ESPAÇO ABERTO
Decepção no cinqüentenário do LEC
Eder Willian de Campos
O último Campeonato Paranaense foi catastrófico para o Londrina Esporte Clube (LEC) e para os seus milhares de torcedores apaixonados. Às vésperas de completar 50 anos de história, o nosso querido Tubarão novamente frustrou seus torcedores e não conseguiu vaga nem para a Série C, a terceira divisão do Campeonato Brasileiro. É mais um sinal de que já não existe mais a mística da camisa alviceleste. Infelizmente, os tempos de glória parecem que ficaram só no passado.
Como tenho 21 anos, não pude presenciar grandes feitos do Tubarão. Mas, ainda me lembro que, com meus 7 aninhos de vida, era mais um torcedor apaixonado entre outros tantos que estavam no Estádio do Café, na campanha do título paranaense de 1992. Ainda que, naquela época ir ao estádio era sinônimo de festa para uma criança de 7 anos, que apenas se preocupava em pedir ao pai uma pipoca, um suco Saci e depois um sorvete, eu já começava a entender o que era ser torcedor do Londrina. Na partida final, os torcedores ganharam bandeirinhas de plástico. Fiz questão de guardar a minha por muito tempo. Era uma coisa fantástica ver todo aquele estádio gritando Tubarão, ê, ô empunhando aquelas bandeirinhas.
E, para minha felicidade e também para os demais torcedores que estavam naquele jogo, o Londrina acabou vencendo o Paranaense daquele ano. E, na volta para casa, enquanto com certeza minha mãe estava preocupada porque demorávamos tanto para chegar (já que comemorávamos muito a vitória), meu pai ainda encontrou tempo e algum dinheiro para me dar de presente a minha primeira camisa do Tubarão (que durante uma semana não tirei do corpo). Com isso, a paixão pelo Londrina foi crescendo e, junto com meu pai e meus tios, sempre que podíamos acompanhávamos os jogos do LEC no estádio ou no rádio. Eles sempre me contavam sobre os anos dourados do Londrina, dos jogos inesquecíveis. E eu acreditava que esses anos pudessem voltar, mas temos que encarar a realidade.
Junto com a decepção fica também a esperança de um futuro melhor para o nosso querido Tubarão. Tomara que daqui a 50 anos, no centenário, a cidade de Londrina e toda região metropolitana possam ter um time à sua altura.
EDER WILLIAN DE CAMPOS é morador de Ibiporã e estudante de Direito na Universidade Estadual de Londrina
Resistência
Stuart Martin Hook
Hoje a teologia cristã brasileira precisa focar-se mais cuidadosamente no problema crucial da violência. O mandamento não matarás deve ser mais do que um mero assunto de interesse acadêmico ou popular. Esse preceito é relevante porque o ser humano vive frustrado, aborrecido e, mais do que nunca, submisso à enganosa hostilidade
psicótica.
Há uma classe opulenta sendo nutrida pela dieta regular da alucinação e pela mitologia da brutalidade, que entende a violência ao outro como parte de sua existência - isso é humanamente intolerável. Conseqüentemente, temos homicídios, assalto, seqüestro, estupro, crime, corrupção etc. Há os que consideram essas decadências provenientes da favela.
No entanto, devemos lembrar que isso é apenas fruto de uma violência maior: a injustiça praticada que forçou os excluídos viverem assim. Então, o problema não é sobre a rebeldia, estrutura social, desrespeitabilidade e frustrações dos sonhos não realizados.
Minha opinião é que o combate à violência não pode ser de forma proporcional. Crê-se que violência combate-se com violência - antiga crença lendária fogo versus fogo - no entanto, o uso da força quando necessário pode conter a criminalidade, mas também pode ocasionar conseqüências irreparáveis.
Geralmente, a violência que concebemos é aquela que faz-nos pensar sobre um ladrão que rouba nossa casa ou que está nos esperando em algum lugar para assaltar-nos. Isso é razoável, mas cria a tendência de nos influenciar demais, limitando nossa capacidade de ver além do problema: violência macro-abstrata, global-nacional, massiva-corporativa. Na verdade, o que temos hoje é a white-collar violence: a organização sistemática burocrática destruidora do ser humano.
A palavra-chave do cristianismo, amor, é freqüentemente abusada. Ela sai da boca com facilidade, ganhando a impressão que os outros deveriam nos amar mesmo que pisemos em seus pescoços! O amor não pode ser assim minimizado, nem generalizado nas ações de caridade, nem nos palanfratórios sobre a paz, nem na coerção legalizada sobre o oprimido. Deve, sim, ser um componente do estilo de vida de cada um.
O maior desafio é recusar ser submetido às forças anti-humanas, é resistir ao disfarce das autoridades, é enfrentar o mal com ações anuladoras: amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
STUART MARTIN HOOK é natural de Oxford, Inglaterra, e aluno de pós-graduação na Faculdade Teológica Sul-Americana em Londrina
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