ESPAÇO ABERTO
Românticos mentirosos
Moacir Costa
A mulher se apaixona muito mais facilmente que o homem. Cede, se submete e chega, às vezes, até a perder a sua dignidade. Quando se apaixona por aquele homem mentiroso, o típico mau caráter, a situação fica ainda mais complicada. São indivíduos que demonstram uma incrível facilidade de envolver, seduzir e manipular as pessoas, principalmente do sexo feminino. O diagnóstico desses homens se torna difícil à medida que raramente buscam um tratamento psicológico. Apresentam traços marcadamente psicopáticos em seu comportamento, revelando graves distúrbios de personalidade.
Isso tudo contribui para que a mulher de boa índole, carente e vulnerável não saiba com quem está de fato se relacionando. Ao descobrir mais tarde o verdadeiro caráter do parceiro, sofre e sente que foi lesada em todas as áreas. O prazer desses homens não mostra nenhuma sintonia com o sentimento da companheira. Também não costumam medir conseqüências para conseguir o que querem. Se, por exemplo, forem dependentes de drogas, chegam a roubar até o dinheiro da mãe para sustentar o vício.
A mulher com quem se envolvem também não é poupada. Eles podem causar grandes transtornos emocionais e financeiros à parceira, porque mentem sobre o seu passado e criam falsas expectativas em relação ao futuro. A mentira é um vício para eles. E mesmo depois de descobertos, prosseguem com a farsa. Frios e conscientes de seus próprios erros, usam a sedução para ludibriar as mulheres.
É importante estar sempre alerta para esses sociopatas, pessoas destrutivas para qualquer tipo de relacionamento afetivo, profissional e sexual. A maioria deles dificilmente cria um vínculo entre amor e sexo, ao contrário, mostram-se exibicionistas e ousados na intimidade, procurando sempre desrespeitar os valores da parceira. Encaram o sexo como um exercício aeróbico praticado nas academias.
A mulher que se relaciona com homem com esse perfil, precisa saber que a única pessoa que pode salvá-la é ela mesma. A terapia poderá ajudá-la a identificar as mentiras do relacionamento e suas conseqüências e se fortalecer para as inevitáveis confrontações. Mas é fundamental que ela se conscientize disso. Muitas acham que a melhor maneira de aliviar a dor de um rompimento é mergulhar logo em outra relação. O melhor de tudo é dar um tempo para se conhecer. Mesmo porque não se pode repetir os mesmos erros do passado.
É fundamental você estar atenta para esses
românticos, pois eles estão apenas interessados nos seus objetivos e no seu próprio bem estar, mesmo que para isso tenham que prejudicar o próximo. O processo de cura e cicatrização para essas mulheres apaixonadas é lento. À medida que o tempo passa, a pessoa se abre para novos relacionamentos. É saudável perceber que as cicatrizes se fecham aos poucos e acreditar que a vida certamente irá voltar ao normal.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Noite de pavor
Rodrigho Pelisson Guergolette
Em uma bela noite de nossa abandonada cidade, fui deixar minha companheira em sua residência. Ao parar o carro, em fila dupla, apenas para ela descer, fomos surpreendidos por um casal que deu voz de assalto nos levou seqüestrados. Assim começou uma terrível e infindável história, que para mim foi aterrorizante.
O marginal armado com uma pistola automática - aos berros e com estupidez - dizia a todo instante que não deveríamos reagir, pois eles não tinham nada a perder, que se precisassem nos matar fariam sem nenhum problema. Dizendo palavras chulas e humilhando-nos sem piedade, o casal de bandidos ordenava que entregássemos tudo: celular, carteira, documentos, tênis, máquina fotográfica, e ainda mais. Queriam que nós, as vítimas, desinstalássemos o aparelho de som - toca CD do carro -, pois sem o referido aparelho eles não nos liberaria. Ficamos em poder dos marginais à noite passeando por nossa turística Londrina! No decorrer desta traumática turnê, nenhuma viatura policial foi encontrada. Passamos por dois módulos policiais, onde apenas a energia elétrica fazia sua parte mantendo ativas as luzes daquelas moradias sem nenhum vigia sequer.
Uma hora e meia após, os assaltantes resolveram nos liberar, pois não tinham mais nada que fazer conosco. Então, como já estávamos descalços, com a roupa do corpo e o carro - os seqüestradores não quiseram o veículo - resolvemos ir prestar queixa na delegacia central.
Para nossa surpresa, ao chegarmos à delegacia tinha pelo menos umas dez viaturas. Policiais, então, um trombando no outro, apenas dando ordens ou satirizando as vítimas. Senti como se eu fosse o bandido! Apenas o escrivão, questionava como foi o ocorrido, e ainda nos relatou que este era o quarto assalto ocorrido da mesma forma e que os marginais tinham características semelhantes aos que cometeram o delito. Ainda mais: sabia até onde residia o casal de marginais.
Fazer o quê? Somos vítimas de uma cidade, onde prefeito só existe em época de campanha política, policiais só cuidam da delegacia e nós, trabalhadores e contribuintes, existimos somente para sustentar autoridades omissas e sermos marionetes na mão de seres humanos que brincam de roubar, estuprar e matar.
Para mim, resta o trauma de ficar com uma arma na cabeça, a lembrança de ver minha companheira sendo ameaçada, a tristeza de ver nossa cidade abandonada e insegura. Graças a Deus minha fé é enorme, e com a Proteção Divina nada nos aconteceu, a não ser o trauma e os prejuízos materiais.
RODRIGHO PELISSON GUERGOLETTE é cirurgião dentista em Londrina





