tudo começou quando a Polícia resolveu mexer com alguns elementos que detinham certo grau de liderança na criminalidade. E até aquele momento tudo estava ''calmo'', ou seja, o ''sistema'' criminal estava funcionando de forma adequada, mesmo com bandidos-chefes presos. Aqui se começa verificar que a coisa não estava certa.

Não podemos admitir que o crime seja comandado por presos, pois senão teremos a seguintes perguntas: onde está a segurança pública? Para que serve a prisão? A lógica de um sistema prisional é tirar a liberdade do sujeito criminoso como forma de pena, mas o que acontece no Brasil é que a prisão é apenas uma mudança de endereço do ''escritório''. Falou-se muito em outro episódio, semelhante e recente, que haveria no Brasil um ''poder paralelo''. Estamos sim diante de um poder - talvez nem tão paralelo assim - que não vê problema em ser administrado por encarcerados, contanto que a logística não atrapalhe, se não, teremos sinais de que a coisa não deve ser assim. Como acontece hoje.

Quando disse sinais quis dizer que os acontecimentos recentes não estão sendo levados a cabo, mas tão-somente são executados como uma forma de terror. E outra coisa que assusta é saber que a Polícia, mesmo atenta, pois a ameaça é diretamente voltada para ela, não está conseguindo evitar o dia seguinte. A polícia parece estar acuada. Lembrem-se que o autor de tais atos de terror é uma, muita atenção, eu disse no singular, uma facção criminosa, intitulada PCC (Primeiro Comando da Capital).

Quem sabe dizer o que acontecerá se houver uma aliança (aliança igual às políticas que só servem aos interesses escusos dos partidos) entre as várias facções criminosas existentes? O que vemos hoje é, sem dúvida nenhuma, um motivo sério para pensarmos mais atentamente na segurança pública, pois se deixarmos como está e apenas mantermos uma aparência de normalidade (e é isso que os comandantes do crime querem) a tendência é o sistema criminal crescer e se modernizar ainda mais. Por isso devemos, como cidadãos, nestas novas eleições que se aproximam, apresentar nosso voto a fim de limpar a política brasileira até mesmo os restos de pizza que ficaram no chão da Câmara e não deixar nunca de gritar os descalabros que acontecem reiteradamente em nosso país.

PAULO ROGÉRIO SANCHES é advogado em Londrina




São Paulo ou Bagdá: onde está a violência?

Darci Piana

A violência que explodiu em São Paulo sexta-feira contabilizava ontem, além dos danos materiais a bens públicos, ao transporte, mais de 70 mortes. No Iraque, no mesmo final de semana, as mortes não chegaram à metade do ocorrido aqui. Isso que no Iraque há uma mescla de conflitos de cunho religioso, a resistência ao ''invasor americano'' e uma eleição na qual grupos radicais se digladiam.

Em São Paulo um movimento orquestrado por gangues instaladas nas prisões, numa demonstração de força, de organização e de eficiência, está potencializando um perfil de prejuízos para toda a sociedade: prejuízos econômicos, políticos e sociais. O efeito que decorreu de imediato, ao ampliar para outras cidades e outros estados o ocorrido na capital paulista, só serve para a constatação dos padrões insuficientes de segurança prestados à população. O problema agora não é mais o Rio de Janeiro, onde a segurança é historicamente afetada por ação de gangues dos morros. O problema surge agora em São Paulo, que é referência em desenvolvimento no país.

O domínio por entidades do crime sobre o ambiente dos núcleos urbanos que até então se reduzia à produção de roubos, assaltos, sequestros e, não raro, à perda de vidas humanas, passa agora a gerar um ambiente de guerra civil, onde o inimigo está onipresente. Estamos em São Paulo ou Bagdá? O comércio é quem mais sofre pois tem que se mostrar aos consumidores. Numa conjuntura como a atual, ele fica exposto, e mais vulnerável aos criminosos. Aquele que ganha por comissão nas vendas, terá uma queda na remuneração, pois também os clientes não comparecerão.
O IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada do Ministério do Planejamento , divulgou ao final de 2005, um documento denominado ''Radar social'', com informações sobre diferentes aspectos da infra-estrutura brasileira, onde apontava como um dos principais problemas relacionados à segurança no Brasil a elevada presença do crime organizado. Se tudo isso já era mais do que sabido, conhecido e identificado por que não se tomaram as providências necessárias, em defesa da sociedade?
Permitimo-nos imaginar um empresário pertencente à União Européia ou ao Nafta, não conhecedor da realidade brasileira, ao ler nos jornais do seu país sobre os fatos ocorridos no final de semana em São Paulo e outras cidades do Brasil, qual juízo estaria fazendo sobre a conveniência de investir aqui? Da mesma forma, turistas, que podem trazer divisas para cá, que reação teriam ao ler sobre a segurança naquela que é tida como a cidade mais cosmopolita do país? Em síntese, novos investimentos e o turismo serão afetados, pois irão priorizar ambientes mais seguros.

DARCI PIANA é presidente da Federação do Comércio do Paraná

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