Em quem votou nas últimas eleições?

Maria José dos Santos Rossi

Você lembra em quem votou nas últimas eleições? Com este título a Folha de Londrina na coluna ''Fala, Cidadão'' (9/5) apresenta 4 entrevistados, acho que escolhidos aleatoriamente, mas que respondem com a maior sinceridade. Dois se lembram do prefeito, outro só se lembra do presidente e apenas um diz ''Lembro de todos candidatos e sei o que eles fazem (...)''. Assim é a população brasileira. Apenas poucas pessoas levam o voto a sério como se a cidadania se restringisse apenas ao ato mecânico de votar. Assim os descaminhos da política e dos políticos nos diz respeito, pois, somos nós (a população) que os colocamos nos cargos e não os fiscalizamos. Mas como fiscalizar se nem lembramos em quem votamos?

O escritor João Ubaldo Vieira em uma matéria veiculada pela internet que vem a calhar em nossa análise, ''Precisa-se de matéria-prima para construir um país''. Nesse artigo, ele lembra bem as nossas vaidades de termos bens materiais, inclusive os mais pobres, com TV, geladeira e outros bens, mas não gostarmos de ler. Um país onde se compram carteiras de motoristas, certificados médicos, onde se criticam os governantes, em todos os níveis de poderes, colocando a culpa pelas mazelas do país na conta deles, mas esquecendo a sua participação real na vida política do país.

A esperteza brasileira, concebida como congênita, uma desonestidade em pequena escala que vai do furar a fila no banco, até converter-se em escândalo, falta de qualidade humana é muito combatida por ele. Ele se entristece e no meu caso também, vendo os vícios, a corrupção serem combatidos apenas de um lado, quando para cada corrupto há um ou vários corruptores. A palavra cidadania não se refere apenas ao ato mecânico do voto. Ela contém direitos e deveres dos cidadãos de fiscalizar aqueles que não fazem jus ao mandato que lhes foi delegado.

A cidadania é um processo de educação desde a infância através dos exemplos dos pais, dos professores e dos adultos em geral, dentro de padrões éticos e morais respeitando o que deve ser respeitado. O quarto poder da República, os meios de comunicação, em especial os de massa, devem estar comprometidos com a construção do país com padrões éticos. O nosso autor termina o seu artigo com a seguinte afirmação: ''Está muito claro ... Somos nós que temos de mudar. Sim, (...) desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.'' Ele arremata dizendo ''Agora, (...) francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido''. E se olhando no espelho ele se assegurou que o encontrou. Meditemos sobre isso.

MARIA JOSÉ DOS SANTOS ROSSI é professora aposentada da Universidade de Brasília e professora sênior da Universidade Estadual de Londrina




Diluir, pela luz, a escuridão

Walmor Macarini

Tenho escrito que há parcelas individuais de culpa, em todas as pessoas, pelo que acontece de mau ao nosso redor. Assim como há um mérito em cada um pelo que ocorre de bom. As guerras, atentados, crimes, desavenças, que vemos acontecerem pelo mundo e em nosso meio, começam a plasmar-se primeiro em nossas mentes, e pela saturação acabam gerando a explosão, próxima de nós ou em qualquer parte do Planeta.

Os males da humanidade são resultantes da emanação das nossas iras e desejos de vingança às vezes contra pessoas que nem nos fizeram mal e sim a outros e irrompem sobre nós próprios ou sobre os mais fragilizados, porque mais receptivos. Os ódios e anseios de vingança são como gases venenosos que vamos lançando no ambiente, até que formem uma grossa camada, que acaba desabando.

Os delitos humanos oriundos, em princípio, dos seus próprios agentes, geralmente propensos também são robustecidos pela irradiação dos sentimentos das massas. Se odiamos o delinquente, ao invés de buscar caminhos para recuperá-lo, o pioramos mais e nos pioramos também. Devemos, para tudo, buscar fórmulas salvadoras, mas sem ódio. O ódio corrompe tudo e nos destrói.

Expressões vistas em faixas e cartazes, como ''queremos justiça'' (geralmente ante um crime), têm o mesmo poder negativo do ato cometido por aquele que queremos justiçar. Talvez até mais forte, porque impregnado de ódio. Se a menina, em lugar distante, mata os pais, não nos incumbe ficar espumando ódio contra ela. Porque esse nosso ato se ombreia ao ato dela. Então, passamos a ser iguais. Alguém já pensou em orar por ela?! Se há uma justiça terrena, ela se incumbe do caso; e a denominada ''justiça divina'' (que não é vingativa mas misericordiosa) fará a sua parte. Não pensemos, porém, que essa dita justiça superior será cruel como deseja a sede vingadora dos homens.

A saturação de tantas emanações negativas resulta em erupções, aqui e acolá, multiplicando a ocorrência de mais coisas ruins. Uma emissão de ira tem o poder do raio e se materializa, atingindo o alvo ou, se este estiver invulnerável o impacto retornará a quem o detonou. É como uma bola que lançamos à parede. Ela volta à origem com a mesma intensidade do arremesso.

Então, como fazer? Da mesma forma que as coisas são criadas, elas podem ser desfeitas, porque o agente é o homem. Tudo no universo gira por um princípio inteligente de causa e consequência, e se revidamos, convertemos a consequência em nova causa, e assim sucessivamente.

Mentes positivas sintonizam-se na frequência da grande Origem (à qual damos o nome de Deus), onde não há nenhuma densidade maléfica. O retorno disso será uma projeção idêntica. Quando todas as mentes fizerem essas boas emissões de pensamentos e sentimentos, evitando vibrações inqualificadas, os males se diluirão como a escuridão ante a luz.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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