ESPAÇO ABERTO
Belíssima e a distorção profissional
Neusa Maria Orthmeyer Massarutti
Ao que nos parece a novela Belíssima, da Rede Globo, não está se equivocando apenas com o tratamento às responsabilidades atribuídas ao profissional do Direito. Ela está tratando de forma equívoca, também, ao profissional em Secretariado Executivo.
E isso fica claro, quando atribui funções pertinentes a esse profissional a alguém que, pela trama da referida novela, não é um profissional da área. É claro o caso da troca de papéis funcionais de duas personagens que atuam numa empresa de modelos em que uma, primeiramente, é a sócia da referida empresa e a outra é a secretária, posteriormente, por vingança da outra sócia os papéis são invertidos: a secretária é promovida a secretária
particular (o que não é previsto por lei) e a sócia, por castigo por ter sido infiel, é colocada no papel de uma simples secretária, perdendo status.
Há total desconhecimento (ou ignorância) da existência de uma lei federal que reconhece a profissão da(o) secretária(o) executiva(o), profissional portador de curso superior, sujeito a um Código de Ética Profissional que faz com que o mesmo deva respeito à sua profissão, à instituição à qual esteja profissionalmente ligado e lhe deva fidelidade por ofício, assim como aos demais membros da mesma.
Portanto, é proibido a esse profissional participar de jogos, como, por exemplo, o da secretária de um dos diretores da empresa Belíssima, que trama contra um colega de empresa para roubar-lhe a noiva para o tal diretor e outros jogos e enganos que são vivenciados por tal personagem que, de forma errônea, é caracterizada como profissional de Secretariado.
Sabemos que existem profissionais e profissionais em todos os ramos, no entanto, é preciso que sejam respeitados os profissionais sérios de qualquer um deles; é preciso que, no mínimo, não se mostre desconhecimento da necessidade de formação ética, moral e profissional em todas as profissões; em especial, que haja respeito, conhecimento e reconhecimento das responsabilidades de profissões constituídas por parte de brilhantes autores (brilho no qual é preciso acreditar) e que estes não sejam mais pessoas responsáveis por denegrir a imagem e os sonhos do brasileiro. Por ora, atenção Globo: a partir de agora pedimos a todos que atentem para fatos como estes.
NEUSA MARIA ORTHMEYER MASSARUTTI é professora do curso de Secretariado Executivo da Universidade Estadual de Londrina / 3328-0054 e 9996-6554 / Rua Paulo Frontin, 30 - J. Presidente - [email protected]
Sobre heróis esportivos
Wilton Carlos de Santana
Tenho colegas que gostam de automobilismo e quando conversamos sobre o assunto, invariavelmente, dissertam sobre as qualidades do Ayrton Senna. Há um certo brilho no olhar. Falam de suas vitórias, das vezes que venceu espetacularmente na chuva, de suas frases e carisma, do que sentiram quando do seu falecimento, da sua inabalável perseverança, das suas conquistas de pódios e de mulheres. Emocionam-se com o saudoso piloto. Entendo-os. É o que sinto pela Seleção de 70 e de 82, por Pelé, Falcão, Sócrates, Zico e, mais recentemente, pelos Ronaldinhos. Sinto-me suspenso da realidade quando os vejo em ação.
O herói nos transforma em vencedores. É ele quem ultrapassa e cruza a linha de chegada, é ele quem chuta e faz o gol do título, que dá três
lençóis seguidos nos adversários, mas, no campo do imaginário, simbolicamente, somos nós que o fazemos. Por isso dizemos somos pentacampeões mundiais de futebol e não a Seleção Brasileira é pentacampeã!
Significa dizer que o torcedor, nas manhãs de domingo, entrava no carro com Senna. Para o torcedor, a vitória do piloto também era a sua. Senna nos unia e nos tornava, mesmo sob chuva e em alta velocidade, fortes e invencíveis. O herói se foi das pistas mas não do imaginário popular.
Para virar herói e habitar o íntimo das pessoas tem de se fazer algo muito difícil, extraordinário. Joseph Campbell, no seu notável O poder do mito, afirma que não há herói sem provação e uma grande realização. Outros esportistas encarnam esse mito: Ronaldo sofreu um revés na final da Copa da França/98; depois, em abril de 2000, sofreu uma lesão gravíssima (tantas vezes repetida pela TV) que comoveu a todos; recuperou-se a tempo de jogar a Copa de 2002, na qual foi campeão, artilheiro e herói da final contra os alemães com dois gols; Oscar e cia. ganharam o Pan de 1987, em Indianápolis, da então temível seleção americana de basquete; a rainha Hortência foi imortalizada pelos americanos ao entrar para o Hall da fama; Vanderlei Cordeiro, em Atenas, lavou a nossa alma com a sua lição de humildade e generosidade; os ginastas Daiane dos Santos, Laís Souza e Diego Hipólito, num esporte impopular no Brasil (ginástica olímpica), são campeões mundiais; Amyr Klink, nosso solitário e inabalável navegador, vitorioso em todos os seus embates.
Um desses heróis esportivos sofreu críticas severas. Chamaram-no de velho e gordo. Deixaram-no no banco de reservas. Vaiaram-no. Expuseram-no ao ridículo. Ronaldo, o menino dentuço de Bento Ribeiro (RJ), que aos 16 anos de idade precisou barganhar um tênis Nike e, poucos anos depois, ganharia um milhão de doláres para ser o seu garoto-propaganda, que aos 17 anos virou o Ronaldinho do Brasil, ao ganhar a sua primeira Copa do Mundo e que, hoje, é um craque consagrado reviverá o mito do herói: enfrentará a situação, vencerá as dificuldades e os desafios e retornará vitorioso. Quando da Copa do Mundo, naquela altura em que tudo parecerá ainda mais difícil, quando a maioria de nós, intimamente, terá desistido, o herói, destemido, procurará a bola e marcará o gol que nos fará chegar lá novamente! A sua vitória será a nossa.
WILTON CARLOS DE SANTANA é professor do curso de Educação Física da Universidade Norte do Paraná (Unopar) em Londrina
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