Jardim Botânico: um investimento essencial

Agnaldo Kupper

A notícia de que o Jardim Botânico de Londrina tornou-se uma realidade sem volta talvez seja a melhor dos últimos anos a uma cidade, há muito, foco de manchetes ligadas à corrupção, fraudes e descasos. Para alguns (ou muitos) a implantação de jardins botânicos em um país com tantos problemas estruturais, dividido entre a riqueza de alguns e a miséria de muitos, pode parecer supérflua. A estes, peço maior reflexão a respeito, uma vez que estas unidades possuem papel fundamental na busca de conscientização ambiental, na observação, na classificação, avaliação e utilização do patrimônio natural. No passado, os jardins botânicos eram vistos como fontes de disseminação de espécies exóticas. Não é mais assim.

No mundo, existem cerca de dois mil jardins botânicos e arboretos. No Brasil, são cerca de trinta destas unidades. Alguns se sustentam sem apoio. Outros se perdem em seus propósitos (o de Curitiba, por exemplo, mostra-se mais ''jardim'' do que ''botânico''). Cerca de um terço dos jardins botânicos do globo pertencem a universidades e outros institutos de pesquisa superior; uma pequena porção é privada. Cerca de 60% destas estruturas estão localizadas em regiões temperadas na América do Norte, Europa e nos países da antiga União Soviética. Na África, sudeste asiático e África do Sul, temos poucos jardins botânicos, exatamente em áreas de concentração de espécies endêmicas.

A preocupação com o meio ambiente tem levado o mundo à busca de cooperações e à discussão de vários temas ambientais. Alocam-se recursos, assinam-se protocolos, buscam-se políticas, até porque a Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CBD, em vigor desde 1993), aferiu efeitos negativos da perda da biodiversidade na qualidade de vida humana. Os jardins botânicos vêm procurando desempenhar atividades para o alcance dos objetivos determinados pela CBD, como a dedicação a pesquisas botânicas e identificação de ações para a bioprospecção de espécies economicamente importantes.

Embora a estruturação de um jardim botânico em Londrina seja motivo de grande alegria, também é motivo de grande preocupação. Isto porque não pode ser uma causa abraçada pelo Governo do Paraná na figura do governador Roberto Requião e do seu idealizador, o secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Luiz Eduardo Cheida, mas por todos, uma vez que a obra é contínua. Mecanismos que garantam a sustentabilidade de um jardim botânico mostram-se fundamentais, uma vez que uma unidade como esta não pode ser dependente apenas do dinheiro público. Para a captação de recursos, um jardim botânico deve mostrar para que veio, envolvendo-se em temas contemporâneos que busquem reflexões que envolvam a sociedade em geral. Para tanto deve trabalhar em rede, apoiando e recebendo. colaboração de outros jardins botânicos do globo. Caso contrário pode ser visto como dispensável. Crescer não exclui proteção ao meio ambiente. Que Londrina atente para o que está prestes a receber.

AGNALDO KUPPER é professor do ensino médio, de cursos pré-vestibulares e ensino superior em Londrina



O lixo nosso de cada dia

Waldemar de Oliveira Neto

É um fato notório que os recursos naturais em nosso planeta estão cada dia mais escassos, o petróleo que é um recurso natural não renovável está acabando, as florestas, aos poucos, estão sendo dizimadas. A água está sendo consumida numa velocidade muito maior que a sua capacidade de armazenamento e as fontes de energia renováveis sendo utilizadas de forma bastante reduzida. O único ''recurso'' que continua a crescer são os resíduos sólidos urbanos.

O Brasil apesar de ser reconhecido como um dos países que mais recicla lixo, ainda trata a maior parte dos resíduos sólidos com desleixo. Produzindo aproximadamente 250 mil toneladas de lixo por dia, dos quais 76% são depositados a céu aberto em lixões, 13% em aterros controlados, 10% em aterros sanitários, 0,9% compostados em usinas e apenas 0,1% incinerados. O aumento da quantidade de lixo produzido por habitante na cidade é fruto do modelo de consumo da sociedade e começa a preocupar, devido ao seu potencial poluidor.

A educação é a mais importante ferramenta nesse sentido. Por meio dela, torna-se possível reconstruir uma idéia do lixo mais compatível com a nova tendência mundial, pelo menos em discurso, e de atuar sobre a produção do lixo. Para tanto, torna-se necessário que cada um faça reflexões sobre a produção de lixo em sua casa, fique atento ao desperdício tão comum em nossa cultura e desenvolva a capacidade de julgar as razões pelas quais determinado método de tratamento do lixo é escolhido em detrimento de outro.

A inserção ativa de cada ator social no enfrentamento da problemática do lixo, o monitoramento e a fiscalização dos poderes públicos com relação ao lixo são elementos essenciais num trabalho educativo que tem como meta retirar as pessoas do estado de impotência política, mostrando que o lixo é um problema de todos. Essa perspectiva exige que se dê ao lixo não apenas um tratamento técnico apropriado, mas um tratamento cultural adequado.

WALDEMAR DE OLIVEIRA NETO é químico industrial, mestre em Agronomia e professor em Londrina


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