O troco do povo

Luciano Godoi Martins
  A celeuma toma conta novamente da cidade: vender ou não a Sercomtel. De início, cabe destacar que a referida decisão não deveria passar pelo crivo da população, como passou através de plebiscito, dado que, por tratar-se de decisão eminentemente técnica, o povo não é o mais indicado para tanto, mas sim o administrador público, o qual é presumidamente competente para tomar decisões deste naipe.
  A presente intervenção não é para apoiar ou não a venda da Sercomtel, mas para comentar que os maiores interessados que a Sercomtel não seja vendida são os seus funcionários. Eles sabem, com certeza, que pelo menos metade seria dispensada em caso de venda da Sercomtel, pois como dito por um integrante de primeiro escalão ‘‘a Sercomtel rodaria com a metade dos funcionários’’ (estou à disposição para eventual interpelação para mencionar nomes e indicar testemunhas).
  E por que os funcionários que estão fazendo de tudo contra a venda da Sercomtel não têm apoio algum da população, à exceção é claro dos parentes e amigos? Observe-se que não digo que a população é contra ou a favor da venda da Sercomtel, mas sim que os funcionários não contam com apoio do povo.
  Os integrantes dos quadros da Sercomtel não têm apoio do povo, salvo as exceções mencionadas, é porque no passado os mesmos nada fizeram para evitar que o povo fosse passado para trás pela Sercomtel. É como no caso da negativa do direito acionário dos usuários-compradores que ao longo do tempo adquiriram linhas e ações da Sercomtel, através das famigeradas ‘‘expansões’’, bem como no caso da cobrança indevida de taxa de locação quando o referido procedimento já era proibido pela Anatel, findando na cobrança indevida de ‘‘assinatura’’ na conta telefônica, dentre outras ilegalidades.
  Ações judiciais contra as ilegalidades referidas no parágrafo anterior existem às milhares. Quanto aos funcionários, estes nada fizeram para evitar todos esses desmandos, pois ainda que se acate que os mesmos não tivessem como evitar tais ilegalidades (o que não é verdade), poderiam e deveriam ter alertado a população e as autoridades competentes sobre o que acontecia. Mas não. Ficaram apenas recebendo suas remunerações e o povo que sofresse as conseqüências.
  Agora a população londrinense, sem perceber até, lhes dá o troco.
LUCIANO GODOI MARTINS é advogado em Londrina



LEC: 50 anos de história

Peter Silva
  Hoje completo 50 anos de vida. Chego à idade perfeita, a melhor idade. Tá certo que estou um pouco mais velho, mas sabendo onde quero chegar. Apesar de ter uma vida marcada por sucessos e fracassos, chego aos 50 anos com muitos amigos do meu lado. De pessoas que me amam e me querem bem.
  Completo 50 anos de muita disposição, muitos jogos e de muitas alegrias, principalmente nos bons tempos das décadas de 60, de 80 e 90, onde obtive títulos muito festejados por todos vocês. Também... Essa foi a fase áurea do crescimento econômico da região norte (fomos a ‘‘capital mundial do caf钒), da construção do Estádio do Café e dos grandes jogadores que vestiram minha camisa.
  Apoiei muita gente importante, ajudei políticos, elegi deputados e fui escolhido por centenas de pessoas para suas candidaturas. Em 1977, quando cheguei às finais do Brasileirão, em 1980 fui campeão da Taça de Prata, quanta alegria foi ver meus torcedores espalhados pelas avenidas, gritando meu nome, me aplaudindo e empunhando bandeiras. Fiz tudo isso graças à ajuda que tive nesta trajetória de sucessos e de vitórias.
  Dei emprego a centenas de famílias, ajudei o comércio, a indústria, proporcionei espetáculos a milhões de pessoas em 50 anos de existência. Estive em pé, jamais vacilei, nos momentos difíceis sempre uma mão aparecia a meu alcance, onde ali me agarrava para não parar, não morrer e assim tive grandes esteios na direção. Fiz um trabalho social muito importante, formei homens e atletas, dei o pão e o circo. Desde meu nascimento contei com a ajuda de uma família que me cercava de carinho e me dava muito apoio. Até hoje agradeço a estes grandes pais, grandes amigos que me sustentaram, mesmo com dificuldades. Salve os meus presidentes!
  Agora com 50 anos, mais experiente, sei o que pude proporcionar e sei que estou mais valorizado. Aliás, minha marca está mais importante, mais rentável. Espero corresponder ainda mais nesta nova fase de minha vida e dar muitas alegrias a todos vocês que torcem por mim. Este aniversário é um momento de reflexão, pois todos aqueles que sempre me criticaram e elogiaram tiveram lucros com minha exposição e meu calendário. Fui humilhado, rebaixado, mas me mantive aqui, de pé e ao lado de vocês. Por isso, nesta nova fase quero que permaneçam comigo, não me abandonem e tenham a certeza de que novos 50 anos virão e vou precisar muito mais do apoio de todos vocês que sempre respeitei e admirei.
  No dia do meu aniversário o que peço de presente é sua torcida, com respeito e otimismo, pois nestes 50 anos que passaram já tive em situação semelhante, mas dei a volta por cima. Com trabalho e seriedade, vou caminhar na busca de meus objetivos: continuar dando alegria à cidade de Londrina e a torcida alviceleste que são as razões de minha existência!
PETER SILVA é presidente do Londrina Esporte Clube


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