A fonte da fidelidade

Moacir Costa

Existe no ser humano uma tendência natural à infidelidade e a monogamia, uma raridade entre a maioria dos animais, é apenas uma imposição cultural e social para o homem civilizado. Estas são conclusões de uma tese polêmica, desenvolvida por cientistas da Universidade de Emory, em Atlanta, Estados Unidos. Eles pesquisaram o comportamento de cobaias da mesma espécie, em laboratório, concluindo que alguns machos tinham um hormônio que os levava a escolher sempre a mesma parceria para copular.

Entre os seres humanos, a maioria das mulheres procura resistir ao impulso da traição, enquanto os homens costumam sucumbir mais facilmente. Eles traem mais do que elas. A novidade é que, ao contrário do que acontecia no passado recente, agora eles começam a se sentir culpados por levar adiante casos extraconjugais. O fenômeno pode ser observado na recente geração de homens com menos de 50 anos, casados com parceiras que trabalham e que dividem responsabilidades em pé de igualdade. A maioria dos que estão acima dessa faixa etária continua a ser infiel.

De fato, homens e mulheres têm muitas diferenças. Divergem nas atitudes, na maneira de pensar e agir e principalmente no comportamento sexual. As mulheres adoram interagir, conversar, trocar. Estas características femininas aparecem logo na infância. Já os homens são de poucas palavras e reclamam que as mulheres não se interessam muito por sexo. Dizem que não são desejados e se ressentem de que elas raramente tomam a iniciativa.

Constatei, em estudo realizado ao longo de quatro anos com 105 homens, que mais da metade deles - 65% - não se sentem sexualmente desejados. Cerca de 60% declaram que são valorizados como pais, cidadãos e profissionais, mas não como amantes. De fato, muitas mulheres - especialmente as que têm mais de 45 anos - não procuram seus parceiros, embora sintam desejo.

Os homens mais jovens, por sua vez, geralmente não têm uma parceira fixa. Seus romances têm vida curta: no máximo uns quatro meses. Poucos traem porque realmente encontram a paixão de sua vida, mais forte que um eventual pacto de fidelidade. A maioria busca uma mulher fora do casamento para se auto-afirmar. O intuito é provar que ainda são viris, seja a si mesmos ou aos amigos. Não existe envolvimento emocional. É o sexo pelo sexo.

Sim, as mulheres também traem. Mais agora do que no passado, em decorrência da maior liberdade conquistada. Em especial se há algum agravante de insatisfação no relacionamento sexual estável, como a ejaculação rápida, um verdadeiro ''desmancha-prazeres'', que torna a convivência íntima desagradável. Mas, sempre há problemas emocionais envolvidos. Ao contrário dos homens, elas são bem mais seletivas na escolha do parceiro. Assim, enquanto eles traem por razões ligadas à auto-afirmação e desejo puro e simples, elas se tornam infiéis por desamor, decepção e até mesmo raiva do parceiro. Não por acaso, Chico Buarque, diz na canção em que reproduz as palavras de uma mulher infiel ''te perdôo por te trair''.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo




Ali Babá vive!

Paulo César de Souza

Onde está Ali Babá é a pergunta que todo brasileiro fez quando o procurador- geral da Republica, Antonio Fernando de Souza, divulgou que incluiu 40 mensaleiros na megaquadrilha do mensalão.

Conta a lenda que um certo presidente da República quando falaram que o seu gabinete teria três ministros para formar um trio de ministros, ele disse não e não. ''Ponham quatro que quero uma quadrilha''. Isto é real e aconteceu em algum país da América Latina.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa certa ocasião falou dos ''300 picaretas'' da Câmara dos Deputados, deixando seus companheiros, de então, de cabelo em pé. Todos acabaram se conformando, nenhum o levou ao Conselho de Ética. Os ''300 picaretas'' seguiram suas vidas e acabaram sendo úteis ao futuro dos 40 ladrões da quadrilha em boa hora desmascarada.

Agora a população brasileira vê, estarrecida, a absolvição pela Câmara dos Deputados de vários mensaleiros envolvidos, até o pescoço. Não importa o valor da propina. A CPMI dos Correios e a Procuradoria-Geral da República os achou por caminhos distintos.

Estariam, por acaso, absolvidos e absolvidores, entre os ''300 picaretas'' referidos pelo nosso sábio presidente? Certamente. Nunca se viu no Congresso tanta gente oculta, como fantasmas perdidos na noite suja.

Senadores, deputados, assessores, etc., trafegaram nas contas do mensalão, meses e meses, desfigurando as votações, trocando de partidos.

Acompanhamos a CPMI dos Correios onde um larápio confesso recebeu propina e desencadeou várias denúncias de corrupção, distribuição de verbas, cargos, mensalão, tráfico de influência, formação de quadrilha, dilapidação dos cofres públicos, manipulação de votações, etc.

A CMPI dos Correios denunciou, surpreendam-se, 40 pessoas entre ministros, parlamentares, dirigentes de partidos políticos, uma mera coincidência ou faltou o Ali Babá?

Outra surpresa: o procurador-geral fez referência a uma quadrilha do mensalão e também denunciou os mesmos 40. Será que também faltou o Ali Babá?

Nessa reforma da Previdência, com dados, paradigmas e teses falsas, incluíram os aposentados do serviço público que durante 35 anos pagaram religiosamente em dia suas contribuições enquanto o governo não fez a parte dele, nada recolheu.

Por essa e por outras e, dolorosamente, concluo afirmando que Ali Babá vive e está presente entre nós.

PAULO CÉSAR DE SOUZA é vice-presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social (Anasps)


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