Sexo: tudo começa em casa
Moacir Costa

A sexualidade nasce com a pessoa e é em casa, no seio familiar, que ela terá ou não respaldo para vivenciar desde muito cedo as suas descobertas em relação ao corpo e sua identidade. Infelizmente, ainda que nos tempos atuais mos pareça muito liberal, a repressão sexual continua presente, passada dos pais para os filhos, de geração a geração. Em contrapartida, à superfície o que aparece é o contrário. Basta atentar para a mídia, com seus imensos cartazes de rua ostentando mulheres (e agora, também, homens) seminuas. Essa erotização exagerada dá a impressão de que as pessoas estão mais soltas e felizes com o uso de seu próprio corpo. Ledo engano. A educação negativa do sexo permanece.
Nas diferentes culturas, podemos observar padrões muito distintos. Entre grandes extremos. De um lado, a naturalidade com os habitantes de algumas tribos do Pacífico Sul vivem a sexualidade de maneira integral e sem os tabus cultivados no Ocidente. Já nos países islâmicos, a repressão é terrível e a mulher, apenas um objeto ou, melhor, uma escrava. Apedrejada e condenada à morte quando faz sexo fora do casamento, ela não é dona de si mesma, nem sequer do próprio corpo.
As brasileiras, aos poucos, vêm se apropriando do seu corpo e lutam pela conquista do prazer. Mas é preciso mais do que a coragem de enfrentar preconceitos e áreas desconhecidas dessa vasta seara. Ainda existe muita vergonha, medo e preconceito. Também por medo e preconceito, os pais transmitem aos filhos e especialmente às filhas, que o corpo deve ser resguardado, como um grande mistério ou dádiva ao cavaleiro que se apresente com intenções de casamento. Assim, a sexualidade fica confinada a um universo do proibido, observada (quando muito e, sobretudo, com culpa) pelo buraco da fechadura.
Há exceções a essa regra, felizmente. Quando os pais transmitem aos filhos a importância de um relacionamento pontuado pelo carinho e pelo amor, a coisa é diferente. São, em geral, casais que passeiam de mãos dadas junto com os filhos e se beijam com naturalidade. A mãe se aceita como mulher e, mesmo que nunca tenha circulado nua diante da filha (esses hábitos são absolutamente pessoais), passa a idéia de que gosta de seu corpo e tem orgulho dele. Isso pode parecer bobagem, mas não é. A criança assimila tudo, desde a idade mais tenra. É como uma esponja, que absorve o que vê e recebe da família. Para (é claro!) reproduzir, adiante.
A família, portanto, exerce um papel fundamental na formação de homens e mulheres. Quando a criança vê e aprende que é valorizada pelo que é, e que não precisa se transformar em outra pessoa para ser aceita, tende a crescer com auto-estima e autoconfiança, características essenciais para viver bem e ser feliz, lutando pelo que realmente deseja. Tem condições de descobrir o que realmente quer. E o que isso tem a ver com sexualidade? Tudo. Quando as pessoas têm liberdade de expressar seus sentimentos e suas emoções, vivem na plenitude. A sexualidade saudável é fruto da capacidade de viver e se relacionar com o outro desfrutando da amizade e do prazer.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

Medicina alternativa
Eduardo Figueiredo

De tempo em tempo uma região é visitada por vendedores de colchões magnéticos, aparelhos de massagens, imantadores de água e iridologistas. Essas práticas classificadas como medicina alternativa não têm comprovação científica e curam tanto quanto três pulinhos para cima atrás da porta. Só existe um tipo de medicina, a clássica, baseada em pesquisas, testada mundialmente e praticada por profissionais que cursaram mais de seis anos a faculdade de Medicina. Essa profissão segue um Código de Ética e é fiscalizado com rigor pelo Conselho Regional de Medicina, subordinado ao Conselho Federal de Medicina (CFM) e Ministério do Trabalho.
A medicina alternativa pode ser praticada por qualquer pessoa, menos por médico. Uma resolução do CFM - 1499/98 - ''proíbe os médicos de praticarem qualquer forma de terapia não reconhecida pela comunidade científica''. O iridologista consegue paciente através de um agenciador local, geralmente pessoa de crédito. Ele usa uma câmera filmadora que projeta a imagem da íris (a parte colorida do olho) do paciente numa televisão. Relacionando cada parte da íris com um órgão do corpo ele vai diagnosticando, sem base científica. No final, vende medicamentos ditos naturais, que curam tanto como um bom prato de arroz e feijão, pois são extraídos de plantas comestíveis. O óleo de gérmen de trigo, que ele comercializa pelo dobro do preço de mercado, tem descrito no seu rótulo que serve para esterilidade. É uma forma simplória para tratar algo complexo como a dificuldade para engravidar. O preço da consulta é R$ 50,00 e somado ao gasto com ''remédio'' o custo chega a R$ 180,00.
Outra medicina alternativa é a terapia holística. A palavra ''holos'', do grego, significa totalidade. O holista vê o corpo como um todo (físico, espírito, ambiente, profissão, etc.) e usa tratamentos não-convencionais: aromaterapia (óleos perfumados), cristaloterapia (pedras para amplificar a energia), cromoterapia (cores das roupas e ambiente), florais de Bach (essências de flores silvestres diluídas em água mineral, conhaque e tomadas em gotas), massoterapia (massagens em pontos determinados), etc. Essa terapia não tem efeito colateral, porém não existe prova científica que funcione.
Esses profissionais apresentam no seu currículo cursos de medicina alternativa. A esse respeito o CFM se pronunciou a pedido do Ministério Público (consulta 0015/2000): ''Cursos de medicina alternativa não existem e pessoas que se dizem formadas nesses cursos não exercem a Medicina. Elas se enquadram na categoria de curandeiros''. A legislação brasileira, lei 003.688-41, no seu artigo 47 diz: ''Exercer uma profissão sem preencher as condições para tal é condenável e sujeito a 30 dias de prisão mais multa''. Os curandeiros devem ser denunciados na vigilância sanitária de cada município.
EDUARDO FIGUEIREDO é médico ginecologista em Paranavaí

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