Trânsito: intenções indignas
Julieta Arsênio

Já não nos basta os sentimentos de indignação nas questões políticas, econômicas e sociais, ainda somos tomados pela negligência de algumas autoridades em relação ao trânsito de Londrina. A cada gestão municipal ouvimos a ''intenção'' da criação do projeto para um plano diretor que viabilize um trânsito saudável e seguro. Porém, fica na apenas na ''intenção'', gerando insatisfações nos usuários que ''cobram'' soluções.
A Avenida Maringá encontra-se na berlinda. Uma via estreita de mão dupla e estacionamento em ambas mãos de direção, com uma ''linha de segurança'' no meio, que de seguro levou à morte o pároco das imediações. Quero deixar registrado a imperícia do motorista infrator, apesar de estarmos falando da via pública.
Diariamente, levamos meu neto ao Colégio Marista, salvo engano, o único a se preocupar com a segurança de seus alunos, propiciando um excelente espaço físico para o embarque e desembarque dos mesmos, além dos agentes de segurança para controlar o difícil fluxo de trânsito no local.
Ao retornarmos para o centro, somos obrigados, por questões físicas da via, seguir pela Maringá até a rotatória Castelo Branco e pegarmos a Rua Goiás, que aguarda a ''desapropriação dos imóveis'' para sua duplicação. Esta via vem se tornando intransitável com enormes filas de veículos.
Realmente, um plano diretor fica só nas intenções, pois tentar consertar o que está cada vez mais complicado fica difícil e impraticável, dada a complexidade dos fatos acumulados e não solucionados. Trânsito é um conjunto de deslocamento de seres humanos, através de um sistema regulamentado, planejado e fiscalizado, refletindo o que chamamos de comportamento social.
Não podemos traçar trânsito, privilegiando pontos comerciais e comodismo de alguns motoristas. Devemos planejá-lo, na segurança e na qualidade que possa produzir o seu fluxo. Todavia, é preciso que haja uma predisposição para solucionar os impasses que diariamente os meios de comunicação trazem como manchetes sobre as ocorrências que causamos em nosso trânsito.
Só podemos solucioná-los, enfrentando-os. Para tal, devemos participar junto aos órgãos públicos na busca desses resultados plausíveis que atendam não só os interesses particulares de alguns, mas de todos nos usuários desse sistema. Se assim não for, outras gestões virão e outras ''intenções'' surgirão e resultados que é bom, nada.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em comportamento de trânsito em Londrina

Gestão de resíduos perigosos na UEL
Carmen Luisa Barbosa Guedes

Da mesma forma que a maioria das empresas instaladas em Londrina, algumas das quais já tivemos a oportunidade de trabalhar em parceria, seguem à risca ou buscam alternativas tecnológicas para cumprir ou se adequar à legislação ambiental vigente, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) desde 14 de fevereiro de 2003 instituiu um grupo de trabalho para elaboração de propostas para o gerenciamento ambiental desta instituição. O grupo, constituído por docentes e funcionários, trabalha sem função gratificada ou cargo comissionado. Recebe o apoio da reitoria e de representantes das pró-reitorias, dos centros de estudos, departamentos, e ainda, em parceria com o Laboratório de Produção de Medicamentos, Hospital Veterinário, Hospital Universitário, Hospital de Clínicas, Fazenda Escola, Clínica Odontológica, Biblioteca e Prefeitura do Campus.
O grupo atua na conscientização, no levantamento de dados sobre os resíduos passivos ou correntes de resíduos gerados a partir do ensino ou da pesquisa, na elaboração do programa de gerenciamento ambiental da UEL, na preparação de projetos para buscar apoio financeiro externo, na avaliação de ações e na determinação de metas para que em curto, médio e longo prazos a UEL possa exercer a máxima excelência que permeia todas as suas atividades. É imprescindível buscar mecanismos claros que permitam equacionar de maneira definitiva a questão dos resíduos perigosos nas instituições de ensino e pesquisa.
Algumas imagens, cartas e comentários maldosos, alguns veiculados na mídia nos últimos dias, de maneira oportunista e eleitoreira, não contribuem em nada para o desenvolvimento da UEL ou de Londrina. Por que será que estas denúncias foram acontecer justamente agora, na ocasião da escolha do reitor e vice-reitor da UEL? Estivemos armazenando resíduos em vários setores da universidade durante alguns anos, e nos anos mais recentes vimos buscando alternativas para a destinação final adequada. Por que só agora, nos últimos dias, quando estamos justamente na etapa de classificar, separar e reembalar os resíduos químicos, como previsto no gerenciamento ambiental da UEL e no subprojeto de gerenciamento dos resíduos perigosos, é que denúncias vêm à tona?
Faço um apelo às empresas, à comunidade universitária, à comunidade externa e aos órgãos ambientais que sejam solidários e colaborem com a universidade na superação de mais esta etapa. A diversidade de pensamentos políticos é saudável e constrói, porém, os ataques pessoais e, principalmente, atitudes de indivíduos politiqueiros só depreciam e levam ao demérito as instituições. Continuemos persistentes e relutantes em nossos ideais!
CARMEN LUISA BARBOSA GUEDES é professora do departamento de Química e coordenadora do programa de gerenciamento de resíduos químicos da Universidade Estadual de Londrina

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