Odontologia: quem irá nos salvar?

Claudenir Rossato
  Atualmente tenho estado muito preocupado com os rumos da minha profissão. Explico a razão: lamentavelmente tenho visto colegas não mais conseguindo sobreviver com a Odontologia. Outros estão abandonando a carreira; outros tantos procurando novas alternativas para arcar com compromissos assumidos; e outros se digladiando por um emprego cujo salário não é suficiente nem mesmo para sua sobrevivência. Meu Deus, onde foi parar esta encantadora profissão? Em quem confiar e depositar nossas esperanças? Parece-me que sobre a nossa profissão soltaram bombas atômicas com efeitos imprevíveis a médio e longo prazos, haja visto que no curto prazo já os estamos sentindo. E está doído. Quem está se preocupando com os seus efeitos? Poucos.
  Comecemos pelo nosso governo central. Permitiu uma indiscriminada proliferação de faculdades de Odontologia. Entretanto, com a Medicina isto não ocorreu. Por que será? O sistema de avaliação dos cursos, idealizado como fórmula mágica reguladora do mercado e controladora da qualidade dos cursos, não produziu um fruto sequer, pois nenhum curso foi fechado por má qualidade (e existem tantos). Também nunca desenvolveu política de distribuição dos profissionais, e isto faz com que existam áreas supercarentes deles, enquanto que em outras estão saindo pelo ladrão.
  Os órgãos representativos da nossa categoria antigamente ‘‘caçavam’’ ‘‘dentistas’’ práticos que atuavam às escondidas. Agora não caçam mais ninguém. Comportamentos antiéticos são assistidos todos os dias e o que é realizado concretamente para serem impedidos? De duas uma: não se tem motivação para impedi-los ou nosso código de ética mostra-se tão ineficaz para isso. As entidades de classe, que movimento fizeram nestes últimos 20 anos em defesa da Odontologia? Foram criadas com a finalidade de aglutinar os afiliados e defender os interesses da categoria. Mas o que vemos? Preocupam-se somente em construir sedes faraônicas e privilegiar poucos associados.
  Os nossos baluartes e eminentes catedráticos das instituições de ensino superior, que teriam o respaldo da comunidade odontológica, pois poderiam nos defender com unhas e dentes, que destino tiveram? Parece que sumiram. Estamos procurando-os tal como agulha no palheiro. A tentação do dinheiro fácil corrompeu muitas ‘‘estrelas’’ da Odontologia. Alguns são verdadeiros nômades, ministrando cursos caça-níqueis em todos os recantos do país. Parece até que esqueceram o juramento prestado na formatura? Será que os otimistas irão perder a batalha para os imorais e antiéticos que semeiam a desesperança em nosso meio? Não perderei a esperança. E você, de que lado está? Faça a tua parte, pois espero que esteja do lado da dignidade, da moral e da ética. A solução para esta situação caótica depende de mim, de você e de nós. Vamos à luta antes que seja irreversível.
CLAUDENIR ROSSATO é mestre e doutor em Odontologia e professor da Universidade Estadual de Londrina e Universidade Norte do Paraná


A estagnação do futsal em Londrina

Wilton Carlos de Santana
  As matérias publicadas pela Folha Esporte em 26/2 (‘‘Corte de verbas acaba com times de futsal’’ e ‘‘Após subir de divisão Grêmio desiste da vaga’’) retratam a estagnação desse esporte em Londrina. Não me lembro de presenciar algo semelhante nesses anos todos que o acompanho. Para se ter uma idéia, quando comandei, em 1997, o Iate Clube no Campeonato Paranaense da Divisão Especial (Chave Ouro), participaram da nossa chave o Grêmio Londrinense e o Canadá. Ora, três dos clubes mais tradicionais da cidade mantinham equipes de futsal na categoria principal! Com a desistência dos clubes (em 1999) por conta da elevada despesa de se disputar a Chave Ouro, surgiu o Hotel Aguativa que bancou o futsal até 2000.
  Hoje, como abordado pela Folha, os times de futsal acabaram e percebo a tentativa de se reportar à Fundação de Esportes (FEL) a responsabilidade pela sua extinção. Não dá para concordar totalmente com isso. Essa é uma visão muito reducionista e julgo que a questão seja bem mais complexa. Ora, o futsal, com o apoio do poder público, disputou a Liga Nacional de 2002 e 2003, retornou à Chave Ouro em 2003 (mas caiu), manteve-se na Chave Prata de 2004 e 2005 (com a parceria de uma das universidades locais) e participou dos Jogos Abertos (JAP‘s) nesses anos todos.
  Se por um lado, o corte de verbas (cerca de
R$ 55 mil/ano) e o desinteresse empresarial afetam a mórbida modalidade, penso, por outro lado, que o seu desmoronamento, a sua derrocada, deve ser atribuído, minimamente, a outros fatores, como por exemplo, à incompetência técnico-administrativa dos que o gerenciaram quando da disputa da Liga Nacional, período que percebeu dinheiro suficiente da FEL para se alicerçar enquanto esporte e projetar-se para o futuro, mas nada disso fizeram; ao êxodo de nossos jovens jogadores para o exterior; à inexperiência daqueles que, precocemente, os substituíram; ao assédio recente dos técnicos-empresários locais sobre nossos jogadores entre 16 e 20 anos, que acaba pulverizando a possibilidade de se formar uma boa equipe na categoria juvenil e muito menos na principal!
  Parte dessa letargia que assola o futsal pode estar ancorada na falta de interesse atual das empresas e do poder público de apoiá-lo financeiramente, mas me parece ingênuo aceitar o argumento sem reservas. Apostaria que, hoje, se houvesse verba suficiente da FEL para se investir na categoria principal, faltariam jogadores experientes formados no município para se estruturar uma equipe competitiva até mesmo para a Chave Prata (que dirá para a Chave Ouro!). O futsal, infelizmente, não sairá tão cedo do imbróglio em que o meteram.
WILTON CARLOS DE SANTANA é é professor na Universidade Norte do Paraná (Unopar) em Londrina e doutorando em Educação Física e Sociedade na Unicamp em Campinas


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