ESPAÇO ABERTO
Trânsito seguro - condutor hábil
Julieta Arsênio
Infelizmente, o nosso sistema de habilitação de condutores ainda é precário. Para muitos, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é encarada como um documento , tal qual o RG ou o CPF, quando deveria ser considerada uma certificação de uma habilidade. Por outro lado, a maioria dos Centros de Formação de Condutores repetem os mesmos erros das antigas auto-escolas, com recursos e materiais didáticos ultrapassados, preocupando-se apenas em conseguir a aprovação nos exames teóricos e práticos e não de efetivamente transmitir conhecimentos para uma correta e segura condução de veículos.
Lamentavelmente, no trânsito observamos atitudes inadequadas por parte de alguns condutores, representando riscos a eles próprios e aos demais usuários. Essas atitudes são denominadas como desvios comportamentais no trânsito, alguns relacionados a indesejáveis condições físicas e/ou psicológicas dos condutores. Muitos condutores dirigem após uma jornada excessivamente longa, sem paradas para descansos, e dirigir fadigado é uma conduta indevida. Outros dirigem sob forte pressão psicológica (estresse, desemprego, problemas financeiros, divergências familiares, ansiedade, agressividade, etc.) e certamente não conseguirão manter a atenção devida.
Existem condutores que praticam a chamada lei de Gerson. São pessoas com um egoísmo exacerbado e que colocam os interesses próprios e imediatos acima da coletividade, fazendo manobras irregulares e arriscadas como circular pelo acostamento, ultrapassar pela contramão de direção, estacionar em fila dupla ou sobre a calçada. São pessoas que devem ter conhecimento da legislação e do comportamento correto, mas querem sempre levar vantagem sobre os demais usuários, sem se importar se a sua atitude vai perturbar o fluxo de tráfego ou colocar em risco os demais usuários.
Essas e outras questões de trânsito têm sido evidenciadas em manchetes dos jornais, e as estatísticas apresentadas muitas vezes são contraditórias. As autoridades ao serem cobradas, se justificam com banalidades que desmerecem o valor da vida de qualquer ser humano. No entanto, somos muito condescendentes ao entregarmos a certificação de condutor hábil. Para os que cometem crimes de trânsito a impunidade impera. Faz-se perícia do veículo, a via pública e o ambiente e o condutor maior responsável pelo acidente, a esse não se pede uma perícia que investigue seu comportamento inadequado.
Só vejo uma contestação: o condutor hábil deve sim ser educado e consciente, pois essas características se manifestam em seu comportamento. Se ele comete uma infração ou se provoca um acidente, é preciso interromper sua habilitação para junto dele buscar a(s) causa(s) que o motivaram ao sinistro. Pergunto-me, se para ter um trânsito seguro para todos, preciso ser vigiado? Afinal, de que serve então minha CNH? Se ser negligente e imprudente no trânsito demonstra um desvio de comportamento, o que diríamos de um imperito? Não busquemos soluções com quem não está preocupado em solucionar, até porque as soluções que você procura estão dentro de você.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em comportamento de trânsito em Londrina
Nos mudarmos para mudar o mundo
Walmor Macarini
Já escrevi sobre isto mas apraz-me repetir que se buscarmos compreender tudo o que nos cerca, sem juízo analítico, iremos nos reconciliar com tudo o que nos cerca. O êxtase da vida está nesse compreender. O contrário será o conflito. A manifestação de ira diante da violência é um estado de conflito. Se o mundo não é melhor é porque nós, que habitamos nele, não o temos permitido.
Perdoar ao malfeitor? Basta não revidar, afastar a ira e o anseio de vingança, porque senão penetramos na mesma atmosfera dele. Ficamos iguais, reforçamos a corrente. A compreensão irradia luz purificadora e transmutadora. Já a absorção, esta agrega, expandindo as ressonâncias dessa freqüência e favorecendo a repetição dos fatos.
O rompimento desse círculo consiste exatamente em não emitirmos juízos ante os denominados ilícitos humanos. Podemos contemplar o desabrochar de uma flor sem fazer uma avaliação, porque se qualificamos isto como um bem, admitimos a suposta existência de um mal. Basta admirar o desabrochar de uma flor como o desabrochar de uma flor...
Costuma-se dizer que em cima de uma desgraça vem outra. Se tal acontece, é porque semeamos sementes da espécie. Enfatizar a desgraça própria e alheia é fertilizar o campo para outras mais germinarem.
Uma boa prática é, de vez em quando, descermos ao porão de nosso inconsciente e trazer à tona nosso depósito de lamentações contra a vida, nossas iras e maledicências, nossos não-perdões, medos e inseguranças, a seguir reconhecê-los como algo que está em nós e remetê-los para o lixo cósmico. Se não retiramos esses lixos, eles permanecem, fermentam-se, e os resultados serão desajustes, doenças, amarguras.
Temos semeado violência até com nossas palavras tão perigosas quanto lançar dardos envenenados contra os olhos das multidões porém não somos maus como nos imaginamos. Somos é desatentos aos nossos destemperos verbais e às nossas formas-pensamentos, quando carregadas de negativismo e maledicência, seja contra os outros e contra nós próprios. O que pensamos e sentimos cria asas.
Gastaremos a mesma energia fazendo tudo ao contrário, ou seja, proferindo palavras mais agradáveis, emanando pensamentos mais qualificados, desejando coisas boas para as pessoas, mesmo os rivais e inimigos. Isto é difícil, mas aí reside o mérito. O mundo somos nós. Se nos mudamos, o mundo muda, na mesma intensidade. Para melhor ou para pior.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina
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