ESPAÇO ABERTO
Rir ou aprender?
Ivan Lopes
Está na hora dos empresários perceberem que, realmente, seus colaboradores precisam é atender melhor, para vender mais. Existe uma grande dificuldade por parte das empresas em aceitar investir em treinamento contínuo. O que muitas empresas têm feito é mandar seus colaboradores assistirem palestras. Nada contra, porém, tenho ido a diversas palestras, umas muito boas, que realmente nos dizem alguma coisa, mas a maioria é uma verdadeira palhaçada, no sentido figurado da palavra. Uns fazem ''micagens'', outros cantam, outros dançam e tem até os que tocam violão fazendo daquele momento seu show, com público garantido. Mas, quando terminam suas ''palestras'', ninguém lembra nem da última piada.
A minha grande preocupação e indignação em relação a isso tudo é que existe um investimento por parte das empresas em divulgar seus produtos, investimento esse em veículos de comunicação, contratação de agências de propaganda, e tudo isso requer um resultado que é cobrado normalmente de seus vendedores, ou seja, do seu departamento comercial.
As empresas culpam muitas vezes o trabalho das agências, dizendo que o preço de veiculação foi muito alto, entre outros fatores. Porém, se esquecem do principal, que é a ação de recepção de toda essa campanha, ou seja, o atendimento de seus clientes. Colaboradores mal treinados não são capazes de recepcionar bem, e consequentemente, não conseguem vender.
Outro dia, fui a uma grande livraria comprar um livro para dar de presente, e quando cheguei ao caixa, vi em cima do balcão um outro livro que também me interessava, quando pedi para a funcionária do caixa acrescentar o referido livro, ela fez uma cara feia, pois já tinha registrado o primeiro e teria que cancelar a operação para registrar mais aquele. Enquanto isso, minha esposa me disse que tinha, também, um outro livro que eu queria, mas a essa altura com aquela cara feia olhando para mim, fingi que nem ouvi o que minha esposa tinha dito.
Será que o dono, dessa livraria tem noção de quantas vendas ele está deixando de fazer? Por achar que seu pessoal está preparado de verdade para vender, quando digo vender acrescente a isso atender. Pois, a venda nada mais é do que um bom atendimento com técnicas para fechamento de vendas.
IVAN LOPES é graduado em Marketing e Propaganda e gerente de vendas em Londrina
Brasil: à espera de um governo
Roberto Bueno Pinto
O grupo que compõe a massa de miseráveis e pobres (e há que diferenciar bastante entre ambos), está constituído por um grande contingente de pessoas dotada de escassa capacidade analítica sobre o alcance da intervenção política do governo na vida pública. Eles são os favorecidos pelas políticas públicas supostamente redistribucionistas do governo mas que, na realidade, manifestam tão-somente um caráter assistencialista e que tende a perpetuar situação que, supostamente, contra a qual emprega esforços.
Dentre os diversos projetos que o Partido dos Trabalhadores anunciou durante a campanha eleitoral uma estrela reluzia, o Fome Zero. Estava destinado à frustração, a não passar de tigre de papel, muitos advertiram sobre o fato. Modestamente, até mesmo o autor destas linhas teve espaço e oportunidade para avaliar o caso e firmar tal posição em livro (''O dilema petista: entre a velha esquerda e a social-democracia''). A fome é concreta, o Fome, retórica. Este é apenas um projeto parado porque destituído de fundamento para que possa mover-se. No entanto, outros tantos projetos já em andamento no Congresso não tiveram e nem contaram sequer com a competência política do governo para dar-lhes prosseguimento.
O país encontra-se inerte, um Congresso no qual hibernam a longo tempo projetos de interesse nacional e andam celeremente ações que têm por fim promover a impunidade. Há, por exemplo, projetos parados sobre saneamento básico, tema cujo impacto negativo sobre as arcas do Tesouro a área de saúde muito bem avalia. Há ainda projetos da importância da Lei do Gás, ainda mais neste momento onde políticas demagógico-nacionalistas como a de Morales na Bolívia ameaça dia após dia o patrimônio e os investimentos da Petrobras naquele país. Ainda para destacar a importância do assunto, há projeto de gasoduto em elaboração. Este teria alcance continental, partindo da Venezuela, como fornecedora, rasgando quase que de Norte a Sul o território do Brasil, até alcançar terras argentinas.
Dentre outros projetos negligenciados pelo enlameado governo, ocupado tão-somente em projetar as eleições de sorte a manter certos privilégios e alguma distância dos tribunais, há a lei das agências, o polêmico projeto 3.337/04. Seu trânsito pelas alas, corredores, escritórios e gavetas no Congresso dura nada menos que dois anos! Ali se trata nada menos do que de redefinir o papel das agências. Por fim, o problema dos transportes. Há leilão previsto de sete rodovias federais, por incrível que pareça, pendentes desde o final do governo Fernando Henrique Cardoso. Sinal de evidente paralisia e incompetência administrativa, a decisão sobre o assunto não é tomada. Os nobres congressistas não atribuem muita importância ao assunto, uma vez que se trata de interesse nacional de médio e longo prazo. Interesses profundos, visões curtas. Incompatibilidades abertas.
ROBERTO BUENO PINTO é professor de Direito em Guarapuava





