O poder de mudança está em nossas mãos

Bruna Hellen Prado

  A população não está satisfeita com o que está ocorrendo em nosso país. A saúde está cada vez mais precária. A segurança está
falha. Faltam profissionais nas áreas da saúde. Hoje temos que nos prender, encher nossas casas de grades, nos privar de sair tranqüilos, pagar seguro de carro, colocar alarme nos
veículos e nas residências, tudo isto porque quem deveria estar preso está solto e nós, pessoas de bem que mereciam estar livres, estamos ‘‘presas’’.
  Os governantes alegam que faltam recursos. Engraçado, para realizar campanhas eleitorais milionárias e para formar caixa dois, não faltam recursos. Dinheiro que poderia servir para contratar médicos, enfermeiros, policiais, investir em educação, melhorar os incentivos de quem arrisca a própria vida pelo bem da população, como é o caso dos nossos policiais ou de pessoas que estudam para salvar vidas, como médicos e enfermeiros. Mas não, os incentivos são somente para aqueles que recebem salários exorbitantes para decidir o que é melhor para o povo, mas normalmente só decidem o que é melhor para eles próprios. Será que isso é justo? Colocamos no poder pessoas erradas e não podemos tirá-las de lá?
  O povo deve analisar bem este ano, que
é ano de eleição. Peço encarecidamente que
a Copa do Mundo, paixão dos brasileiros, não desvie nossa atenção das eleições, que
também serão realizadas este ano e, sem querer ser estraga-prazer, o nosso futuro depende bem mais das eleições do que de um título de campeão de melhor time de futebol do mundo.
  Existe um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) de iniciativa popular que pede para que o povo faça valer seus direitos, como por exemplo, tirar representantes que colocamos no poder quando os mesmos abusarem
de seus cargos, entre outros que constam
na Constituição Federal de 1988 e não são respeitados.
  O Brasil precisa disto e o povo merece mais respeito. Vamos fortalecer a democracia, vamos dar mais força ao cidadão e reduzir as possibilidades de abuso do poder. Divulguem e defendam esta idéia. O projeto foi proposto para ser divulgado por alunos do 4º ano do curso de Administração da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Para conhecer este projeto acesse: www.ldbjet.pop.com.br

BRUNA HELLEN PRADO é estudante 4º ano do curso de Administração Noturno da Universidade Estadual de Londrina


Conduzir-se ou ser conduzido

Walmor Macarini

  Não leia esse livro, não veja esse filme, recomendam vozes externas. Bom é que cada qual pergunte a si próprio o que deve ler, ver, ouvir, praticar. Se a pessoa tem segurança em sua fé e em suas convicções, nada há a temer. Mas se isto lhe escasseia, então ler um livro, ver um filme ou ouvir a palavra de alguém poderá influenciá-lo e perturbá-lo. A quem é convicto, nada que lhe chega de fora o abala, mesmo que contrarie seus princípios e verdades.
  Impor posturas a alguém é uma forma de jugo, de mantê-lo cativo, de colocar-lhe correntes de servidão. Uma instituição que se pressupõe sólida deve permitir aos seus congregados a plena liberdade, porque se eles são seguros, nada mudará seus valores. Não é estar em um lugar, escutar os que ali se manifestam, conhecer o que os outros escrevem e criam, que irá mudar uma pessoa convicta. Uma corporação que proíbe algo aos seus membros, na verdade está temendo que eles se convertam ao que lêem ou assistem.
  Só pessoas submissas aceitam ser proibidas de conhecer certas coisas. Porque aqueles que já transpuseram o estágio das incertezas não se perturbam com nada. É frágil tudo o que necessita de escudo de proteção. Impor algo é intromissão, é ingerência no livre-arbítrio, é uma forma de violentação.
  Quando alguém lhe diz algo e você absorve, então era isso que estava em você, já pronto e consolidado. Poderia não estar ainda não desperto mas estava latente. Se você não absorve por inteiro porém isto lhe causa dúvidas e o faz pensar, então essas dúvidas estavam ali, fermentando-se, à espera de serem dissipadas. Fugir das coisas, temendo influenciar-se por elas, é fraqueza de convicção. Há pessoas que desejam perscrutar, mas temem que ocorra mudança de opinião, e isto as amedronta.
  É uma confortável postura deixar que os outros pensem por você, sintam por você, decidam por você. Porque quem assim se posiciona, não deseja pensar. E desse modo perde a oportunidade de escutar a voz sábia que lhe vem de dentro. Quem é liberto e convicto não depende do que lhe chega de fora, para pensar por ele, sentir por ele, decidir por ele. E assim, qual ventríloquo, fala pela voz do outro.
  Quem é livre, navega sereno e a tudo vê e a tudo assiste. Ouve todas as versões e não se altera. Se algo soa diferente de sua segura convicção, passa ao largo, sem importunar-se. Mas se tem dúvidas, e assim mesmo teme pensar e buscar – permitindo-se não ser o regente de sua própria vida mas confiar isto a terceiros – então deve ser obediente ao comando alheio e continuar pela cômoda trilha da dependência. Mas desperdiça a oportunidade de fazer suas próprias descobertas.

WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal.
e-mail:[email protected].

mockup