ESPAÇO ABERTO
O equilíbrio faz a diferença
Moacir Costa
Ainda hoje as pessoas se perguntam se é possível viver um casamento perfeito, uma relação só de qualidades, com muita harmonia, muito prazer e muita realização. Será que o ser humano é capaz de manter uma união saudável? Acredito que sim. O segredo está em manter o equilíbrio entre os pólos opostos, o yin e o yang, o dar e o receber, o falar e o ouvir. É, simplesmente, aceitar a própria personalidade e a do seu parceiro, com delicadeza e sintonia fina. Em resumo, implica habilidade em lidar com o que para nós pareça defeito, no outro. Com a doce vontade de entender e acolher.
O casamento saudável é o que se apóia na verdade, é o que consegue superar dificuldades com companheirismo, muita conversa, respeito e amor. O mundo está cheio de casais inseguros porque fingem e mentem. Aceitam fazer coisas que não querem e nas quais não acreditam, só para não aborrecer o companheiro. Assumem durante um bom tempo de convivência um jeito de ser que não é o seu. Sufoca a sua personalidade e se anula para se tornar o que o outro espera. O problema é que isso acumula mágoas e uma hora a coisa toda explode, seja em ressentimentos, seja em doenças. Ser o que a gente não é custa muito, muito caro.
Já o casal saudável, feliz, é o que assume os seus altos e baixos, tem suas brigas e seus períodos de intolerância e irritabilidade. Quando um está em crise, o outro respeita e espera o momento certo para se aproximar. Por isso mesmo, essa dupla desenvolve uma capacidade incrível de fazer reparos, enfrentar problemas, com um alto grau de admiração e respeito pela individualidade de cada um. Sem impor sua vontade, sem querer dominar.
São pessoas que aplaudem o crescimento de seus pares. O sucesso alheio não traz ameaça. Ao contrário, amplia o desejo. A sexualidade, por causa disso, é viva e vigorosa. Existe transparência, cumplicidade e franqueza na relação. Esse é o modelo que tem tudo para dar certo.
Homens e mulheres com esse perfil - é possível criá-lo, gradativamente, acredite! - conseguem reconhecer quando está na hora de criar estímulos ou há necessidade de tirar férias conjugais. Não se culpam, nem conversam em tom de ameaça. Dividem responsabilidades e fazem planos juntos. Respeitam-se, porque preservam e amplia a auto-estima. É uma parceria plena de crescimento, de ambos os lados.
A sexualidade tem períodos de maior e menor vibração, intercalados, mas o que importa é a qualidade intrínseca do relacionamento. Não existe preocupação com o grau de satisfação, muito menos com o desempenho. O nível de sintonia e entendimento facilita orgasmos intensos. A descontração e o bem estar estimulam o desejo, independente do quanto tempo que vivam juntos. O equilíbrio faz toda a diferença, na satisfação que pode gerar uma vida a dois.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Repensando a UEL
Eduardo Judas Barros
A Universidade Estadual de Londrina (UEL) está vivendo o processo de eleição para reitor e vice-reitor e as campanhas estão entrando em ponto de ebulição. Para que a eleição não seja meramente um ato de escolha de um ou outro candidato conforme as suas ligações pessoais, que a comunidade universitária faça uma reflexão séria sobre que universidade queremos, que será consequência em grande parte da escolha que fizemos, como já temos visto. Um fato sintomático que nos chama atenção é precisamente de que existem cinco candidatos postulando o cargo de reitor. Destes, quatro proclamam ser da oposição e apenas um indicado para defender a situação.
Um diagnóstico superficial demonstra claramente que existe um descontentamento geral na instituição que leva a repensar na mudança do comando da universidade. Apertem os cintos, o piloto sumiu. Na gestão de qualquer organização é muito importante uma correta visão das estruturas e dos seus fluxos, observa o ex-reitor da USP Jacques Marcoviter. Conforme ele, três objetivos validam o trabalho de um gestor: a consolidação dos valores; a conquista dos resultados; e a preservação do poder.
Resultados podem ser alcançados paralelamente ao culto dos valores na organização, mas um desmedido apetite do poder afeta quase sempre as duas outras metas. Embora atuando para obter apoio e sustentação ao seu programa um gestor jamais deve subordinar objetivos acadêmicos a proveito de natureza política. Transformar a universidade num antro de politicagem partidária sórdida é destruir as bases da própria universidade.
A universidade tem essencialmente uma função social a cumprir, que é a de formar profissionais qualificados e cidadãos ativos para exercer as mais diversas atividades e a de produzir o saber e pensamento críticos nas diferentes áreas de conhecimento ciêntífico, tecnológico e cultural, com a consciência do seu papel social, reconhecendo, que antes do seu compromisso profissional, existe o compromisso social.
Para entender o que é hoje a universidade e qual o seu papel no futuro das sociedades no processo de globalização, particularmente no terceiro mundo, temos que discutir e redimensionar a função da universidade. Para muitos autores, as universidades brasileiras passam por uma crise de identidade que se não é a única nem a principal, não deve ser negligenciada. Essa crise de identidade resulta do fato de que a instituição não se reconhece nem é reconhecida mais, tão facilmente como no passado.
Para salvar a universidade é necessário e fundamental que cada membro da comunidade universitária transforme o ato de votar para o novo gestor da instituição, numa decisão de querer a mudança, repensando a universidade, e elegendo quem tem o verdadeiro compromisso com a política universitária e não política ideológica partidária, em primeiro lugar e em seguida analisar às propostas apresentadas que não sejam utopias desvairadas e promessas mirabolantes .
EDUARDO JUDAS BARROS é professor no Departamento de Comunicação Social da UEL





