ESPAÇO ABERTO
O papel do consultor nas PMEs familiares
Gislane A. Syllos
A criação de um conselho consultivo ou administrativo em empresas familiares de médio e grande porte é por muitas vezes a solução eficiente para uma gestão imparcial nestas organizações. No entanto, as pequenas empresas geralmente não possuem condições financeiras que suportem altos salários para que gestores de talento façam parte de suas organizações. No caso de empresas familiares, os proprietários acumulam muitas vezes as funções de diretor, gerente, supervisor e até de operador, numa centralização que implica em sobrecarga de trabalho, situação contraproducente e penalizadora no tocante às necessidades reais da empresa, deixando boas idéias muitas vezes sem execução. Com esta dificuldade, é cada vez mais comum a recorrência ao papel do consultor terceirizado na organização, pois ele possui o conhecimento e a experiência para ajudar nas decisões da empresa, sem comprometer o fluxo de caixa e assegurando a profissionalização.
O consultor, dentro de uma estrutura familiar, tem como um dos principais desafios à tarefa de mediador de decisões, colocando-se entre os familiares numa atitude mais racional, sendo totalmente profissional frente a uma decisão importante. Segundo René Werner, devem ser capazes de zelar para que a separação entre os aspectos empresariais e familiares seja mantida. Nesse sentido, a consultoria tem sido uma alternativa eficaz não apenas em áreas como o Marketing, Finanças ou Planejamento Estratégico, alcançando grandes resultados também nos Recursos Humanos, no gerenciamento de pessoas visando inclusive a preparação de uma sucessão planejada.
A principal mudança, ou o grande passo para as organizações familiares rumo à profissionalização da gestão, é a de mentalidade. Sem a percepção por parte de quem toma as decisões na empresa do que é importante para o futuro desta, sem o auxílio de consultores assim como de idéias de um funcionário capacitado ou qualquer outro fornecedor que traga soluções para os problemas da empresa; tudo isso não será bem aproveitado e muitas idéias, independente da fonte, poderão ter como destino a gaveta.
GISLANE A. SYLLOS é diretora administrativa de Empresa Familiar em Londrina, licenciada em Ciências Sociais (UEL) com especialização em Gestão Estratégica de Pessoas (Unopar)
Precisamos amar o dinheiro
Walmor Macarini
Passado o susto depois de ler este título, explicamos que amar o dinheiro é simplesmente harmonizar-se com ele. Já escrevemos sobre isto outras vezes. Não há mal em reverenciá-lo. Importa não nos apegarmos. Dinheiro aprecia ser valorizado. Se o desprezamos, ele nos escapa. Não podemos julgar que é algo vil. Porque foi criado por Deus. Se afirmamos que dinheiro é coisa do demônio, então ele o leva...
O dinheiro é capaz de saudável convivência com quem gosta de ganhá-lo e de gastá-lo. É um bem que pode ser desejado, porém não converter-se em objeto central. É ele que deve ser escravo do homem, não o contrário. Há que proclamá-lo bem-vindo, saudá-lo, guardá-lo bem, com responsabilidade e não com displicência. Foi inventado para que o homem adquira bens que façam sua vida melhor.
Há que amar não só o dinheiro. Deve o homem amar a si próprio. Se ele se ama, também ama as outras pessoas e ama a Deus porque Deus está dentro dele. Quem não se ama não consegue amar minguém. Será preciso amar a casa que se tem, o automóvel, as pessoas, as coisas. E para amar os outros basta considerá-los iguais a nós próprios. Por isso que, se nos amamos nos consideramos bons, e assim passamos a considerar bons também os demais.
Os mesquinhos não gostam de dinheiro apenas o querem porque não o gastam, não lhe dão serventia. Apenas se apossam dele e o acumulam. Estas são as mais pobres das pessoas. Se, com nosso dinheiro, giramos a roda da fortuna gastando-o sem ter pesar o dinheiro retorna ao ponto de partida. Dinheiro depositado em banco, rendendo juro, é dinheiro sem função. Melhor é fazer negócios com ele, dar-lhe mais utilidade.
Desapegar-se do dinheiro não é facilitar com ele, porque se houver conseqüências danosas por causa de descuido com o dinheiro, quem o fizer será (também) culpado pelos males advindos. Se alguém for induzido a cometer um logro porque lhe fizeram as coisas fáceis demais, quem propiciou a facilidade será reponsável por haver produzido um velhaco. A culpa será dividida entre ambos. Da mesma forma não se pode chegar a extremos de negar ajuda em casos de absoluta necessidade.
Uma pessoa que quer ser rica deve louvar a riqueza nos outros, porque se a abomina em que a possui, afasta-a de si. Desejar ter dinheiro, de forma honesta e sem prejudicar ninguém, não é um mal. O mal é ganhá-lo ilicitamente, não dar-lhe destino que gere mais riqueza. Ter dinheiro suficiente é um direito de todos, mas se as pessoas dizem que é difícil ganhá-lo, então já decretaram que é difícil, e assim será. A vida nos dá o que esperamos dela.
A riqueza não contempla uma pessoa só porque ela é boa, nem se nega aos homens maus. Há ricos mesquinhos, e estes são abomináveis; e há ricos pródigos, que semeiam mais riqueza por via do dinheiro que têm, e estes são abençoados.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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