ESPAÇO ABERTO
Péssimos hábitos do brasileiro
José Celso Martins
O Brasil sofre, na atualidade, momentos de péssimos hábitos de seus habitantes que contribuem para marcar os primeiros anos desse milênio. Não consigo, e imagino que outros brasileiros compartilhem do meu sentimento, aceitar alguns modismos praticados em nosso país, não só porque sou professor, mas porque sou principalmente brasileiro.
O brasileiro prima por deturpar a língua portuguesa. O modernismo deturpado faz escola e a língua pátria se desfaz. Virou mania nacional o emprego de frases em que o gerundismo se faz presente. Fosse de uso dos menos esclarecidos, poderíamos entender, mas difícil é aceitar esse modernismo em pessoas que têm o dever de ensinar. Soa mal, é feio e está errado. Talvez seja uma maneira de aproximação, pois se falam assim, eu também falarei.
O gerundismo está incorporado de tal forma no linguajar do brasileiro que as pessoas não percebem que estão falando errado. Essa distorção na língua portuguesa é conseqüência da pouca ou nenhuma leitura do brasileiro. O hábito da leitura vem de casa, da família, se os pais não lêem dificilmente os filhos desenvolverão essa prática.
Outro péssimo hábito do brasileiro, que também virou mania nacional, é a falta de pontualidade. Parece ser imperativo o descumprimento de horários em todos os segmentos da nossa sociedade. É um grande desrespeito para com as pessoas que seguem os horários, conseqüência da boa educação recebida.
E, por falar em péssimos hábitos, temos que destacar a onda de imoralidade que assola este país. Repugnante é o comportamento de alguns de nossos políticos diante dos resultados das CPIs, que divertem nosso povo. Sim, porque diante de tanta imoralidade e impunidade, só rindo. Nossa situação é confirmada brilhantemente pelos versos cantados por Ivan Lins pede a banda pra tocar um dobrado, olha nós outra vez no picadeiro...
JOSÉ CELSO MARTINS é professor da Fundação Faculdades Luiz Meneghel em Bandeirantes
Escola Livre de Música
Luiz Carlos Ferraz Manini
Quando ouvimos a consagrada expressão é música para meus ouvidos, rapidamente entendemos o seu significado: quer-se dizer que algo é prazeroso, que causa bem-estar ou, traduzindo em outros termos, está-se,
de alguma forma, contribuindo para a qualidade de vida. Não só fisicamente necessitamos de exercícios ou relaxamentos: nossa mente precisa de seus momentos de prazer, mas que contribuam para o seu crescimento e
desenvolvimento.
Apostando nesta perspectiva, um grupo de amigos reuniu esforços para fundar uma entidade que pudesse levar esta nova linguagem de vida a jovens que, sem maiores condições, dificilmente poderiam ter acesso a tal forma de arte. Com este intuito, a instituição não poderia tomar outro caminho a não ser o de oferecer gratuitamente os cursos, possibilitando a formação e o exercício da cidadania, ao promover a inclusão dos seus atendidos.
No entanto, a caminhada não está sendo fácil. Prestes a inaugurar sua sede, apropriadamente colorida em verde (a cor da esperança) muitas foram as conquistas, mas da mesma forma houve inúmeros dissabores. Promessas que ficam pelo ar, palavras vazias que não se concretizam, empolgações que não passam do entusiasmo do momento, sem continuidade. Gratamente pudemos contar com o apoio de diversos amigos e empresas parceiras em Londrina, para que o sonho da Escola Livre de Música se tornasse realidade.
Neste novo milênio, cada vez mais percebemos a importância de iniciativas como essa, que pode contar com o anteparo dos amigos voluntários, que, somente na perspectiva de doar-se, dedicam momentos de seus dias
à construção de um mundo no qual as desigualdades possam ser dirimidas, no qual a justiça possa prevalecer. O voluntariado é mais do que uma simples ação, como nos lembraria nossa amiga Rosa Okabayashi; o ser voluntário é a possibilidade de dar-se não esperando em troca recursos financeiros, ascensão na carreira ou favores diversos. O ser voluntário é a concretização dos ideais de um outro mundo possível, é a promessa de uma felicidade vindoura, construída pelo amor sincero ao próximo, erguida sobre a imagem da andorinha que, mesmo sabendo que não poderia apagar sozinha o incêndio na floresta, fazia sua parte levando uma pequena gota de água em seu bico.
Desta forma, não fazemos aqui apenas um balanço das vitórias alcançadas pela Escola Livre de Música de Londrina; pedimos para que cada um que nos lê volte os olhos para dentro de si e perceba que é capaz de participar, de ajudar na transformação. Rogamos para que este olhar interior possa nos trazer cada vez mais apoio, para que não mais precisemos confrontar nossas confortáveis alegrias com as durezas do mundo do lado de fora.
LUIZ CARLOS FERRAZ MANINI é professor de História em Londrina





