Agricultor: base para o agronegócio


Geraldo Rodrigues Fróes
  O agricultor é o motor do agronegócio, centro dinâmico da série de atividades que a partir da colheita. No entanto, como alerta a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) é preciso separar agronegócio e agricultor. Enquanto um vai bem o outro vai mal.
  Estatísticas divulgadas recentemente pelo IBGE mostram o crescimento do PIB em 2,3% no ano passado, com expansão do setor agrícola em 0,8%, mas o prejuízo dos produtores foi muito maior. A verdadeira crise que atinge a agricultura é ofuscada pelo desempenho do agronegócio.
  Problemas climáticos, queda de preços com a desvalorização do dólar e quebra de produção atingem a agricultura. Os produtores dispõem hoje de excelentes tecnologias que começam com semente de qualidade, passando pelo manejo e implementos cada vez mais modernos. Mas a presença mais competitiva do segmento produtivo deve passar pela reorganização das políticas e das estruturas produtivas. É preciso mudanças nas relações político-institucionais, tendo como foco aquele que semeia a terra.
  O produtor de semente acompanha de perto as dificuldades enfrentadas por quem planta. A Fundação Meridional, representante do segmento sementes nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, apóia a pesquisa e trabalha pela sustentabilidade da produção. Estamos concentrando esforços para o reconhecimento da importância e valor da semente legal, matéria-prima e mais importante aliada do agricultor na busca pela produtividade e rentabilidade.
  O Brasil desponta, neste início de novo século, como o país que dispõe em maior escala do fator de produção mais escasso em nível mundial: a terra agricultável. Este fator nos coloca em posição invejável, principalmente por termos também um trabalho de pesquisa agropecuária de alto nível. As perspectivas para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro são fantásticas. Mas não se pode esquecer do agricultor.
GERALDO RODRIGUES FRÓES é agrônomo, produtor de sementes e presidente da Fundação Meridional


SOS ao trem do Museu

Ana Rosa Lunardelli
  A Sociedade Amigos do Museu (SAM) Histórico de Londrina reporta-se à carta do estudante Paulo Augusto Sebin sobre os dois vagões estacionados no pátio do Museu, e informa à comunidade que os mesmos, juntamente com uma locomotiva e tender, fazem parte do acervo por força de convênio firmado entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Rede Ferroviária Federal. Na dependência de recursos que nunca chegam, essas peças aguardam restauro para integrarem uma composição ferroviária, testemunha do desenvolvimento desta região.
  Órgão de apoio ao Museu, a SAM tem procurado desempenhar seu papel. Constatando os danos causados à locomotiva pela ação das intempéries, a SAM mandou construir no campus da UEL uma cobertura para protegê-la, antes mesmo de sua restauração. No que diz respeito aos vagões, verdadeiras preciosidades fabricadas em 1876 que apodrecem a céu aberto, passados apenas 5 anos de impecável restauração ao custo aproximado de 30 mil reais, carecem novamente de cuidados. De nada adiantará restaurá-los duas, três ou mais vezes, sem que lhes seja destinada uma cobertura digna.
  Assim, a SAM propôs que o Memorial do Pioneiro fosse edificado sobre os vagões, provendo-lhes a cobertura tão necessária, segundo projeto escolhido através de concurso. Nossa proposta, entretanto, foi rejeitada pelo Poder Público Municipal, após audiência pública que sentenciou a cobertura como causadora da descaracterização do prédio.
  Tal sentença criou um impasse cuja solução, a nosso ver, passa por algumas alternativas: mantém-se a composição no Museu e, optando-se por sua preservação, constrói-se aí uma cobertura; ou mantém-se a composição no Museu, descoberta, e se buscam verbas para restaurá-la repetidamente, contrariando o preceito do uso racional do dinheiro público; ou, ainda, retira-se a composição do Museu, levando-a para local onde possa ser protegida. Existe a possibilidade de colocá-la no Marco Zero, onde se pretende construir o Teatro Municipal, projeto que, entretanto, demandaria mais tempo do que o trem poderia suportar.
  A decisão desse impasse, todavia, pertence ao Poder Público, ou seja, à Prefeitura Municipal, que é a dona do prédio que abriga o Museu, e à Universidade Estadual de Londrina, à qual o Museu ‘‘Padre Carlos Weiss’’ é administrativamente vinculado. Resta-nos aguardar, com ansiedade, que os administradores se sentem com urgência em torno da definição do futuro do trem. Estamos todos em compasso de espera!
ANA ROSA LUNARDELLI é presidente da Sociedade Amigos do Museu Histórico ‘‘Pe. Carlos Weiss’’ de Londrina (SAM)


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