ESPAÇO ABERTO
Dom Albano, uma outra visão
Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos
Respeito o artigo anterior sobre dom Albano. No entanto, deixo aqui a minha opinião, não sobre a sua pessoa, mas sobre a atuação como arcebispo de Londrina. Prefiro fazê-lo agora enquanto ainda está no cargo. Dom Albano tem inúmeras qualidades como ''homem de Deus''. É humilde e sensível aos que dele precisam. Eu próprio atesto a sua proximidade e atenção nos vários momentos em que, mais como amigo do que como bispo, abriu espaço ao diálogo. É catequético. Habituou os londrinenses a olharem-no como uma pessoa simples e complacente, distante dos conflitos, sempre em atitudes conciliatórias.
O arcebispo não gosta de confrontos. Tenta até a última, preservar a todos e tudo que for possível. Na época das denúncias sobre corrupção municipal teve imensa dificuldade em aceitá-las como verídicas, e até hoje não saberia dizer se no fundo do seu coração as aceita como tal! Preservou sempre alguns nomes que a Justiça arrolou em processos. Com muito custo e paciência eu e alguns integrantes do Movimento pela Moralidade, conseguimos que ele se envolvesse naquele processo de depuração ética na cidade. Talvez por uma questão de formação ou mesmo de personalidade, prefere que a Igreja se mantenha mais distante.
Dom Albano demonstrou pouca isonomia no tratamento de erros dentro da própria instituição. A uns tratou com severidade e a outros com benevolência. Foi extremamente tolerante a determinadas falhas e exacerbadamente exigente com outras. Na segunda metade de sua missão em Londrina, revelou-se um bispo ''aposentado'' precocemente e rodeado de um pequeno grupo que foi determinando os rumos da arquidiocese. Cansado, ele procurava segurança em projetos ou pessoas que o ajudassem a ter a firmeza que o cargo exige. Não vejo nada de negativo nesta atitude. Apenas uma performance de governo. Colado ao atual prefeito de Londrina após a eleição de 2000 - após e não na campanha - mostrou uma proximidade exagerada e não recomendável em relação ao Executivo, que resultou numa situação constrangedora da Igreja na questão do terreno para a PUC (polêmica do Jokey Club) e no silêncio da mesma, sobre a campanha eleitoral.
A sucessão de artigos ou testemunhos que simplesmente enalteçam o arcebispo cessante, não me parece justa. Dom Albano cometeu erros. Quem os não comete? Acredito que a diocese passa por uma crise de renovação de lideranças e de orientação teológico-pastoral e com sérias dificuldades em enfrentar os desafios que estes tempos lhe apresentam. O investimento em obras materiais foi desproporcional ao que seria desejável em outras áreas. Campos de fronteira como a universidade, os trabalhadores organizados, os jovens e a própria zona rural da arquidiocese, estão descobertos e sem uma atenção efetiva.
O arcebispo chegou com os auspícios de um pastor progressista do qual se esperavam decisões colegiadas que apontassem para a Igreja, um futuro intervencionista na sociedade e uma linha pastoral aberta e arejada. Com o passar dos anos, a ''prudência'' o levou a determinadas opções bem conservadoras, que incutiram no panorama eclesial londrinense um perfil que nem em embrião existia no início dos anos noventa, quando da saída de dom Geraldo. Estou consciente de que em se tratando de ''opções'', tem a legitimidade de quem com autoridade as assume.
MANUEL JOAQUIM RODRIGUES DOS SANTOS é padre na Arquidiocese de Londrina
Resíduos industriais e controle ambiental
Fábio Rogério Ortiz
Impacto Ambiental, de acordo com a resolução 001/1986 do Conselho Nacional de Meio Ambiente - Conama -, é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por alguma forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população, as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos ambientais.
Sendo assim, o lançamento indevido de resíduos sólidos, líquidos e gasosos de diferentes fontes ocasiona modificações nas características do solo, da água e do ar, podendo poluir ou contaminar o meio ambiente. A poluição ocorre quando esses resíduos modificam o aspecto estético, a composição ou a forma do meio físico, enquanto o meio é considerado contaminado quando existir a mínima ameaça à saúde de homens, plantas e animais.
A grande diversidade das atividades industriais ocasiona, durante o processo produtivo, a geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, os quais podem poluir, contaminar o solo, a água e o ar, sendo preciso observar que nem todas as indústrias geram resíduos com poder impactante nesses três ambientes.
Em um primeiro momento, é possível imaginar serem simples os procedimentos e as atividades de controle de cada tipo de resíduo na indústria. Todavia, as diferentes composições físicas, químicas e biológicas, as variações de volumes gerados em relação ao tempo de duração do processo produtivo, a potencialidade de toxicidade e os diversos pontos de geração na mesma unidade de processamento recomendam que os resíduos sejam caracterizados, quantificados e tratados e/ou acondicionados, adequadamente, antes da disposição final no meio ambiente.
Entre as diversas atividades para a estruturação e implementação de sistemas de controle de resíduos, estão o treinamento de funcionários, a realização de auditorias ambientais e a implantação de programas e procedimentos para obtenção dos certificados ISO 9.000 e ISO 14.000.
FÁBIO ROGÉRIO ORTIZ é mestre em Agronomia e professor em Londrina





