ESPAÇO ABERTO
O sorriso e o afeto nas famílias
Elsie Pereira da Silva
Muito se tem falado e escrito a respeito de limites, organização e orientação na vida de uma criança. Mas para que exista assimilação destes conceitos o ponto de partida deve ser sempre o afeto. Ele é construído nas relações familiares e, por estarmos no ''Dia das Mães'', sugiro uma reflexão sobre seu papel.
Uma mãe afetuosa que conversa e ouve o seu filho, que promove calor, intimidade, estabilidade e segurança, desenvolve na criança o desejo de querer agradá-la, aprendendo de maneira natural quais comportamentos são adequados e quais não são.
Uma das primeiras lições na vida de um bebê é quando ele emite um sorriso e percebe um sorriso responsivo de alegria no rosto de seus pais. Ele aprende a generalizar essa lição emocional para outras situações da sua vida. A aprendizagem mais importante é aquela fornecida pela interação humana. Neste aspecto, a relação prazerosa com a mãe ajudará a criança a ser íntima, empática, a conversar sobre seus sentimentos, refletir sobre os próprios desejos e se relacionar com outras crianças e adultos.
Sendo o carinho e o afeto tão importantes, por que estamos tomando caminhos tão impessoais de interação com nossos filhos e famílias?
Antes de tentar encontrar uma resposta, se faz necessário entender que o cuidado impessoal é aquele que ocorre quando a criança nos primeiros anos de vida passa a maior parte do seu tempo cuidada por figura não-parental. A Fundação Kaiser, em um relato recente, revelou que as crianças passam em média de cinco a seis horas em frente à televisão ou ao computador. Durante esse tempo elas não estão recebendo afeto ou tendo experiências afetivas significativas para seu desenvolvimento.
Respondendo à pergunta acima, o estilo de vida moderno, com ambos os pais trabalhando fora, os levam a colocar seus filhos cada vez mais em atividades fora do horário escolar. Com isso, vão diminuindo o tempo de uma convivência descontraída. A educação está perdendo o toque pessoal e afetivo, tornando-se nestas circunstâncias mais orientadas à tecnologia. O computador está tomando o tempo dos diálogos, os e-mails substituem a comunicação pessoal, as novelas, o jantar em família.
O papel das mães é muito importante para ser comemorado em um dia específico, mas a data pode servir para que elas reflitam o que não deve ser perdido neste ritmo alucinante da vida moderna: o amor vivido no dia-a-dia com suas família.
ELSIE PEREIRA DA SILVA é psicóloga de crianças e adolescentes em Londrina
Professor paga meia?
Jozimar Paes de Almeida e José Mario Angeli
Tornou-se um hábito propagado há décadas pelos nossos governantes da extrema importância que eles atribuem ao profissional da educação, no caso, o professor. Sobre o educador se estabelecem os encargos de uma constante formação e renovação do conhecimento sistematizado, por intermédio do ensino, buscando assim, estabelecer os pressupostos fundamentais da lógica matemática, de uma expressão vernacular adaptada à dinâmica da língua, da construção contínua de nossa autopercepção, psico-filosófica no espaço/tempo geo-histórico.
Enfim, tarefas de elevada importância para uma constituição fortalecida de um povo, de uma nação. Estes pressupostos são amplamente divulgados na mídia, principalmente, quando se aproxima o famoso Dia do Professor ou, em momentos de processo eleitoral, quando se estabelece o risco de uma renovação política na administração pública. Temos que considerar que renovação não é bem uma prática que costuma ocorrer, tendo em vista, que as candidaturas alternativas que se apresentam constantemente são antigos governantes carcomidos pelo tempo, com um apetite insaciável pelo bem público.
Assim, gasta-se excessivamente em publicidade, mas infelizmente, minguados recursos são encaminhados à educação. Escolas com uma infra-estrutura sofrível de salas de aula, de laboratórios, de bibliotecas, de quadra de esportes são o local onde professores, funcionários e alunos têm que conviver e realizarem as suas atividades. Quanto aos professores depois de terem dispendido o seu tempo, dinheiro, suor, com longas noites de estudo, para se formar como profissionais possuidores de um curso de nível superior, lhes são concedidos um prêmio, ou melhor um castigo: irão receber um salário de aproximadamente metade do valor de um outro funcionário com curso superior da administração pública deste mesmo governo de Estado.
Isto significa que, se um professor for trabalhar como funcionário, portanto, possuidor de nível superior na Secretaria de Educação irá receber R$ 2.048,00. No entanto, se resolver, trabalhar como professor para este mesmo governo, irá receber R$ 1.030,00. Como é possível considerar, a partir destes dados esclarecedores, que há uma valorização do professor? Estes valores, com proporções semelhantes, se repetem, também na UEL, onde se formam professores. Ambas categorias profissionais em início de carreira recebem: funcionário R$ 1.865,18, enquanto, professor R$ 960,00.
Com estes dados comprovados e, considerando que os funcionários de nível superior, não têm um salário digno de seus esforços, isto é, não são privilegiados, resta-nos a triste constatação da ínfima importância atribuída ao professor. Professor não paga meia no supermercado, no açougue, na farmácia, na padaria, então por que recebe meio salário? Quem vai querer ser professor nestas condições? Que estímulos e condições terá um professor para exercer da melhor forma a sua atividade profissional?
JOZIMAR PAES DE ALMEIDA e JOSÉ MARIO ANGELI são, respectivamente, professores dos departamentos de História e Filosofia da Universidade Estadual de Londrina





