ESPAÇO ABERTO
Produtor rural, o herói brasileiro
Justino Correia Filho
O período é ideal para plantio da safra de inverno e as máquinas estão prontas para iniciar os trabalhos. Que maravilha! Isto é o que o agricultor gosta e sabe fazer muito bem, ou seja, semear e monitorar a lavoura ao longo do ciclo, realizando os tratos necessários para ser merecedor dos frutos generosos que a mãe terra há de proporcionar. Porém, em particular nesta safra, existe um grande desânimo por parte dos nossos produtores rurais: os custos da atividade aumentaram assustadoramente a ponto de inviabilizar investimentos e a conseqüente redução de tecnologia.
Esta importante atividade geradora de empregos movimenta a economia transferindo renda para os demais setores, contribui de forma expressiva com o superávit da balança comercial, e mesmo assim paga altas taxas de juros para custeio e investimento, se comparado com os juros do setor praticado em outros países. E ainda contribui para os recordes de arrecadação de impostos amplamente comemorados pelo governo, sem ter direito a um seguro agrícola adequado que possa permitir a tranqüilidade necessária para produzir alimentos.
A partir do ano de 1999 até 2004, com a desvalorização da moeda local, tivemos um período bastante favorável para o setor agrícola. Ao longo deste período, o mercado internacional estava comprador, pois os estoques mundiais de grãos estavam baixos, permitindo bons preços para as commodities em geral. Agora, o cenário é preocupante real valorizado, gripe aviária, e vamos plantar com alto custo e sabemos que a comercialização poderá ser difícil, pois o mercado sinaliza uma condição de preços deprimidos, a menos que o governo deixe de praticar esta política humilhante para com o setor agrícola e proporcione mecanismos de comercialização que garantam o preço mínimo que é direito do produtor, mas raramente respeitado.
Caso estivéssemos em um país que oferecesse uma política agrícola responsável, teríamos subsídios para produzir e garantir renda, podendo inclusive caso fosse necessário receber incentivos para não plantar. Considerando o cenário baixista, seria uma atitude muito inteligente, pois estamos falando de uma atividade de risco e a céu aberto. Mas, infelizmente, a política agrícola brasileira não prevê nenhum tipo de incentivo para o produtor rural, o que é lamentável.
JUSTINO CORREIA FILHO é técnico em agropecuária em Bela Vista do Paraíso
O desvendar de mistérios
Walmor Macarini
O relato de documentos ora revelados, de que Judas não traiu Jesus mas que foi solicitado pelo próprio rabi a que o apontasse para a guarda que fora prendê-lo e assim se cumprisse o que tinha de ser robustece o que muito já se sabe sobre a Bíblia: que é uma coletânea de livros de muito conteúdo simbólico e como inúmeros pontos não decifrados. Ademais, livros que deveriam somar-se aos ali existentes foram excluídos, por recomendação papal uma tarefa que o teólogo Jerônimo teve de executar a contragosto.
A maior parte da vida de Jesus está ocultada nas Escrituras. E não em função do expurgo, mas porque pouco se sabia dele dos 13 aos 30 anos. Não há ali uma só palavra sobre o que Jesus fez nesse longo período e como era ele na juventude e, imaginemos, por volta dos seus 25 anos. Certamente que à nova Igreja que despontava no início mística e depois estribada nos dogmas que perduram até hoje e fundamentam o catolicismo e o evangelismo não convinha revelar que Jesus iniciou-se com os essênios, que habitavam mosteiros de Monte Carmelo e formavam uma elevada linhagem espiritual; que Jesus foi ouvir os sábios do Egito, os supremos sacerdotes do budismo, os magos da Pérsia, os monges do Tibet e do Nepal.
Jesus voltou mais preparado desse périplo. Porque ele também precisou pesquisar e estudar, aprender línguas e espalhar seu ministério por todo o mundo da época, concluindo os três anos derradeiros na Judéia, para ali ser execrado e crucificado. Pregações de Buda e Jesus só para citar um exemplo têm similaridades.
Relatos considerados apócrifos pelo cristianismo ocidental revelam que Jesus não expulsou a chicotadas os vendilhões do Templo, mas tão penetrantes eram suas palavras que os mercadores que o ouviam e tinham por ele grande admiração foram se afastando, envergonhados de seus atos, que profanavam a sublimidade do que se pregava nesse santuário. Este foi o chicote simbólico, pois Jesus, se munido desse instrumento, não conseguiria expulsar os milhares de vendilhões que circundavam o gigantesco templo de Jerusalém. E violência não era de seu feitio.
Simbolismos bíblicos que os homens não entenderam, assim como muito pouco compreenderam da Bíblia até os dias de hoje. Porque ao invés de buscar decifrá-la, preferiram convertê-la em peça de oração e de súplica. Há contradições nas Escrituras até pelas muitas manipulações e pelo pouco domínio (caso do NT) do aramaico falado por Jesus, ao fazer-se as traduções. Mas tudo isto não tira o mérito da Bíblia, porque é ainda uma poderosa luz e está cercada de mito. Porque os fiéis a idolatram, mesmo entendendo-a pouco.
Não será a partir dela mesma que a decifrarão e sim pelos escritos externos, que já formam um Novíssimo Testamento. A Bíblia será sempre focalizada como ponto central, por ser parte das primeiras revelações da história conhecida. Será como uma anciã, de quem se guarda ensinamentos, porém escritos novos falarão (como já falam) mais claramente, e todos irão entender. Então, deixará de ser um livro de fé e um manual de templos religiosos, para converter-se pelo seu desdobramento em outros escritos numa enciclopédia de desvendamento de enigmas celestiais. Isto irá se cristalizando e, no correr de não muito tempo, formará uma só doutrina.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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